quinta-feira, 30 de setembro de 2010

LINDAS PAISAGENS

Passamos por Sinop. Quantas lembranças da Flora! O que ela contava da viagem! Não tinha asfalto; às vezes demorava uma semana para chegar: caminhões atolados, estrada interditada e outras peripécias...Como mudou! A cidade está uma graça! Disse um morador que, da hora em que começa a cidade ( a parte urbana), são 40 Km de área construída.

Itaúba, Nova Sta Helena, Peixoto Azevedo ( Aleluia! Nem ândia, nem ápolis, nem nova, nem novo...), Matupá. Uma novela para conseguirmos o endereço da Zilma e do Atílio. Ela vive dizendo: “Os mineirenses passam na porta da minha casa e nem param...”Liguei para a Maria Ely, para a D. Cassimira, para a Maria Ely novamente...Até q consegui o celular da Zilma. Passamos o dia com eles. Que linda casa: toda arborizada, bem fresquinha. Conversamos até cansar a língua.

Dormimos em Guarantã do Norte. Ainda bem que enviei e-mails para o pessoal porque daí pra frente...Nada de Internet. Estrada de chão. Poeira, poeira, poeeeeiiiira...uma cobrinha no meio da estrada, toda esturricadinha...que dó! Paramos num Posto Fiscal do Pará onde dizem que eles multam mesmo, já é bom separar o dinheiro, sem multa não passa. Eu bem que disse:”Ninguém multa assim à toa, tem que haver alguma coisa...” Os fiscais foram legais: olharam nossa casa, fizeram mil perguntas: “A TV comprou onde? Por quanto? Ah, tem DVD...e micro-ondas...Comprou onde? Quanto custou? “. E seu pai: “No Paraguai.” “Então vão com Deus e boa viagem!” Eu bem que disse que ninguém multa assim, sem quê nem pra quê.

Queríamos visitar aquela cidade que queimou toda, Marcelândia. O amigo do seu pai, aquele do carneiro assado disse: “Eu aconselho vocês a não irem lá”. “Por quê?”, perguntei. “Uai, lá não tem nada. A cidade acabou.””Mas é o NADA mesmo que eu quero ver”, respondi. Já pensaram? Uma cidade que existia e não existe mais? Paramos para comprar castanhas ( maldita hora! ) e o vendedor: “Ah, não . A estrada está péssima, é só costela de vaca, fui lá ontem, estou todo doído aqui por dentro...” e nhem, nhem, nhem...no ouvido do Eraldo, até que ele desistiu.

Gente! Tenho que compartilhar meu entusiasmo! Senão estouro! Estrada de chão é tudo de interessante! Asfalto é pura monotonia...Saindo lá do cara enxerido, o vendedor de castanha, perguntei para o Eraldo o que era estrada “costela-de-vaca” e ele tentou explicar...Mas, quando vi a danada, percebi na hora o porquê do nome: é aquela estrada cheia de morrinhos, de nervurinhas, e vc vai pulando, pulando...é como andar em cavalo trotão...plof, plof, plof..., mexe tudo lá por dentro, e eu morrendo de vontade de rir...deixamos de ir a Marcelândia e pegamos as “costelas” do mesmo jeito. E a mata? Verdíssima, um verde escuro. A paisagem é luxuriante! Lembrei-me do pai Leobino , ele adorava essa palavra, e explicava: “Luxuriante não tem nada a ver com luxúria; esta refere-se a sexo. Luxuriante é excesso de luxo, de beleza, é algo majestoso!” Lembram-se da paisagem de “Avatar”? É aquilo. Só que mais linda ainda...Porque essa é REAL...e essa é NOSSA!!!

A viagem nessa estrada é beeemmm lenta. Para vcs terem uma idéia, andamos uma média de 200 Km ( não, não é por hora...) por DIA!!! Mais ou menos três horas e meia para percorrer 100 Km...Hehehehehehe...do jeito que eu gosto! A gente vai apreciando a paisagem, que é muuuiiito variada: lama, poeira, matas, casinhas de madeira, mil pontes, placas tão engraçadas: a figura de um lobo: “Cuidado! Posso atravessar!”. Nas estradas, em vez daquelas placas enfadonhas e rotineiras: “Perigo. Homens na pista”, “Curva fechada”, “Curva perigosa a 100 m”...Você vê: “Risco de MORTE”! E a estrada estreitinha, parece q não dá para passarem dois carros, um ao lado do outro, e o despenhadeiro lá embaixo...se cair...era uma vez...vai parar na estrada larga do céu, ou estreita ( a do inferno é que é larga, não é? E cheia de flores, toda bonita e fácil...).

Percebi que meu querido esposo tem ciúmes do seu Goiás. Ele é mais goiano do que eu. Sempre tive orgulho da minha parte baiana. Não sei por que acho Goiás meio morno...Durante a viagem, comento encantada:

-- Que paisagem mais linda! Que variedade de vegetação!

-- Lá também tem isso tudo...

-- Olha que coqueiro maravilhoso! Que será?

-- Lá em Goiás desse aí tem aos montes! É buriti.

Agora que o buriti daqui é diferente do de lá, isso é! O daqui é alto, imponente, esguio como a palmeira lá da “Iracema”, a virgem dos lábios de mel. Os de lá são mais mirradinhos; pelo menos dos que eu me lembro...hihihihihi...

Vimos até cupinzeiros (viu, Tiago, aqui também têm...). Que saudade do Parque das Emas! “Nossas matas têm mais vida, nossa vida mais amores...” O poeta tinha razão!

Vila 13 de maio, Castelo dos Sonhos (gostei do nome!). Nossa intenção era dormirmos lá, mas chegamos às cinco horas e resolvemos ir mais adiante. Segundo um senhor, para o qual demos carona, tem um tal de “Km 1.000” que fica a 28 ou 38Km. Lá fomos nós...30 Km, nada; 40 Km, nada; e foi escurecendo, e a estrada estreita, escura, um breu...Clima propício à mula-sem-cabeça, lobisomem e seus parentes...uhhhhh...Vinha aquela coisa pra cima da gente: “Será nuvem?...será teia de aranha?...algodão doce?...”. Era só uma pedra, mas uma senhora pedra...Do tamanho, assim, de um carro, ou de uma casa. Tinha personalidade, só faltava falar: “Atrás de mim mora um monstro...Uuuuuhhhhhh....vai te pegar!!!”. Meus amigos, as pedras à beira da estrada são fantásticas! “..No meio do caminho tinha uma pedra...tinha uma pedra no meio do caminho...”. A pedra do Drummond ficaria roxa de inveja! E o poeta escreveria mil versos! O Eraldo dizia: “Chegamos a Novo Progresso e não chegamos ao Km 1.000...” Mas chegamos!!! Dormimos lá. Resolvi tomar um banho, de cabeça e tudo, lógico; tinha poeira atá na alma...O banheiro limpinho, cheiroso...ensaboei-me e a água acabou-se. Enxuguei-me, com sabão e tudo, voltei para o trailer a fim de finalizar o banho. Acontece que a caixa d’água bateu numa PEDRA e furou, ou deslocou a mangueira, sei lá, só sei que foi a conta de me enxaguar e ficamos sem água (na caixa...sempre temos alguns garrafões extras para as emergências). Ah, para variar, era domingo. Por sorte, estávamos bem pertinho de Novo Progresso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário