sexta-feira, 22 de março de 2013

JOÃO RICO -- UM SÁBIO PESCADOR!



JOÃO RICO: UM SÁBIO PESCADOR
11 de março, segunda-feira – Em nossa caminhada às vezes vemos pessoas nas calçadas conversando. Mas ontem foi interessante. Uma turma de mulheres fazendo tricô ou crochê, nunca aprendi a diferença. Lembramo-nos de quem? De quem??? Das Egídias, lógico! Geralmente onde elas estão, as mãozinhas sempre ocupadas com linhas e agulhas... ou esmalte e lixa.

Fomos à feira, compramos beiju, tomamos café e saímos de Pindobaçu às 09:30h; o tempo aqui parece passar mais devagar... Ah, a Mariza pesquisou e descobriu a origem do nome da cidade. É indígena: pindoba – palmeira; assu – grande. Antes era grafado assim Pindobassu, depois colocaram a cedilha. Por aqui há muitas palmeiras.

Antônio Gonçalves: A entrada da cidade é muito bonita, uma estrada entre palmeiras. Senhor do Bonfim, Catuni, Jaguarari – muito bonita.
Juacema. Rio Olhos D’água (sem água). Estamos na BR-407. A vegetação mudou, mais seca, caatinga, muitos cactos.

Massaroca (no mapa é com cedilha). Passamos por vários rios: Umburana, Campeiro, Serrote Grande, Recreio... Todos secos.
Carnaíba, Juazeiro – cidade grande e antiga. Atravessamos o Velho Chico, sempre manso, manso, e estamos em Petrolina – Pernambuco. Tchau Bahia! Nem vou chorar; voltaremos breve, menos de um mês.

Paramos para dormir em Petrolina e fizemos caminhada numa pista maravilhosa: um tantão de gente caminhando... Eu caminhava, corria e me coçava, maldizendo as muriçocas. Lá pras tantas, desconfiei que aquilo podia ser alergia... coçava demais. Paramos numa farmácia, compramos um antialérgico conhecido e uma pomada.

Como evito o máximo tomar remédios, tomei banho e passei a pomada. Valeu bastante. Ao me deitar, percebi que a coceira tinha tomado o corpo inteiro, até o couro cabeludo coçava, uma coceira de desespero. Tomei o antialérgico... Aí uma luzinha se acendeu no meu cérebro: “Dengue”. Dengue?! Não, não, não!!! Eu não mereço; é a terceira vez que pego essa doença terrível. Lembrei-me da Isabel Allende, em seu livro de memórias: “Por que, quando acontece uma desgraça, pensamos que não a merecemos? Não somos melhores que ninguém; se outras pessoas passam por contratempos, nós também podemos passar.” Raciocinei assim: “Tanta gente nunca teve dengue, nem uma vezinha... e eu... três vezes? É cruel! Ninguém merece”.

12 de março, terça-feira – Ligo para a Lúcia e peço segredo: “Lúcia, não conte para ninguém, quando ficar boa, eu conto. Estou ligando para saber que remédio o Danilo está tomando (É... o danadinho estava com dengue) e o que ele passa nas coceiras...”
-- Pode tomar tylenol e dipirona. Nas coceiras ele passa arnica, disse a Lúcia.
O Eraldo tem uma arnica no óleo não sei de quê... Se precisar, eu passo.
Lembrei-me da Patty e do Lúciu que tiveram dengue ao mesmo tempo. Eu perguntei, alarmada:
-- Patty, como vocês se arrumaram?
--O que estava melhor cuidava do outro.
A Eni também teve dengue e se curou sozinha. Eu tenho um marido forte e dedicado para cuidar de mim.
Doença ingrata: derruba sua vontade e sua energia. O Eraldo queria que eu fosse ao médico. Nem, nem mesmo! Eu já conheço essa danada. É só aguentar a dor, coçar... coçar... coçar... e fazer repouso (e eu correndo ontem).

Atravessando o Velho Chico. Juazeiro. Bahia novamente! Pensando no tal repouso fui me deitar: “Se passar alguma coisa bonita, buzina que eu me levanto.” Um trevo sem placa nenhuma; o jeito é ir no chute. Epa! Parece que estamos voltando... E estamos; a estrada que no mapa constava asfaltada é puro chão... e longa...
-- Era asfalto, dona; mas arrancou tudo; agora tá assim...
Penso que estou iniciando uma nova década da minha vida no lugar certo. Aqui as pessoas lutam contra a adversidade e continuas serenas e bondosas. E com elas a gente aprende a priorizar o que é realmente importante na vida: amor, saúde, família, amizade, fé.

Sobradinho. Paramos para almoçar em frente ao “Cemitério Campo das Flores”; só essa é que faltava... Os meninos da casa em frente vêm nos visitar. A mocinha tira fotos.
-- Minha mãe mandou perguntar se vocês gostam de limão. Então vou pegar.
Volta com limõezinhos galegos fresquinhos! Delícia!

Represa de Sobradinho: Grande, grande, graaande! Maior lago artificial da América Latina! Ahhhh! Agora vi a tal da eclusa (elevador de navio). Lembra-se, Aline, de quando você achou uma figura disso na internet?
Associação ACRIPEIXESS. Criação de peixes. Paramos para conversar com os barqueiros. O senhor, muito gentil, colocou-nos no barco e foi dar comida aos peixes. Amamos o passeio! Inúmeras garças:
-- Tira foto das garças, Eraldo... Que coisa linda!
-- Elas me dão muito trabalho; às vezes tenho que espantar a tiros... Uma peste, dona, dá um prejuízo danado! Comem os olhos dos peixes – diz o barqueiro.
Realmente, havia muitos peixinhos boiando nos tanques.
Chão... Paramos para nos informar:
-- É um trecho pequeno de chão, dona. Mas tá boinha assim.
Santana do Sobrado, Casa Nova: Parece ser uma cidade planejada, mas não é.
O pior dessa dengue não é mesmo a coceira, é o repouso forçado e as lindas paisagens passando, passando...

Essa noite do dia 12 de março ficou gravada em minha mente como “a noite da coceira”... Um horror! Me lambuzei toda com o tal óleo de arnica (viu, Lu, já começo frase com pronome oblíquo – coisa horrorosa!). Coçava tanto, tanto, que queimava... Molhei uma toalha e me deitei em cima. Melhorou. Então a coceira foi subindo para o pescoço, o rosto. Acendi a luz e me olhei no espelho. Nossa! Estava todinha empolada. Até a testa; aqueles vergões vermelhos. Alergia, pensei, só pode ser. Por que não fui ao hospital? Tomei o antialérgico; deitei-me e dormi quase imediatamente.

13 de março, quarta-feira – Levantei-me e fui direto ao espelho olhar a coceira; não havia quase nada... Que remédio poderoso! Histamin (maleato de dexclorfeniramina, 2mg). E agora? Alergia de quê? De diferente, comi castanha de coquinho, cogumelo (no strogonof)...
Ah... e comi um frango assado, com um sabor meio esquisito, achei amargoso. Pode ser algum tempero diferente. Só sei que a castanha do coquinho, que eu tanto desejei... o Eraldo está comendo sozinho; não tive mais coragem de colocá-la na boca, o que é uma pena... Vocês se lembram, minhas irmãs, de quando o papai quebrava cocos para comermos a castanha? Coitado, aquele tanto de filhos, ali esperando, e ele, pac, pac, pac... e nunca conseguia encher nossas barrigas.

Lembrei-me da Flora, que era alérgica a castanha do Pará; do Tiago, alérgico a camarão... Tenho que descobrir.

Ih, tenho que ligar para a Lúcia e contar que a dengue era alergia. Uma delícia viajar sem coceira! Acho que ainda não tinha acontecido de viajarmos tanto tempo sem povoados, 75 km. Um barzinho solitário: “Lanchonete Rancho Alegre” – não é tão despovoado assim.

E não é que almoçamos quase em frente ao cemitério – de novo?! E sem percebermos. Somente ao sairmos é que vimos o cemiteriozinho.
Barragem do Caminho, BR-235; Caraíbas: “Bode assado na prata” (???); Marcos; Remanso. Vamos para Pilão Arcado; queremos ver onde acaba esta estrada. Ainda tem Passagem, bem no finzinho...Estamos na BA-752.

Pilão Arcado: A chegada é linda! Uma avenida bem larga, com bancos no centro, toda arborizada. Assim era o projeto inicial da Avenida Jardim em Mineiros, mas gorou.
Iremos para Passagem, à beira do São Francisco e, pelo jeito, ponto final desta rodovia.
Já em Passagem fomos à Vila dos Pescadores, onde conhecemos uma figura de gente que estava construindo uma peça de barco. O homem veio lá de cima com um parafuso gigante na mão. O seu colega disse, admirado:
-- Eh, João Rico, e não é que fez a peça? Tu faz tudo, João! Tu tinha que ser rico mesmo, não só no nome...
-- Sou rico de saúde e liberdade, homem! Quero mais o quê?!
É isso aí, João!!! Falou pouco e falou tudo!
-- Tenho um cunhado em Rio Verde, de Goiás -- disse o João. É o Zé do Rio.
Depois de muita prosa voltamos e dormimos em Pilão Arcado, cidade com mais de 200 anos.

14 de março, quinta-feira – Saímos de Pilão Arcado rumo a São Lourenço, no Piauí. No trevo antes de Remanso pegamos a BR-324. Um asfalto terrivelmente esburacado... Passou um ônibus; pedimos informação. São mais de 70 km assim, rodando a menos de 10 km por hora. Não compensa. Meia volta, volver... Voltando, acho que até Petrolina. É que você sempre diz, Lúciu: “O bom das viagens são os imprevistos... É disso que a gente se lembra...” Penso que entraremos mo Piauí por outras bandas...

Remanso, Caraíbas. Temos que ir bem devagar: bodes na rodovia... hehehehehe..., Barragem, Casa Nova; atravessando o São Francisco, isto é, um braço da represa. Santana do Sobrado. Divisa Bahia - Pernanbuco; até já Bahia!
Petrolina – PE. Já ia dizer que nunca caminhamos no mesmo lugar; hoje, sim: dormimos no mesmo posto e caminhamos no mesmíssimo lugar – até agora, a melhor pista de caminhada.

Achei muito engraçado o jeito que o rapaz disse para o colega: “Vai num pé e volta no mermo”. Eu conhecia: “Vai num pé e volta no outro”. Como é que se volta no mesmo??? Saci Pererê?

15 de março, sexta-feira – Saímos de Petrolina e pegamos a BR-407, rumo ao Piauí. Bodes e carneiros em plena pista. Pau-Ferro, Rajada, Arizona, Afrânio. DIVISA PERNAMBUCO – PIAUÍ. “Bem - vindo ao Piauí”. Riacho do Alecrim, Riacho Lua Nova, tudo seco.
Jipoca. Na vegetação predomina a caatinga. Rodovia excelente e bem cuidada; de vez em quando, a placa: “Trecho em obras”. Acauã, rio do Canindé (um pouquinho de água no fundo), Paulistana, Jacobina do Piauí, Patos. Um rapaz conta:
-- Tem um homem ali que está dando os bichos, senão vai morrer tudo de sede... Só que ninguém quer; não tem nada pros bichos comer...

Está chovendo!!! Que cheiro bom de terra molhada! Nessa hora tenho vontade de comer terra; não pode ser tão ruim, uma coisa que cheira tão bem. Croazal. Muitas plantações de caju. Jaicós – boa caminhada em Jaicós; as pessoas, gentis, respondem ao seu cumprimento:
-- Boooa noite! Tudo de bom!
-- Tudo de bom para você também!
Chegando ao trailer não pude deixar de correr para pegar a máquina e fotografar os restos mortais dos tênis do Eraldo. Não é de ver que, antes de jogá-los fora, ele tirou TODOS os pedacinhos aproveitáveis?! E mais: depois que comprou os tênis novos ainda caminhou vários dias com os velhos. No dia em que comprou os novos e o vi calçar os cacarecos, perguntei, espantada, por que não usava os outros... E ele:
-- Tenho que acabar com os velhos primeiro.

16 de março, sábado – Dormimos em Jaicós. O pessoal do posto, gentilíssimo:
-- Fiquem mais. A casa é de vocês!
 A mocinha da lanchonete foi ver nossa casa. Uma graça de pessoa. Gosto muitíssimo de conhecer pessoas diferentes; cada uma acrescenta algo a minha vida. Contou sobre seus filhos:
-- Meu filho já tinha oito anos; e aí veio uma nenenzinha inesperada. Estou ficando quase maluca!
Ah, se não fossem os bebês inesperados... Eles viram a vida das pessoas de cabeça para baixo, mas acrescentam tanto à vida dos pais e familiares!

Geminiano. Tudo seco por aqui; a gente viaja com um nó na garganta. Lembrava-me o tempo todo daqueles livros que li sobre a seca: “Vidas Secas”, “Barro Blanco”... Pensa-se, às vezes, que os autores aumentam a tragédia. Jegues mortos ao lado da rodovia; montes de urubus; e os animais vivos magrinhos, magrinhos!

Picos: Cidade grande com o comércio bem variado. Almoçamos no Posto Avelino. Curral. Paramos para comprar castanha de caju – saborosíssima! Nunca vi tanta castanha. Lago dos Félix, Ipiranga do Piauí, Inhuma. A vegetação mudou completamente: tudo verde, verde, verdíssimo!
Olha a chuva! Cheirinho de terra molhada! Valença do Piauí; tivemos que parar por causa da chuva forte com ventania.
Paramos em Elesbão Veloso para o pouso já taaaarde (18:15 h) e ainda fizemos nossa caminhada pela cidade.

17 de março, domingo – Saímos de Elesbão Veloso às 09h50min. (O Word está falando que é assim que se escreve hora...) Palmeiras, palmeiras e mais palmeiras... Lindas paisagens. Como eu gosto de viajar, assim devagar... Melhor que de trailer, só a pé mesmo: você vê cada florzinha, cada formiguinha da estrada.
Mocambo. Passagem Franca do Piauí. Barro Duro. Paramos para comprar bananas e bolo de puba. Eu queria um bolo de leite; comprei dele na outra cidade – hummm, parece mais um pudim! Pedi a receita, mas a dona não sabia a quantidade dos ingredientes; só disse que leva trigo, ovos, leite, açúcar e margarina; enfatizou que é sem fermento e que a massa fica bem ralinha. Deve ser parecido com o bom-bocado de fubá. Até hoje estou procurando pelo tal bolo, mas não consegui encontrar: “Tinha, dona, acabou”. Será que ganharei uns quilinhos aqui, nesse nordeste de comida gostosa?!

Estaca Zero, Baixa Grande, Monsenhor Gil, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão. Almoçamos em Teresina. Deixamos a BR-316 e pegamos a BR-343. Atravessando o Rio Parnaíba. Altos, Monte Belo. Cruzinhas à beira da estrada; quantos mortinhos! Que pena!

Em Campo Maior paramos para dormir. Antes de irmos ao posto, fomos procurar uma igreja. Participei da missa às 17:00h. Gostei muito da homilia do Padre Mateus. Saí da igreja com chuva; é muito gostoso tomar chuva por aqui! Fomos comprar bolo para o café: “Tinha de goma, mas acabou”. Só que era de sal. Me deu uma “gana” de experimentar bolo de goma salgado! (Tá vendo, Lu? O Word sublinhou de verde o “Me deu”; mandou colocar “Deu-me”...) hehehehhehhehe...

18 de março, segunda-feira – Madruguei (06h30min + ou -) para adiantar o blog que está atrasadíssimo... Ando tão ocupada!
Ainda na BR-343. Neste Nordeste, se chovesse, seria o paraíso. As pessoas daqui são coisa fina, finíssima: educação, gentileza e disponibilidade estão em primeiro lugar, sem dúvida!
Na saída de Campo Maior notamos uma vegetação bem variada: árvores, arbustos, coqueiros, cactos e aquelas plantas da folha dura, espetada assim... parecendo a coroa do abacaxi.
Cocal de Telha: no mapa parecia bem maior. Capitão de Campo. Cadê loteria? Cadê? Fechada. Faltou energia. Piripiri: casas populares que não acabam mais... Brasileira. Piracuruca. Rio Piracuruca – esse tem água! Paramos para o almoço e a sesta. O Eraldo foi à loteria e ao Banco; voltou na chuva. Catacumbas à beira da rodovia?! Nunca vi, digo, nunca havia visto. Muitas cruzes também; lembrei-me do Peru.
Buritti dos Lopes. Paramos para o pouso em Parnaíba. Chuva, chuva, chuva...

19 de março, terça-feira -- Choveu bastante à noite. Tomamos café bem tarde e fomos para a praia na maior chuva. Luiz Correia. (Luiz com s ou com z? Vê-se das duas maneiras). Fica à beira da praia. Chuva... chuva... chuva... Almoçamos na barraquinha à beira do mar e esperamos o sol... Mas, nada!
E não é que tinha uns gatos pingados tomando banho? Lembramo-nos de Ubatuba em São Paulo. Para mim e os meninos, a primeira vez na praia... E chuva, chuva, chuva... E a gente no mar, na maior alegria. E não éramos os únicos! O Eraldo dizia:
-- Pode fazer uma pesquisa. Todos lá são do interior.
Que praia maravilhosa! Ficamos numa pequena casa e meu marido disse para os meninos:
-- Agora nós vamos cuidar da casa e sua mãe vai ler e descansar.
 Eta vida booooaaa!!! Como esquecer?!

Saímos da praia enxutinhos... O rapaz da barraca disse que até ontem o sol estava forte. A chuva começou na noite passada. Vamos para o Maranhão à procura do sol.
Parnaíba. DIVISA PIAUÍ – MARANHÃO. Pirangi. Paramos em Placa de Araioses para dormir.

20 de março, quarta-feira -- Nem acredito que acordei no Maranhão! Sempre tive vontade de passar uns dias nesse Estado que acho tão lindo! Saímos à procura de praia. Novo Horizonte, Limoeiro... O sol está lindo, lindo! Cana Brava. Começou um ventinho de chuva... Ai, ai, ai, ai, ai... e surgiram umas nuvens escuras. Placa: “Delta das Américas. Belezas naturais”. Ei! Passou por nós um cara com a espingarda na mão e o veado nas costas.

Muitas roças de toco – plantando ou recém-plantadas. Barro Duro. Tutóia (esse acento caiu, mas deve-se preservar o nome da cidade). E o sol lindão!!! Aqui tem praia. Tão deserta que até pensamos se seria própria para banho... O pescador esclareceu:
-- Podem tomar banho, sim; o mar está calmo. O povo daqui é que prefere o interior, os rios. Nós, que vivemos aqui, já estamos muito salitrados.
O mar estava uma delícia! Aproveitamos bastante; tiramos a barriga da miséria quanto à água salgada. Mas a praia era bem feinha.

Almoçamos e partimos. Voltando... A estrada para a outra praia, que dizem ser muito boa, não dá de passar; temos que dar uma enorme volta. Barro Duro, Cana Brava; mudando de estrada: São Raimundo, São Bernardo. Que linda a avenida de entrada! Os postes imitam pássaros voando; as lâmpadas ficam nas asas. Deve ser um espetáculo à noite! Santa Quitéria, Brejo, São João dos Pilão (é assim mesmo na placa: “dos Pilão”).
-- Quanta vasilha de barro! A Valéria ia ficar maluca...
Mas o Eraldo acaba com meu entusiasmo:
-- Não tem nada de barro aí; é tudo madeira.
E é mesmo... É isso que quer dizer o nome: Pilão de socar. Kkkkkkkk...

Palestina, Água Rica. Paramos em Anapurus para o pouso. Nem vimos a cidade; chegamos bem tarde. Como não deu para acessar a internet, aproveitei para colocar o blog em dia. E, parabéns para mim, COLOQUEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Está a – tu – a – li – za – do! Agora é esperar a internet para publicar. Beijos para vocês!

domingo, 10 de março de 2013

MINHA COMADRE!? NÃO ENTRARIA...



MINHA COMADRE?! NÃO ENTRARIA...

27 de fevereiro, quarta-feira
-- Cadê a amiga para tomar café? Cadê?
Esperei, esperei... nada. Será que ainda está dormindo?! O jeito foi ir até sua casa e chamar; a mocinha disse:
-- A Iracema? Ih, já saiu há muito tempo. Foi pra quitanda trabalhar. Perguntei onde era, ela disse. Pensamos: “Na saída passamos lá”.
O Eraldo parou numa oficina para soldar o degrau do trailer. Perguntei:
-- Vocês sabem onde trabalha o seu Alcebíades, marido da Iracema?
-- A senhora está vendo aquele caminhão ali? É o dele. É só virar ali, depois lá e perguntar pela Iracema; todo mundo conhece a quitanda dela.

A “quitanda” é uma frutaria: vende verduras, frutas, ovos, e mais um tantão de coisas; quitanda mesmo, nenhuma. Ela explicou:
-- O povo gosta de chamar de quitanda, que fique.
 Que simpatia a Iracema! Fez questão de me dar alguma coisa de que gostasse muito...
-- Vamos, escolha aí... O que que tu gosta?
O Eraldo que me desculpe, pensei. E escolhi CHUCHU, lóóógico! Pensem num chuchu gostoso! Há tempo que eu não (Ah, nem, sempre me esqueço que no Word o til entra sozinho e fico digitando o negócio. E, no meu teclado, é mais complicado: Tenho que apertar o shilf) comia essa delícia.

E a amiga foi comigo conhecer o trailer: amou! Não é de ver que o filho dela, o Iracildo, mora no “Chapadão do Céu”? Eta mundo pequeno! Conversando com o Eraldo sobre a cidade, ela concluiu divertida:
-- Vai ver que eu conheço o Chapadão do Céu mais que tu!
-- Quando voltarmos, iremos ao Chapadão conhecer o Iracildo, pode deixar.

Voltando para pegar a rodovia, passamos por Ibiassucê. Demos carona para uma baianinha que estava com uma criança. Ela ficou louca:
-- Olha aí, Dinho, não acredito que estou vendo isto; olha a TV, Dinho; olha a pia, gente. E tem fogão! Olha o guarda-roupa, Dinho. Vocês têm que ir na minha casa. É só perguntar pela casa de Pedro e de Cláudio. Vou esperar!
Em Caetité a baianinha desceu. E explicou:
-- Sabe por que a gente é magra? (Perto dela, eu sou gorda!). É porque come muito arroz. Arroz emagrece.
-- Não é o que sempre digo? Se arroz engordasse, eu não passaria naquela porta.

Dormimos em Guanambi. Parece que é grande.

28 de fevereiro, quinta-feira --  E agora, José? O aniversário da Cleonice é hoje ou amanhã (ela é de 29 de fevereiro)? Deve ser amanhã, pois hoje ela ainda não havia nascido. Tadinha! Só aniversaria de quatro em quatro anos; em compensação ainda está na adolescência. (Ahhhh, neeeemmmm de novo; não é que o Word também põe a cedilha? E, no meu teclado, não tem c cedilha, tenho que digitar o acento agudo – nunca entendi esse negócio – e depois o c). Que bom, amiga! Sempre jovem!

Seguindo: Pilões, Pindaí, Urandi. DIVISA BAHIA-MINAS. Olá, Minas! Cadê pequi??? Cadê? Rio Seco, Vila Santana, Rio Galheiros (seco).
Em Espinosa paramos para fazer o almoço. Fizemos amizade com os vizinhos de frente: Dona Maria, seu Manoel, Débora e Maria Clara, gente boa de prosa!
Na saída, o Eraldo viu uma loja de baterias:
-- É bem daquela que estou querendo; é a melhor! Parou. Aí, sim, a demora foi loooonga. Conhecemos o Nildo, esposo da Madalena, a Ana Teresa.
O Nildo e eu proseamos muito, falando sobre as vantagens das cidades pequenas, a educação moderna, a preservação dos valores... Na verdade, filosofamos bastante, não é mesmo, amigo? Por pouco não conheceríamos  essas pessoas tão especiais; se o Eraldo não visse a placa da loja... Ainda bem que viu. Foi simpatia à primeira vista.
Acho que eu já disse isso no blog, mas vale repetir: Em nossas viagens, sempre me lembro daquela música do Roberto Carlos “... eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar...” Estamos chegando lá!!!

Dourados. Rodovia ótima, ótima! Parece um tapete! Acho chique essa expressão, mas não entendo direito. Por que “tapete”? Porque é liso? Hummm...nem sempre. Os tapetes que a Lúcia faz, por exemplo, cheios de flores em alto relevo, não têm nada de lisinhos... Mas são lindos, lindos!

Monte Azul (gostei do nome), Mato verde... Quase 19:00h... Há muito tempo não viajamos à noite; ainda bem, pois se perde tanto! Gosto de viajar beeeemmm devagar. Como dizia meu amigo, lá de Santiago: “O importante  não é pôr quilômetros na viagem, é pôr viagem nos quilômetros.”
-- Não deixem de ver a Cachoeira de Maria Rosa. É linda!
Dormimos tarde, assistindo ao “Pé na Cova”; não achei tão interessante como da primeira vez.

01 de março, sexta-feira -- Pronto; acabou-se o café gostoso da Maria José. Hoje quando provei do outro café (nem vou dizer a marca, fica deselegante...): “Eca... Parece purgante.” Paulinho, meu cunhado, quando vier nos encontrar, deixe uma vaguinha aí na sua mala para um cafezinho Souza.

Fomos nos informar sobre a cachoeira.
-- É estrada de chão; é mais ou menos, tem muita subida...
-- E o volume de água?
-- Agora??? É pouca.
Isso decidiu a história. Voltando... Monte Azul, Rio Cachoeiras. Paramos em Mamonas para almoçar. Espinosa, Vila Santana, rio Verde Pequeno.
DIVISA MINAS GERAIS-BAHIA.
-- Boa-tarde, Bahia! Estamos de volta, meu amor! Urandi: Linda, linda! Espalhada pelos morros.
Pindaí, Pilões. Saímos da rodovia para conhecermos Candiba. Demos carona para a Maristela, professora. Ela mora e trabalha em Candiba e cursa a faculdade de Letras em Guanambi. É um vai-e-volta. Disse-nos que sua cidade tem uma média de 13.000 habitantes. Levou-nos para conhecer sua casa e sua família: José, o marido; Joyce, Márcio e Maria Júlia, os filhos. Serviu-nos um delicioso doce de imbu (ela fala umbu, como muita gente aqui... É agora que vou olhar no Aurélio e tirar essa dúvida...). É como eu pensava: os dois estão corretos. Dizia sempre para o Eraldo
-- Falei “imbu” a vida inteira. E, morando com o vô Leobino, que não nos deixava falar errado... Ele teria me corrigido na hora.

Estacionamos o trailer na praça. Como sempre, à noite recebemos muitas visitas; dentre elas, a do seu Benvenuto, o Nute, como é chamado por todos. Foi uma longa prosa. Não é de ver que o Nute leva água no carro para o gado beber??? Sua esposa foi para São Paulo visitar a filha e ele ficou para cuidar do gado. É muita dedicação!

02 de março, sábado -- Feira em Candiba. Bem a Joyce falou: Um som bem alto anuncia: “Venham para o ‘Barracão da Economia’. Tragam o papai e a mamãe... Tem roupa para toda a família. Diretamente das fábricas de Goiânia.” E eu, da janela, via meu shortinho lá, balançando ao vento, vermelho e preto, FLAMENGO! Tomamos café e lá fui eu para a feira... Hummmm....as roupas não são lá essas coisas.
-- Cadê o Barracão da Economia? – pergunto para um feirante que, achando muita graça, mostra:
-- É aquela barraquinha lá na esquina.
Uma barraca bem, mas beemmm pequena mesmo, com um sonzão ao lado, fazendo todo aquele auê. Mas achei meu short lá. Não aquele que vi, hahahhahhaa... aquilo devia ser um tapete, porém um bem bonitinho. Falei que ia muito a Goiânia e que era de Goiás. A vendedora justificou:
-- Claro que não podemos vender com o preço de lá... Afinal, é difícil o transporte.
Fiquei bem caladinha, lembrando-me da história do Sansão. A madame, lá na frutaria do Sansão, dando uma de entendida:
-- Nossa, Sansão! Seu frango está muito caro; lá no Carrefour, em Goiânia, eu compro bem mais barato.
-- E como a senhora acha que ele vem de lá? Assim, tocando... ti, ti, ti; ti, ti, ti???
Um vendedor, dono de outra barraca, disse que muitas roupas, ditas de Goiânia, na verdade são de Santa Cruz do Capibaribe que, além de ser mais perto, oferece melhores preços. Lembram, meninos, de Santa Cruz? Quem consegue esquecer? Tenho a maior curiosidade em saber como é lá agora.
O rapaz disse que é outra coisa. Tudo muito organizado: A feira tem seu lugar e há inúmeros hotéis ao redor. Ainda bem!!!

Saímos de Candiba, passamos por Pilões, Guanambi. Eta mundo pequeno! No posto conhecemos o Reginaldo. Sua esposa é de Santana e ele conhece o George e a Georgia. Já ficou combinado: Quando a Lúcia e o Paulo José estiverem conosco, iremos pescar com ele, que mora pertinho de Santana.
Lúcia, minha irmã, não vejo a hora de irmos a Santana e comermos o mocotó de Fátima! É inesquecível! Como o compadre vai gostar...

Saímos da BR para conhecer Mutãs -- no mapa; na placa é Mutans. Almoçamos, fizemos a sesta e voltamos à BR-030.
Palmas de Monte Alto: Bonita cidade. O povo é trabalhador – o comércio aberto no sábado à tarde.
Pegamos a BR-122 para Sebastião Laranjeiras. Epa! Voltando... É estrada de chão. Um depósito de água gigantesco! Sabiam que a água que abastece Guanambi vem do São Francisco?! Realmente, nem sempre se dá o necessário valor à abundância de água que se tem.

Puxa! Isso é que é reta; dá vontade até de dizer como os baianos: “Que vontade de tirar essa reta na precata!” Olhem no mapa, por favor, a estrada retíssima que vai de Guanambi a Malhada – a BR-030. No meu mapa parece riscada com régua. Hahahahahha...Vamos ter que nos desviar um pouco para conhecer uma cidade por nome IUIÚ. Pode?! Só na Bahia, mesmo. Parece pequenininha... E é.
Que alegria! Atravessando de novo o Velho Chico! Para onde ele corre? Não sei.
Chegamos a Carinhanha. À noitinha ficamos conversando com uns senhores na praça. Conversamos e conversamos. Um deles contou que, quando estudava em Salvador, viajava de vapor no São Francisco. Era um vapor muito chique, tinha tudo. A passagem era muito baratinha, incluindo café, almoço, jantar e lugar de dormir. Explicou sobre o nome da cidade, o que derrubou minha teoria; pensei que fosse cruzamento de cari com piranha (uai, não fica na beira do rio???) Então... É nome indígena, nome de um peixe; o Eraldo acha que é Caranha.

Fomos jantar à beira do São Francisco num quiosque de uma senhora amabilíssima:
-- Você quer peixe sem espinho, filha? Se quiser, vou buscar na outra barraca. Estão gostando da comida?
Como não gostar? A mandioca cozida tinha sabor de assada... Tudo muito saboroso. Comemos em excesso. Tão em excesso que, no outro dia de manhã, eu estava com a boca amarga; e uma sede maluca: se me jogassem no rio, acho que beberia a metade daquela água. Nada a ver com outras coisinhas que ingeri...

03 de março, domingo -- Fui à missa na Igreja São José. Agora tenho que fotografar as casas do Brasileiro e do Português – assim são conhecidas aqui. E têm uma história engraçada: Os dois viviam disputando quem era o melhor. Então o Português fez uma linda casa, a melhor da cidade. O Brasileiro não deixou por menos, fez uma casa melhor ainda e, só por pirraça, mandou esculpir a cara do Português lá em cima, na fachada. Depois vou tentar colocar as fotos no blog – ainda não aprendi, que coisa!

Malhada. Estamos margeando o São Francisco. Margem esquerda, eu acho. Tadinho do professor Juarez; perdeu seu tempo tentando ensinar geografia para essazinha aqui.

Atravessando o Velho Chico e chegando a Bom Jesus da Lapa. Que emoção ao entrar na igreja, na gruta. É impressionante; várias grutas: gruta de São Geraldo, gruta de Santa Luzia – nessa então, tive medo de entrar, vai afunilando e, quando você pensa que acabou, vê a placa: “Gruta de Santa Luzia a 60m.” Aí eu resolvi voltar; o Eraldo foi entrando... Eu pensei: “Vir até aqui e não entrar... nunca iria me perdoar...” Fui, porém, mal tirei algumas fotos, voltei bem depressa. O Eraldo lembrou:
-- Será que a comadre Da Luz entraria aqui?
-- A Da Luz aqui? Ah, nem... Não entraria mesmo.
Vocês se lembram da história dela lá em Serranópolis? Aquela história de passar embaixo da barca de pedra? Ou melhor, de não passar?

04 de março, segunda-feira – Antes de sairmos do Posto do Trevo, em Bom Jesus, fomos encher os garrafões de água – que temos de reserva. A Luciane, uma moça muito gentil que trabalha lá, foi logo dizendo:
-- Não pegue dessa mangueira, é água salobra; pegue daquela lá que é do São Francisco. Agora temos água em abundância, graças a Deus.Quando voltarem passem por aqui; vou esperar!

Riacho de Santana, Igaporã. Bem o Eraldo Luís falou que estamos num vai-e-vem; estamos pertinho de Caetité. O caso é que queremos conhecer as pequenas cidades e nem sempre há estradas acessíveis.

Mudando de rodovia; deixamos a BR-430 e pegamos a BA-156. Não entendemos o que são uns montões de terra no meio do campo – parecem formigueiros, só que são enormes... Que será?!

Buracos na pista? O que é isso?
Caldeiras. Estradinha esburacada... Saudade do meu Goiás...

Tanque Novo. Fomos caminhar e conhecer a cidade. Curiosíssima! Casas antigas e modernas se misturam de um jeito muito engraçado; mais ou menos assim: três casas modernas, duas antigas; duas modernas, uma antiga... e assim vai. Muitos carros. O Eraldo foi se informar sobre a economia da cidade:
-- Vive do comércio.

05 de março, terça-feira – Na saída do posto nos aparece um velhinho, barbudinho, muito engraçado, insistindo para vender feijão verde:
-- Vamos, comprem, comprem, ajudem o velho. Só três reais... Vamos, vamos, levem os três sacos. Tá barato. Três reais nem é dinheiro.
-- Ah, não? – disse uma mulher – então me dê um real para beber pinga.
Ficamos com um saco. Achei que estávamos saindo quando o Eraldo estacionou o trailer.
-- Tenho que comprar meu tênis. O meu pifou, lembra?
Comprou o tênis.
Botuporã. Buracos, buracos e mais buracos.
Caturama. Almoçamos e dormimos. Saímos às 15:26h. Diz o rapaz do posto que a estrada agora é boa.
Paramirim; muito bonita e florida. Caraíbas (essa não existe em meu mapa). Boa Vista. Itanagé. Uma grande plantação de palmas. O Eraldo disse que é para tratar do gado. Coitado do gado; uma coisa tão amarga...

Acho que me esqueci de dizer que enfrentamos toda essa buraqueira porque um amigo nos disse que não poderíamos deixar de conhecer Rio de Contas, um lugar histórico. Estou curiosíssima... Nunca gostei de estudar História, mas amo lugares históricos!

Livramento de Nossa Senhora. Que cidade comprida! Morros altos e lindos. Serra das Almas. Maravilhosa!!! É beleza demais! Você acha que está no plano e está subindo, subindo, subindo...Olha a pererequinha! Pulou dentro do trailer. Uma gracinha! O Eraldo pegou a bichinha e jogou lá fora.

Rio de Contas, afinal! Beeeemmm diferente do que eu pensava... (Será que eu estava pensando em Penedo?!)
Fomos andar pela cidade. Eu a achei muito triste, tristíssima! Deu-me uma enorme vontade de chorar, andando por aquelas ruas. Deve ser porque disseram que antigamente os escravos viviam ali.

06 de março, quarta-feira – Fomos visitar o Arquivo Municipal de Rio de Contas. Encontramos uma pessoa simpaticíssima que nos guiou, mostrando tudo, com muita sabedoria e enorme entusiasmo. Que linda a história da cidade! Goianos e mineiros chegaram ao local e já encontraram os escravos – alforriados ou fugitivos – que viviam lá. Foi encontrado muito ouro no local. Dizem que, quando havia procissão, em vez de jogar confete, jogavam ouro em pó!!!
O povoado teve início em 1687 com o nome de Arraial de Crioulos. A descoberta do ouro foi em 1713. De 1723 a 1725 a vila foi mudada para onde hoje é a cidade de Livramento com o nome de Villa de Nossa Senhora do Livramento e Minnas do Rio das Contas (é isso aí... haja nome!). Depois foi feita nova transferência, para o local de origem, com o nome de Villa Nova de Nossa Senhora do Livramento das Minnas do Rio das Contas. A Coluna Prestes passou por lá em 06 de abril de 1926.

O carnaval é famoso em Rio de Contas, assim como Corpus Cristi e São João. Uma coisa grandiosa! Vimos várias fotos. Até pensamos em levar toda a família no próximo carnaval... Que tal?!
Na saída, após preenchermos um formulário sobre nossas visitas à cidade, perguntamos à mocinha gentil, já nossa amiga:
-- Como você se chama?!
-- Gardênia.
-- Que lindo! Nome de flor.
-- É só lembrar a música de Valdik Soriano “Perfume de Gardênia” -- respondeu ela.
Após nos passar seu email, ela disse:
-- Procurem o Arquivo Rio de Contas no facebook.
Procurem, amigos! Vocês vão adorar!

Saindo de Rio de Contas. Agora é descer a serra. O rapaz disse a estrada é mais perigosa, cheia de curvas.
Para não ter que voltar um tantão, enfrentaremos 30km de estrada de chão. (Rimou! Já falei que um dia serei poeta!) Na placa os 30 viraram 45...
Jussiape. Região linda! Linda é pouco, lindíssima! Plantação de manga irrigada por gotejamento. Ai, como eu tô sabida! Tenho que explicar: A água vai por pressão nos canos; em cada plantinha tem um cano com um buraquinho onde goteja a água. Muito interessante! E eficaz; as plantas estão verdinhas, verdinhas!

Paramos para fazer um baião de três: arroz, feijão (o feijão do velhinho) e carne. Para quem não gostava de baião de dois (eu não conseguia lanchar isso na escola; achava parecido com lavagem...), a evolução foi grande. Ficou tão, mas tão delicioso! Enquanto comíamos, enumerávamos as vantagens de tal prato: Só suja uma panela, gasta menos gás, menos tempo para lavar; economiza-se água... Para completar é só fazer uma salada. Amanhã pensamos em repetir o cardápio. Eu pensei maior: um baião de quatro (incluindo macarrão!!! Amo macarrão. Viu, Lu? Puxei você!)

João Correia. Abaíra. Olha a placa, que chique: Sejam bem vindos! Welcome! Agora asfalto; subindo a serra... Uma subida que não acaba mais. Abaíra fica bem embaixo. Na verdade, estamos entre serras; coisa mais linda para os olhos! Os povoados, em cima dos morros, são belíssimos! As casinhas parecem penduradas lá no alto. E a mata é verdíssima. Pudera! Estamos na Chapada Diamantina. As rochas apresentam mil cores: azul, verde, laranja, magenta, roxa, marrom...
Nada, nada me encanta mais que a natureza! Amo rios, matas, cachoeiras, montanhas, vales...

Piatã. Olha: “Sejam bem vindos! Bienvenidos! Welcome!”

07 de março, quinta-feira – Saí cedo a fim de achar um salão para pintar os cabelos. Pergunto aqui, pergunto ali, fui parar no salão da Cida.

A sobrinha da Cida disse:
-- Vocês precisam conhecer nossas cachoeiras. Tem duas que são lindíssimas! Bom... Falar em cachoeiras para o povo de Goiás... A gente sabe que Goiás é cheia de cachoeiras.
-- E a bica? Se vocês quiserem a gente os leva lá! O povo daqui adora. Não é tão grande, mas a água é uma delícia!
E eu pensando: “Bica? Bica? As Três Fontes? Fonte dos Amores??? Onde foi... Onde foi? Areia Branca? Morro Branco no Ceará!!! “ A mocinha que nos guiava tentando nos convencer de que não poderíamos deixar de conhecer tal maravilha... E a dona Adélia segurando o riso: “Vocês vão ver... Vocês vão ver...” Andamos, andamos e andamos, naquele solão. E vimos. Três biquinhas, tãããooo pequenininhas... Vocês se lembram, meninos?

Seguindo: Cabrália, Almeirinha, Boninal, Seabra. Almoçamos e o Eraldo resolveu dar uma revisão no trailer. Com isso pude colocar o blog em dia. Aleluia! Estou escrevendo no tempo atual, o que é muito difícil de acontecer. Em Seabra encontra-se o centro geográfico da Bahia.

À tarde fomos caminhar e o Eraldo lembrou:
-- A Luciana passou muito por aqui, indo para Lençóis. Então, Lu, caminhamos na mesma estrada pela qual você passou tanto, tanto. Que saudade de Lençóis! Gente, cadê o Daniel? Por onde ele anda, Luciana? Mande nos dizer.

08 de março, sexta-feira – DIA DA MULHER!!! Saída de Seabra. Luzinha, Luzinha, estamos a 42km de Lençóis. Entrada para Pratinha... Lugar da tirolesa??? Iraquara, Souto Soares, Novo Horizonte, Segredo, Mulungu do Morro.
-- Olha o tamanho do imbu! Ou será laranja?!
Paramos para comprar. Um baldinho bemmm cheio por R$2,00! Que delícia! Puro mel!
Paramos para fazer almoço (baião de quatro... hummmm) em frente à casa do seu Vangivaldo, Vanjo. Ele veio com o neto, Wescley conhecer o trailer. Ficou de prosa:
-- Aqui só falta chuva. Nossa terra serve de adubo pra todo lugar. Tudo que planta dá. A terra aqui é boa demais. É um lugar bom de morar... Tranquilo, não tem ladrão. O menino pode deixar a bicicleta pousar aqui fora, ninguém pega.
Na saída, deu-nos duas mangas:
-- Nossa! – disse o Eraldo – parece mamão! Que manga é essa?
-- É manga-mamão.

Cafarnaum – Não é a de Jesus... Lembrei-me da piada que o Ildefonso contava, sobre o jogador goiano em Belém do Pará. Interrogado se estava gostando do lugar:
-- Estou muito emocionado de jogar na terra que Jesus nasceu!

Grandes plantações de mamona. Não deve ter careca aqui; óleo de mamona faz nascer cabelo, dizem.
Estamos na rodovia do feijão, descendo uma grande serra... Lindos morros formados por imensas pedras! Morro do Chapéu é o nome da próxima cidade... Uai, penso, deve ter um morro com formato de chapéu, lógico!!! Chegamos a Morro do Chapéu. Cadê o morro? Eu sempre procurando pelo tal chapéu... Paramos para o pouso e fomos caminhar. Por aqui, escurece muito cedo; 18:30h já começa a ficar escuro. Por isso estamos parando mais cedo. Está um friozinho delicioso e inesperado.

09 de março, sábado – Pensei em escrever no blog cedinho, mas... estava um friozinho tão bom... que fiquei deitada lendo.
Tomamos café bem tarde... Depois descemos para o centro da cidade: o Eraldo, à procura de casas lotéricas; e eu, de pão integral – nada o substitui no meu café. Achei o danado, depois de muito procurar, bem perto do trailer. Feito hoje, com aquele cheirinho de pão novo!

Saí decepcionada do Morro do Chapéu por não encontrar o chapéu da minha imaginação. Rio Ferro Doido – hehehe...doido mesmo: correndo água nesse tempo.
Mirasserra: Um povoado até grandinho que o mapa nem mostra. Almoçamos em Contorno – ou Porto Feliz. Mudando de rodovia; Andaraí, Piritiba. “Bem vindo a Piritiba. Cidade Alegria!”. Cheia de altos e baixos. “Vende-se feijão de corda geladinho” (???) Em outra cidade, que não direi o nome, uma placa grande dizia: “Futuras instalações da fábrica de farinha elétrica.”

Uma curiosidade em várias cidades da Bahia: A rua tem duas pistas, com canteirinho no meio, tudo bem arrumadinho. E os carros transitam nas duas direções em cada lado. Até as placas estão colocadas dos dois lados. Muito engraçado!
Sumaré, França, Miguel Calmon:
-- Olha a fruta, você quer fruta? – pergunta o Eraldo.
Eu, sem entender direito, olho a árvore ao lado da rua... Nossa! Aquela árvore, da fruta grandona, que tem em nossa calçada, em Mineiros. Até hoje não sabemos o nome da fruta... Alguns dizem fruta-pão.
Agora estamos em Jacobina. Você vê a cidade a quilômetros de distância... No início ficamos em dúvida:
-- Olha lá a cidade! Não. Parece que são pedras em cima do morro.
-- Pedras não; são casas mesmo... Mas, todas brancas?
De longe elas parecem todas branquinhas!

10 de março, domingo -- Junto ao trailer esta noite estava um carro escrito: “Vendem-se cofres. Direto da fábrica”. Os vendedores eram de Caculé. E vieram tomar café com a gente. Não é o que eu sempre digo? Eta mundinho pequeno! Um dos vendedores é esposo da sobrinha da Iracema, a da quitanda que é frutaria, lembram-se?

Saímos de Jacobina e fomos para Mirangaba, pensando em seguir, mas tivemos que voltar. A estrada não era boa, o trecho de chão é bem mais longo do que mostra o mapa. Paramos debaixo das mangueiras – carregadinhas de frutas – para almoçar. Oba, pensei, sobremesa! Já peguei uma faca e fui catar mangas... A primeira, bichada; outra, bichada; mais uma, bichada... Hummm, deixa pra lá.

Jacobina – de novo. Indo para outra direção: Caém, Saúde, Itapicuru, Pindobaçu, onde paramos para dormir. Fomos fazer nossa caminhada – diária, sim senhor. Caminhamos sempre mais de uma hora num ritmo bem puxado; é assim que eu gosto; um dia serei uma corredora. Já estou começando... Às vezes, ando um pouco, corro, ando ,corro... Tenho uma grande admiração pelos corredores.

Logo ali em frente tem uma barraquinha com sarapatel; e uma baiana na porta fritando acarajé. Perguntei por tapioca e ela falou em beiju – que é a tapioca do baiano. Acho que troquei: a tapioca de Goiás é que é o beiju do baiano, só que sem recheio. É desse que gosto muito; minha vozinha Anália fazia sempre. Amanhã irei cedinho à feira comprar beiju.

Estou encantada com o povo baiano! As pessoas são  tranquilas, serenas, moderadas. É isso! São moderadas até quando criticam algo. Sabem? Aceitam a adversidade, porém não de uma maneira acomodada; procuram mudar, mas, se não tem jeito, aceitam e levam a vida para frente com alegria e determinação. São educadas, gentis e hospitaleiras. Agora entendo mais o jeito do vô Leobino. Quem se esquece da serenidade e sabedoria do vozinho!?