LENÇÓIS MARANHENSES -- UM SONHO?!
21
de março, quinta-feira –
Antes de
começar, preciso contar uma história: Diz o prof. Edivaldo, de Escrita Total,
que devemos ter um escritor que nos sirva de modelo. Depois de pensar nos meus
vários preferidos, elegi a Isabel Allende como minha inspiradora. Acho-a uma
escritora maravilhosa e uma mulher fantástica! Depois de ler suas memórias,
então... A danada tem coragem para dar e vender, é sincera, sensível; enfim,
uma lutadora. Então, lá em João Pinheiro, procurando no mapa a ilha de Chiloé,
onde acontece a história de seu livro “O caderno de Maia”, pesquisamos também
sobre a autora. Qual não foi meu espanto ao ver a reportagem da Isabel
intitulada: “Escreva um livro medíocre”! Depois de ler, entendi. Ela diz que a
melhor maneira de nunca escrever um livro é querer começar com algo excelente!
Devemos começar com humildade, escrevendo algo simples; que seja um diário, mas
que seja escrito. Pensando nisso – e em tudo que os amigos sempre me disseram:
“Por que você não escreve um livro? Você gosta tanto de contar histórias...”
Meu marido, os nossos filhos e muitas outras pessoas. Quando iniciamos nossas
viagens no trailer, a Zuleika – lembra-se disso, Zu? – disse:
-- Tia, você
tem que me prometer que isso vai virar livro.
E vai, Zu!
Vou criar coragem. Uma coisa me preocupa: Não tenho a ousadia da Isabel no que
diz respeito a contar coisas da vida dos parentes... Em suas memórias, ela diz:
“O melodrama familiar continuou, por sorte, porque, senão, sobre que diabos eu
ia escrever?”
Continuando
nossa viagem: Saindo de Anapurus passamos em Chapadinha, Vargem Grande,
Paulica. Quanto coqueiro! Inúmeras casinhas de pau-a-pique – algumas rebocadas,
outras não. Leite. Ipiranga. Paramos para comprar um balainho de bacuri, uma
fruta bem gostosa que não conhecíamos: é parecida com manga; a gente parte e
come a polpa que cobre a semente. Ela tem uma cola que prega nos dentes e não é
muito fácil de sair. Mais que da fruta, gostei do balainho que veio
acompanhando. O vendedor não perde tempo; fica à beira da estrada vendendo e
fazendo o balaio para colocar as frutas. ( Epa! Agora que estou relendo e
corrigindo para publicar é que percebi: Cadê meu balainho??? Ficou em Belém...
embaixo do tanque; lavei e deixei enxugando... Nessa hora já deve estar no
lixo....kkkkkkkkkk).
Itapecuru
Mirim. Santana, Pedreira, Santa Rita, São Pedro – povoados. Tive uma ideia: bem
que eu poderia grafar em itálico o nome dos povoados... Vou pensar no assunto.
Bacabeira.
Mudando de rodovia: Rosário, Axixá, Morros – onde paramos para dormir. Uma
cidade bem diferente: as praças parecem meio fora do esquadro, as calçadas são
quase inexistentes; parece ser muito antiga. Caminhamos por ruas tão
engraçadas! Só que não saberia dizer o porquê da graça...
22
de março, sexta-feira –
Madruguei para tentar a conexão com a Internet. Deu certo. Respondi a alguns
emails e publiquei o relato da viagem no blog – do dia 11/03 até 20/03. Tomamos
café e saímos com um solzinho lindo!
-- Epa! Olha
a chuva... Vem de repente. Isto é Maranhão!
No
entroncamento pedimos informação, compramos milho e caímos no mundo... Lindo
sol! Baliza. Bom Jardim.
-- Acho que
estamos em Goiás... Baliza e Bom Jardim estão bem perto lá – diz o Eraldo.
Sobradinho.
Lençóis Maranhenses – Dunas e Lagoas... Barreirinhas. O guia já veio nos
encontrar e, enquanto eu preparava o almoço, o Eraldo foi agendar os passeios.
Almoçamos e
saímos para as dunas. Coisa maravilhosa!!!
O quanto vcs pensarem q é
bom, ainda é mais; simplesmente espetacular!!! A gente vai numa toiota, com
cadeiras em cima; a bichinha vai pulando no meio do areão... Tem hora q vc
pensa q vai tombar. Ainda bem que o casal que estava ao meu lado era meio
destrambelhado para gargalhar, senão eu ia ficar sem graça de morrer de rir
sozinha. Nunca vi coisa tão legal! Parece montanha russa, mas dura muuuuiiiito
tempo... Amanhã iremos passear de barco. Acho que nem vou conseguir dormir só
de relembrar as emoções. E também caminhamos mais ou menos uma hora subindo e
descendo as enormes dunas e ainda tomamos banho nas lagoas. Foi bom demais!!!
Contarei com mais detalhes no blog. (Essa parte copiei do email....kkkkk...é o
pouco tempo....)
À noite
estávamos pregadíssimos. Caímos na cama e foi aquele sonão...
23
de março, sábado –
Saímos cedo para o passeio no Rio Preguiças. Chegamos animadíssimos ao porto! E
não é que a chuva veio forte? “Ah! Não! Será que o passeio vai gorar?!” Chega o
guia e nos entrega os coletes. – Logo que a chuva parar, sairemos.
Oba! Oba!
Saímos ainda com chuva... Logo, logo apareceu um lindo sol. Que passeio!
Paramos na Ilha do Farol, isto é, Ilha das Vassouras; depois na Ilha dos
Macacos... Linda, linda! E muito interessante! Eu, então, que adoro macacos,
amei, amei! Os macaquinhos ficam por ali, ao seu redor, pulando e brincando. O
rapaz da lanchonete alertou:
-- Cuidem do
refrigerante, senão eles pegam e bebem...
-- Mas é isso
que eu estou querendo!
-- Não,
dona; eles fazem muita bagunça...
Que graça!
Eu ficaria ali o dia inteiro, olhando aqueles bichinhos que parecem tanto com
gente. Tiramos várias fotos. Eu até filmei um pequenininho, comendo banana e
raspando a casca com aqueles dentinhos tão pequenos... O guia nos disse que
havia um macaquinho que era um terror: abria as garrafas de água, as latas de
cerveja, mexia em todas as coisas. Os donos das barracas tinham que fechar
tudo:
-- Vocês
precisavam ver, parecia gente! – disse ele. Depois sumiu.
Será que
alguém deu fim no bichinho?
Nem acredito
que hoje, 03/03/2013, madruguei (antes de 07:00h) para adiantar o blog que está
atrasadíssimo... Essa vida corrida é uma coisa! Tenho que fazer do jeito que a
Zuleika gosta, escrever só o essencial.
Voltando a
23 de março:
A Ilha de
Caburé é linda também; e tende a desaparecer. As dunas mudam de lugar e o mar
avança cada vez mais. Anos atrás a pessoa levava trinta minutos para sair do
rio, atravessar as dunas e chegar ao mar; hoje faz isso em cinco minutos.
Encomendamos
o almoço e fomos tomar banho no mar, depois no rio. Após o almoço, rede!!! Há
um barracão cheinho de redes para o descanso!
Nem sei
avaliar qual passeio foi melhor, se o de ontem ou o de hoje...
Saímos de
Barreirinha às 16:20h; teremos que voltar até --------------.
Sobradinho.
Plantação de Bacuri. Como é bom voltar na mesma estrada! Na ida não percebemos
essa plantação, nem conhecíamos a árvore. Morros. Dormimos cedo e cansados de
subir os 160 degraus do farol.
24
de março, domingo –
Saímos de Morros às 08:10h (eta madrugada!). Passamos novamente por Axixá,
Rosário, Bacabeira, Rancho Papolco, São José, Santa Rita. Chegamos à entrada de
Itapecuru Mirim. Nem sei porque me lembrei do livro “Menina Isabel” e da Dalva...
Pegando nova
estrada, BR-135, em outro sentido. Em Colombo comprei um cuscuz saborosíssimo,
o verdadeiro cuscuz baiano, era assim que a vó Anália fazia. O Eraldo não
gostou:
-- Não tem
queijo.
-- Cuscuz
nunca teve queijo, isso é invenção de goianos; o queijo tira o sabor do milho.
Viu, dona
Pite? Aprenda!
Miranda do
Norte. Mudando para BR-222: Damata, Bamburral, Arari, Vitória do Mearim...
Passamos por muitos povoados e feirinhas; bem arrumadinhos, mas sem nome... São
Vicente, Igarapé do Meio. Agora BR-316: Santa Inês. Paramos para almoçar, já
tarde. A dona Mariana veio nos servir:
-- Só tenho
carne de sol; hoje é o dia da preguiça das mulheres... Serve carne de sol?
Pela toada
da dona Mariana pensei que fosse demorar um tempão... Voltei para o trailer e
me deitei; é que eu estava numa moleza... Logo, logo o Eraldo veio me chamar. E
o almoço estava uma delícia; a carne seca, então... huuummm!!!
-- Dona
Mariana, o que é capote e sarrabulho? Que pratos são estes?
-- Ah, minha
filha, capote é galinha d’angola e sarrabulho... huuummmm é muito gostoso... é
fígado de porco picado bem miudinho e refogado; é muito saboroso!!!
Perguntei
quantos quilômetros tinha até Belém.
-- Quando a
estrada era quebrada (???) tinha 530, agora que foi arrumada dizem que diminuiu
30, então tem 500 km.
Aí eu fiquei
bem danada:
-- Eraldo,
nós vamos passar pertinho de Belém e não vamos visitar os meninos??? Não tem
lógica!
-- Não é só
isso, não... A dona Mariana está enganada. Daqui a Belém tem quase 900 km...
Chuva,
chuva, chuva... Bom Jardim, Zé Doca, Araguanã, Nova Olinda, Santa Luzia,
Presidente Médice, Maranhãozinho, Gov. Nunes Freire, Rio Maracaçumé: coisa inédita!
Arquibancadas na margem do rio!
Cerca de
urubus: Que graça! Em cada pau da cerca, um urubu quietinho lá, parecendo uma
estátua... Aquele tantão de urubu...
Paramos num
posto a 1km de Gurupi. Caminhamos bastante e, já que era domingo, tomei uma cervejinha.
O Eraldo não achou uma marca conhecida, comprou da que tinha... No outro dia é
que constatei que era marca ruim...
Como hoje,
06/04/13, a internet está rápida, vou publicar essa parte no blog. Aguardem a
próxima postagem sobre “Pará dos meus amores!!!” e a viagem a Belém que foi
cheinha de peripécias...Não percam!!!!