segunda-feira, 31 de março de 2014

Belém

Estadia em Belém

 

Chegamos em Belém dia 25 de março. À noite ficamos em casa descansando. No dia seguinte fomos jantar no Caldo da Vovó… Cada caldo, gente!!! – coisa deliciosa! Tiramos foto, claro.

Quinta-feira fomos ao Point do Açaí. Saboreamos um maravilhoso peixe com açaí; outra delícia! Estamos escolhendo pratos para julho, quando estaremos todos juntos: Lu, Valéria, Eraldo Luís, nós, e contamos ainda com a Isolde e o Mauri, pais da Patty.

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Nós no Point do Açaí

Sexta-feira fomos na peixaria Amazônia comemorar o níver do Eraldo.

Sábado conhecemos o Ver-o-Peso. Pensem numa coisa gigantesca!!! Tem de tudo; só vendo para crer. Já tínhamos visto na TV, mas de perto é outra coisa.

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Ver-o-Peso: gigantesco!!!

Hoje, domingo, fomos à feira, na Praça da República. Linda a feira; e bem grande. Saindo, almoçamos no Divino Sabor – DI – VI – NO mesmo: salmão com molho de maracujá, bacalhau com molho branco, moqueca de camarão, peixe assado; isso os melhores… Ainda tinha churrasco, saladas, vatapá, etc, etc… Arrematei com uma torta de cupuaçu, daqui ó!  

 

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Este é o Parque da Residência

domingo, 30 de março de 2014

MAIS UM COPO DE CAXIRI???

7 de março de 2014 -- Bonfim, Roraima – Estamos parados na oficina enquanto o mecânico troca uma porca do parafuso da roda, parece... Aproveito para contar um pouco da viagem:

23 de fevereiro, domingo – Almoçamos na casa da Raimunda e do Eustáquio, sogros da Lu. Que comida!!! O feijão tropeiro da Mundinha é coisa do outro mundo... E a canjica de sobremesa, então .. huuuummm. Comi, e comi, e comi... devo ter engordado uns quilinhos. De lá fomos para a casa da Viviane e Ricardo lanchar. Pensamos que não dava de comer mais nada... Porém, não contávamos com o bolo de nozes da Viviane; só quem já provou para saber o quanto é delicioso!!! Viviane, quero agradecer pelo casaco; usei bastante durante toda a viagem. Valeu mesmo!

Pegamos o voo às 17h00min para Manaus, com escala em Campinas. Até aí tudo calminho, pensei que estava me acostumando com viagem aérea... Mas... de Campinas a Manaus a coisa mudou radicalmente: muita trepidação, ou seja, turbulência; coisa de louco; o avião balançava, subia e descia... E o Eraldo dormindo que só um anjo... Resolvi: Viagem de avião só quando não tiver jeito.
Chegamos a Manaus às 02h00min da madrugada. Fomos para o hotel Safári. Amanhã passearemos de barco, pensamos.

24 de fevereiro, segunda-feira – Chuva, chuva, chuva... Tanta coisa para visitar e nós presos no hotel... Fomos visitar o Teatro Amazonas. Impressionante! Antigamente, nas cadeiras – onde a visão é melhor – sentavam-se os menos ricos; nos camarotes centrais, os ricos; e, nos laterais – onde a visão é péssima --, os riquíssimos. As pessoas iam ao teatro nem tanto pelo espetáculo, mas para se mostrar. Foi necessário proibirem o uso de chapéus (pelas mulheres); o tamanho do chapéu demonstrava o grau de riqueza; quanto maior, mais rica a pessoa. Quem se sentava atrás de uma senhora rica, tinha prejudicada a visão. Hoje é o contrário: O ingresso para as cadeiras é o mais caro; os camarotes, mais baratos. 
Poltrona namoradeira
Teatro Amazonas

Interessante também a poltrona chamada namoradeira. É composta de cinco cadeiras: no meio sentam-se a mãe, o pai e a avó (ou, na falta desta, o irmão mais velho ou um tio); na extremidade esquerda, o noivo; na direita, a noiva. Em frente havia um grande espelho para observarem se os namorados estavam se olhando – o que não era permitido.
À noite passeamos pela cidade e tomamos suco de taperebá. Lembrei-me do algodoal; vocês se lembram, Lúciu e Patty? Pedimos logo uma jarra. De-li-ci-o-so!!!

25 de fevereiro, terça-feira – Beleza de sol! Pegamos a lancha para passear pelo Rio Negro. Vimos o encontro dos rios Negro e Solimões. Visitamos uma aldeia indígena e dançamos com os índios. Tomamos banho com os botos cor-de-rosa; o melhor do passeio: são uma graça, a pele não é viscosa – como eu havia pensado --, mas acetinada, gostosa de pegar e eles são mansinhos; se não fosse o tempo limitado, ficaríamos ali por horas. Almoçamos no restaurante flutuante, vimos as vitórias-régias, passeamos por igarapés e igapós e ainda brincamos com os macaquinhos. 
Brincando com o boto

A dança dos índios

Ah... e tirei fotos com uma cobra e-nor-me enrolada em mim. O guia dizia:
-- Aperte o pescoço dela, senão ela ataca.
E eu apertando com força o pescoço da bichinha, digo, bichona! O Eraldo não teve coragem – daí vocês avaliem o grau de periculosidade!!! Em seguida perguntaram se eu queria tirar foto com o bicho-preguiça. “O QUÊ???, respondi, bicho-preguiça? Depois de enfrentar aquela cobra venenosa??? Nem pensar!”

26 de fevereiro, quarta-feira -- Saímos do hotel rumo ao mercado. Chuva, chuva, chuva... Paramos em frente aos camelôs; coitados! Na banca de mantas a mocinha tentava cobri-las com uma capa plástica, o vento jogando a chuva para todo lado. Voltamos para o hotel. Impossível não parar e comprar uma saia belíssima e muito barata – com calma, o Eraldo parou na Loteria... Roupas e calçados são bem baratos por aqui, inclusive as melhores marcas conhecidas.
Em seguida fomos à Rodoviária comprar as passagens para Presidente Figueiredo; siiiimmmm, de ônibus!!! Quanto mais viajo de barco e de avião, mais amo viajar por terra, com os pezinhos – rodinhas – no chão, mirando as lindas paisagens: é a felicidade pura!

27 de fevereiro, quinta-feira -- Em Presidente Figueiredo nos hospedamos no hotel Maruaga. Tem algo para se ver? “Ah, sim, nos dizem. Temos lindas cachoeiras!” Fomos visitar a mais bonita: Cachoeira do Urubuí. Uma linda corredeira, sem dúvida. Sua água é escura e friíssima! Dizem que a cor de café é proveniente das inúmeras folhas que caem da floresta... À noite a internet do hotel funcionou que foi uma beleza! Chegaram mais de cem mensagens no whatsap... Mandamos fotos da cachoeira. A Lu perguntou se não estava virada... Estava na posição certa, Lu... A altura é aquela mesma. O lugar é lindo: choupanas para todo lado, muitas árvores, o ar limpo e gostoso!
Hospital do Eraldo, em Presidente Figueiredo

Cachoeira do Urubuí

Curiosidades da terra: O preço do café é R$0,50 o meio copo e R$1,00 o copo cheio. Colocam a garrafa cheia e os copos na mesa e saem; o mesmo acontece com o leite. Na passagem de ônibus já vem embutido os R$0,40 do banheiro; indo ou não, paga.

28 de fevereiro, sexta-feira – Saímos de Presidente Figueiredo às 12h30min. Por terra, sim senhor! Olhando as lindas paisagens! Vocês já viajaram com um guri que está aprendendo a assoviar? Nós já... com o Lúciu; é uma agonia; no início a gente – pais – acha lindinho, mas com o passar do tempo a coisa desanda. Lembrei-me disso hoje. Logo atrás de mim tem um garoto com o telefoninho de brinquedo:
-- Croem... croem... croem...
-- Aiô, aiô, tia Alete... Aiô, aiô...
A mãezinha coruja:
-- Liga pro papai!!!
-- Croem... croem... croem...
-- Aiô... aiô papai...
-- CROEM...CROEM...CROEM...
E o tal do telefone toca ALTO... Espero que a pilha acabe logo...
Oh! Alívio! Parece que o guri dormiu.

Posto fiscal e pesagem. Entrando na reserva indígena Waimiri – Atroari. Só um pintor, e muito hábil, para registrar toda a exuberância da mata. Os coqueiros, de um verde escuríssimo, brilham ao sol. Não me lembro de ter visto um verde tão verde!

Passamos por Vila do Equador, Rorainópolis e paramos para jantar em Novo Paraíso. Depois de Caracaraí chegamos a Boa Vista. E não é que nosso amigo Jaime – prestativo até não poder mais – nos esperava na Rodoviária? Que acolhida calorosa! Fomos para sua casa, onde estava o trailer, nos banhamos e dormimos.

01 de março, sábado – Passamos o dia por aqui com o Jaime e a Margareth. À noite participamos de um lindo culto que é realizado na casa deles todo primeiro sábado.
O filho da Margareth, Paulo Coelho – ninguém adivinhou seu nome, ninguém ganhou chocolate --, me deu aula de celular novo, whatsap e tudo o mais.

02 de março, domingo – Almoçamos com os amigos num restaurante de comidas deliciosas. À noite o Dudu, filho do Jaime, nos conectou à sua internet; enviamos fotos e mensagens pelo whatsap.

03 de março, segunda-feira – Visitamos a comunidade indígena Socuba. Receberam-nos com muita alegria e gentileza. Conversamos com o tuchaua, alunos e professores que nos informaram sobre as belezas desta terra. Pena que não dá para visitarmos todos os lugares. Senti muito não visitar Iramutã, onde se passou a história de Macunaíma, de Mário de Andrade. Na despedida ganhei saia, cocar, chocalho e darruana.


À noite fomos ao rodízio de sopas – tipo caldos. As variedades? Vaca atolada, camarão com abóbora, feijão, cheiro verde, peixe, caranguejo. E mais os ingredientes para colocar dentro: queijo, macarrão, couve, repolho, tomate, calabresa, cheiro verde... Lembramo-nos da Valéria que gosta muito de caldos.

04 de março, terça-feira – Saímos bem cedo, com a Margareth e sua netinha, para Normandia. Estou com muito sono: dormimos tarde e me levantei às 05h20min. Pensamos ir até a maloca Napoleão; quero tomar caxiri. Quando fomos da outra vez no Socuba o Jaime disse para a índia:
---

Arrume um caxiri para ela.


--- Acabou; não tem mais nada.


O Jaime disse que é uma bebida muito ruim; mas outros dizem que é boa. Não tem álcool, porém embebeda: é fermentada. Segundo a Margareth, que é filha de índia:


--- Se fermenta um dia, embriaga por um dia; se fermenta dois, embriaga por dois; cada dia de fermentação é um de embriaguez.


Depois de inúmeras paradas para fotos e subir nos cajueiros da beira da estrada, chegamos a Normandia, cidade na qual há o festival da melancia – só se come o miolo (meu sonho!!!) Paramos na venda do “seu” Manuel para comprar melancia – compramos quatro e ganhamos seis. Claro que, vendo que a Margareth só comia o miolo, eu a imitei. O Eraldo, que detesta desperdício, comia o resto. Depois do delicioso almoço na casa da amiga da Margareth, é tocar para o Napoleão. Chegamos à tardinha. Os índios macuxis, muito amáveis, oferecem tudo para nós: Olha o caju, olha a manga. As mangueiras estão carregadinhas de umas frutas bem doces, as manguitas. Comi, comi e comi. Surge a história do meu desejo de provar o caxiri:
--- 

Vá buscar para ela, mulher!


E a índia sai às pressas. Volta com um jarro cheio de caxiri de macaxeira. A Margareth vai logo avisando:


--- Cuidado; vá devagar senão tu cai de perna. (Penso que é cair de pernas para cima...)


Bebo um copo... Que delícia! A coisa é boa demais. Mais um copo... e mais outro. Diz minha amiga que este está fraco. Ela também bebe mais de um copo. Fui dormir. A cabeça doía e pesava cinco quilos. Não é tontura que dá na gente; é uma coisa esquisita, parecia estar fora de órbita... Acordei com a cabeça pesadíssima.


--- Tem que beber mais para rebater; é assim que sara. Veneno de cobra cura com veneno de cobra – dizem.


Lá vem outro jarro de caxiri; dessa vez de manga. “Beber ou não beber; eis a questão.” BEBO. Mais gostoso ainda! Esse está dez vezes mais forte... ui, ui, ui... Bebo pouquinho. Só sei que a cabeça demorou a ficar no prumo. Bebida mais doida!
Com os índios  no Napoleão

Olhem as mangueiras do Napoleão!!!

O curumim querendo calçar o chinelo da mamãe...






À tardinha formou-se uma roda de histórias: Curupira, Mãe do Campo, Mula sem Cabeça e... Boto – aquele que vira homem e ataca as moças na beira do rio. O mais interessante é que até algumas das pessoas mais cultas acreditam que “O boto vira homem, sim, tenho prova.”


O vento aqui é fortíssimo; falta nos carregar. À noite, culto; a Margareth é missionária. Até eu falei. Conhecemos a vó Lúcia que tem mais de cem anos. No dia seguinte fomos à comunidade “Raposa Serra do Sol”. Conversamos com a Rute, que nos contou toda a história do lugar. Ela tem um filho, o Derley Raposo, que estuda em Palmas.


--- Se passarmos por lá, iremos visitá-lo, prometemos.

06 de março, quinta-feira – Despedimo-nos dos amigos de Napoleão e fomos para Normandia. Lá, tomamos café, nos despedimos das amigas e seguimos viagem. Na saída, a Margareth nos presenteou com uma linda rede. Chegando a Bonfim, paramos no Zé do Barranco à procura de informações de onde poderíamos deixar o trailer. Nisso, passa uma amiga sua com a filha:
--

- Venham ficar em nossa casa; o quintal é enorme.


Pronto. Fizemos ali uma excelente amiga, muito querida mesmo, a Nazaré – uma guerreira, dizem os que a conhecem. Luta pela sua comunidade e defende sua gente. Lá nos fomos para sua casa. Ela foi logo dizendo:


--- Sandrinha, arme a rede para ela se embalar.


Fiquei lá me balançando na rede que ganhamos de presente da Margareth... Eta vida boa!!!


A Nazaré e a Sandra nos ofereceram sua casa, fizeram comidas deliciosas para nós – bolinho de chuva, cuscuz, galinha ensopada, espera marido, frango assado... Entre outras delícias, uma sopa que o Eraldo – que não gosta de sopa -- gostou muito. Tentei aprender, mas parece que não me lembro de todo o processo... um tanto complicado.


Na sexta, fomos para Lethem tentar uma maneira de ir até Georgetwon, capital da Guiana Inglesa. A informação é que o trailer não passaria porque a estrada era muito ruim. Pegamos um táxi. Saímos do Brasil, atravessamos um viaduto e já saímos de lá na mão inglesa, isto é, na contramão; esquisitíssimo. A gente tem a impressão de que vai bater de frente; na rotatória, então, dá um frio na barriga. Para viajarmos, precisamos nos vacinar contra febre amarela; e ainda temos que trocar o cartão pelo internacional. Hoje não dá mais tempo; fica para segunda. Não temos pressa.


Conhecemos a Keila e o Daniel, filha e genro da Nazaré.


Dia 08/03 recebi várias mensagens de felicitações pelo Dia Internacional da Mulher. Em comemoração à data, fomos almoçar fora, no restaurante do Elton, o faz-tudo: dono de restaurante, taxista, lavador de carro... Enquanto você almoça, ele lava seu carro; lavou o trailer que estava bem sujinho.


09 de março, domingo – A Sandrinha me convidou para ir ao culto na fazenda. E a Igreja dela exige véu. Vocês precisavam ver eu de véu branquinho na cabeça. Fiquei muito chique. A Nazaré teve que ir para Boa Vista; almoçamos com a Keila, o Daniel e a Sandra.
Na segunda nos levantamos bem cedo e fomos ao posto para nos vacinar.
--- 

Estamos em falta aqui em Bonfim, só em Boa Vista.


Pegamos uma lotação para Boa Vista. Disseram que o melhor lugar era o aeroporto.


--- Aqui não vacinamos. Vão ao São Vicente.


O São Vicente não tinha. Fomos ao Posto 13. Estava em reforma. Fomos ao Posto Pricumã. Vacinados, voltamos ao aeroporto fazer o cartão internacional. Passamos na casa do Jaime para uma rápida visita. Foi a sorte; a lotação já tinha saído da cidade. O Jaime nos levou bem rápido até ela e fomos para Boa Vista. O dono da lotação, que conhecia o dono da empresa de vans que faziam a linha de Lethem a Georgetwon, nos deixou já na sede da empresa. Foi uma corrida contra o tempo: Foram nos levar até o trailer e ficaram esperando até arrumarmos as malas. Acho triste a pessoa ficar esperando que eu arrume minha mala... Você começa a se atrapalhar, não sabe o que colocou..






terça-feira, 3 de dezembro de 2013

EL BARCO AVARIADO E TU CAPITAN ISRAEL


Queridos amigos, como o tempo está escasso, vou mandar-lhes os emails em que contei algumas partes da viagem. Por aqui nem sempre se tem internet e, quando escrevo no teclado espanhol, sai tudo errado... Não tem cedilha e, muitas vezes, nem til. Vou tentar colocar algumas fotos. As fotos ficarão para amanhã. Tenho que passá-las para o computador. Esqueci o cabinho de ligar.





Queridos, mil beijos... Que Deus os abençoe.

Nem acredito que estou escrevendo em meu computador; o hotel tem internet para o cliente.

Gostei do seu email, Eraldo Luís: "Me liguem urgente, sua reserva foi cancelada". Demos uma de "Joãozinho sem braço". Entramos na fila para fazermos o check-in . Os rapazes foram muito gentis quando não acharam nosso nome. Perguntaram onde foi feita a reserva, por quem... Parece até que tentaram ligar. Futricaram, futricaram... até nos arrumar as passagens no mesmo voo; eu jurava que não daria tempo. Foi um corre-corre: o rapazinho nos guiou o tempo todo até entrarmos no avião. E aqui estamos, D. Almeri, em Cancun. A cidade é muito bonita e diferente: toda arborizada. E as pessoas gentilíssimas. A mocinha do supermercado ao saber que éramos brasileiros perguntou:

-- Como se diz "te amo" no Brasil? 
-- No Brasil? Te amo.

Continuando a história de ontem: À tarde do dia 28, sexta-feira, o capitão veio com uma conversa mole:
-- Pensei una cosa. O passeio terminaria em El Porvenir (uma ilha que estava bem pertinho). Mas, como el barco deu problema y tengo un amigo em Porto Lindo, iremos para allá no sábado a la noche para arreglar mi barco e no domingo temprano vosotros pegam o ônibus; fica bem mais barato do que pegar uma lancha em Porvenir e uma van para a cidade do Panamá. Isto é, se todos concordarem.

O quê??? -- pensei. Viajar ainda num barco avariado? Mas nem mesmo. 
Vocês acreditam que TODOS concordaram?! Éééé''eéé...até o senhor Eraldo.
Foi me dando um sufoco e não aguentei:

-- Quanto tempo demora para chegar lá, Israel?
-- Ocho horas... Sairemos a la noche...

Correndo o risco de ser desmancha-prazeres, disse bem forte:
-- Eu tenho medo, Israel. Não tenho coragem. 
O Eraldo tentou lhe explicar minha experiência no Algodoal e no lago Titicaca. Ele riu muito:
-- Sônia, voy a le hablar. Un barco no es como um carro que estraga en la carretera... no hay como ligar  y dizer: "Mecânico, venga arreglar mi barco". No hay como, Sônia. No mar, el capitan arregla tu barco.

Pensei: Ele acha que isto me convence...Então não precisamos ir a Porto Lindo, uai. Arregla tu, tu barco.

Como já tínhamos deixado o Pierre, o peruano, numa ilha, falei com o Eraldo e lhe dissemos que poderia nos deixar também no sábado e seguir viagem. Ele ligou e combinou uma lancha para sábado meio dia. Chegamos antes e fomos à ilha, o capitão e eu, para falarmos com a índia encarregada disso. Começaram um bate-boca, ele e a índia. Resultado: não havia lancha, tinha saído de manhã. Voltei chorando para o barco. E todos tentando me consolar:

-- Sônia, este tipo de barco pode ser manejado somente com as velas. E o capitão:
-- Colombo e Cabral, navegavam só com vela.

Colombo e Cabral... Com efeito. Isto é comparação? Em que século estamos? Nem me lembrei de falar que, naquele tempo, morriam milhares de navegantes.

Já estava conformada em fazer a viagem. Fui ao quarto, peguei meu diário e fiz um pedido em oração: "Oh, Espírito Santo, se for possível, me arrume uma lancha."

À tarde ventou fortíssimo, o navio se afastou (a corda da âncora é bem comprida) e bateu numa rocha. Nada de grave, mas quebrou uma hélice. O barco teria que viajar com apenas um motor. E ainda mais: não sei se o motor bom ou o danificado.
Dois rapazes e duas moças do barco iam de bote à ilha: "Quem quer ir? Quem quer ir?"

Pensei: É minha última chance. Chamei o Eraldo:

-- Vamos lá, Eraldo. Talvez a gente arruma uma lancha. Pelo que entendi, se forem 10 pessoas, os índios levam. Só que apenas duas não compensa, São dez dólares por pessoa. Podemos pagar 100 dólares. Nossa vida vale muito mais que isso.

-- Vá você com eles; eu não entendo muito o que falam.

Fui. Especula daqui e dali, me disseram que fosse à oficina dos índios. Trataram-me com um carinho imenso. Quando me lembro do quanto eles foram prestativos e gentis começo a chorar... Pronto, vou ter que parar. Depois conto o resto. Uma coisa lhes digo com muita emoção: Valeu a pena todas estas peripécias porque conhecemos estas pessoas maravilhosas que ficaram esperando nossa volta. Voltaremos, com certeza, e com toda a família, se Deus quiser. O Eraldo chegou a dizer:

-- Se não tivéssemos passagem compra para amanhã, ficaríamos aqui para assistir a esse Congresso. 
Ia haver um Congresso dos Kuna Yala no dia seguinte e, pelo visto, era aberto aos turistas.  Agora vou parar mesmo. MIlhões de beijos.

Mais um recadinho: Se souberem de alguém que está seguindo meu blog, mandem-lhes meus emails. O blog está de lado. Fica difícil escrever com o teclado espanhol, Sai tudo doido.
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(CONTINUAÇÃO DE: "EL BARCO AVARIADO E TU CAPITAN ISRAEL".) 

Na oficina a índia me disse que domingo às 11h00min haveria uma balsa do povo que viria para  o Congresso. 

-- Hay donde nos acostarmos, yo y mi marido?

A dificuldade estava aí. Nas ilhas, geralmente, não há hospedagem. Mas um índio muito gentil me disse que cuidaria de nós, nem que tivesse de armar uma barraca. Claro que estava tudo bem. Eu dormiria na praia, feliz da vida; só queria me ver livre daquele barco.

Voltei, pegamos nossas malas e o Israel, não de cara muito boa, nos levou de bote. Isso demorou porque os meninos, antes de voltarmos, resolveram passear e nadar.

Chegando à Ilha fui à oficina. Cadê todo mundo? A oficina estava fechada. O Eraldo ficou lá num banco olhando as malas e eu fui procurar o índio. Perguntava para um, para outro. Como és su nombre? Não me lembrava. Eu explicava: Ele está com uma camiseta que tem uma roda assim, na frente. Ele disse que arrumava uma barraca para a gente dormir. Baraca?...Baraca??? Como é barraca em espanhol? Ah, si, una tienda. 

-- La oficina está cerada. Ya se foran... 
E agora? O q faço? Disseram que havia uma hospedagem. Corri lá. Expliquei para o dono da hospedagem, um senhor mal humorado e bravo, que precisávamos de um quarto.

-- No hay, tudo reservado para congresso mañana. 
A indiazinha, muito gentil, explicou que era apenas por uma noite, que sairíamos cedo.
-- No hay, no hay. Tudo limpio p congresso. Mañana no hay tiempo para assear. No hay. NO HAY. 

Expliquei que nos levantaríamos bem cedo, na hora em que ele quisesse.

-- No, NO. Yo lo sé como é. Hablan que se llevantan temprano Y solamente salem a las onze. Yo los conozco."

A esposa do nojento perguntou se dormiríamos no sofá. Respondi depressa: "Si, si."
E o capeta:
-- NO! NO! Turistas chegan para congresso. Mala impresión a turistas.

Não houve jeito. Fui para o salão onde fica um barracão de reuniões. Falei com outra mocinha, explicando a situação. Havia um índio lá, muito simpático, que morou um tempo em Cuiabá. Vendo que eu era brasileira, veio todo sorridente dizendo que os índios que cuidavam do bar não nos deixariam sem abrigo. Eram todos amigos. Explicou que o índio que eu estava procurando certamente voltaria; é que morava na ilha vizinha.

Quando voltei para me encontrar com o Eraldo, o índio amigo já vinha chegando. Chamava-se Ponci e cuidou da gente o tempo inteiro. Foi depressa armar a barraca. Quem diz que a danada parava... O vento fortíssimo que vinha do mar não deixava de jeito nenhum. O Eraldo foi ajudá-lo. Percebi que estavam enrolando e guardando a barraca. E agora?

-- Ele disse que pode pôr um colchão lá na cabana que está em reforma. Tudo bem?
-- Claro, claro, CLARO!!! Durmo na areia se for preciso. Só quero dormir na TERRA! TERRA! TERRRRRA!!!

Fiquei olhando o Eraldo ajudar o Ponci a carregar o colchão (que ameaçava voar carregando o rapaz) e entrarem na cabana, Só então senti a tensão que havia passado e desatei a chorar de puro alívio. Aquele cantinho me pareceu o melhor lugar do mundo. E o nosso amigo ainda veio trazendo lençóis e perguntando, todo o tempo, se estávamos bem:

-- Que querem comer? Pollo, pescado, ensalada, papas, plátano? 

Dormimos com o barulho das ondas que passavam embaixo da cabana. E, coisa curiosa, tanto o Eraldo como eu, sentíamos como se a cama estivesse balançando...
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A SERPENTE ENCANTADA

A SERPENTE ENCANTADA

23 de outubro, quarta-feira – Que vergonha! Hoje é que vou postar a história do passeio a Belém. Isso porque eu queria aprender como postar fotos. O Eraldo Luís vai me ensinar.

                                                                                    

24 de março, domingo -- Paramos num posto a 1 km de Gurupi. Caminhamos até a cidade. A internet não funcionou. Tomei uma cervejinha – aquela da marca ruim.

25 de março, segunda-feira – Saímos do pouso às 08h20min. Boa Vista do Gurupi. O Eraldo fez questão de perguntar ao rapaz do posto quantos quilômetros havia até Belém. Só que já estavam combinados para me enganar:
-- Ihhhh... Faltam quase 800...
Divisa Maranhão – Pará. Ah, Pará, Pará! Pará dos meus encantos! Amo o Pará! Paraíso!!! Cachoeira do Piraí, Santa Luzia do Pará, Capanema. E chuva, chuva, chuva... E o Eraldo me enganando, dizendo que estava longe de Belém. Se não fosse a tal cerveja de marca ruim não seria possível, pois eu viajo de olho no mapa. Mas, como estava tonta e enjoada, nem queria saber de ler. Castanhal, Mirituba, Miriti... E eu enchendo:
-- Eraldo, mas devemos estar bem perto dos meninos; não tem lógica não chegarmos até lá...
-- Uai, então no trevo você pega o ônibus e eu sigo para o litoral... Não podemos ir porque os outros vão ficar com ciúme...
-- Tem graça eu ir sozinha; fica parecendo que você está de mal... Até os meninos vão achar isso esquisito.
E nhem, nhem, nhem... nhem, nhem, nhem...
Ah, não contei que ele desviava minha atenção das placas da estrada...
-- Nossa, Eraldo, aqui parece uma cidade grande... Olha o comércio... Um shopping grande lá...
-- O Lúciu disse que perto do trevo tem muitas cidades.
A chuva também atrapalhava a visão. Até que vi, para minha grande ALEGRIA: “Bem-vindo a Belém.” Que emoção! É por isso que adoro surpresas! Nessa hora pensei que a Patty e o Lúciu estavam sabendo da visita. Qual o quê! Não sabiam de nada. Ligamos para saber se estavam em casa e fomos perguntando, perguntando... “Quem tem boca vai a Roma!” Até que achamos a rua e vimos o carro do Lúciu. Só que o carro estava em frente ao número 39 e no endereço que eu tinha era 139. O Eraldo teimando:
-- Você deve ter copiado errado...
-- Eraldo, de 39 para 139 a diferença é grande!
-- É... mas e o carro aí?
Subimos as escadas, batemos, chamamos... e nada. Então a vizinha do lado perguntou:
-- Vocês estão procurando quem?
-- O dono desse carro.
-- Um que tem uma barba assim? Mora lá perto daquele poste. Ele deixa o carro aí porque tem sombra.
Chegamos lá de surpresa; foi aquela festa! A casa deles é um amor, muito arrumadinha, pintura nova – que eles fizeram --, os cômodos bem repartidos. O único problema é o mofo decorrente do clima muito úmido... É um tal de limpa-limpa sem fim... A rua é muito tranquila, tem tudo perto: supermercado, farmácia, lojas variadas. E é um lugar bonito, ao lado de uma grande avenida.

À noite fomos jantar na------------. A comida estava ótima, mas o que ficou na lembrança – não precisam rir, é que eu nunca tinha visto... – foi o chope de vários sabores (frutas do lugar). Bem diferente mesmo!

26 de março, terça-feira – A chuva parou. Fomos para a Praia do Paraíso, em ____________. Na estrada o Lúciu comprou camarão, daqueles ferventados inteiros, com casca, cabeça e tudo... Eu nunca tinha provado, inclusive esse é o motivo por não gostar de acarajé; aquele recheio com perninhas, casquinhas e rabo... não desce. Comecei cascando para comer; aí resolvi tirar apenas a cabeça e as perninhas... Ué, e não é que é gostoso? No final eu estava comendo o bichinho inteiro – sem a cabeça, claro! Comi, e comi, e comi... Achei uma delícia!!! Bem que o Eraldo sempre diz:
-- Não pode dizer que não gosta, se nunca provou...
Amei a praia! Combina com o nome. Uma vista maravilhosa e a água, então, deliciosa! Ficamos lá até tarde.

Gostei muito de Belém. Estava preparada para achar a cidade um pouco feia, mas achei bonita, muito bonita! Cheia de verde!

27 de março – quarta-feira – O Lúciu saiu cedo para trabalhar e nós ficamos em casa. À tarde o Leandro chegou – Até que enfim... Estava parecendo curiango “amanhã eu vou...”. Lembramos das muitas histórias do pessoal de Nova Xavantina.  A Patty fez um jantar delicioso! Dormimos pensando na praia do Algodoal...

28 de março, quinta-feira – Níver do Eraldo. Saímos cedo para pegar o trailer na oficina e ir para  Marudá; de lá pegaríamos o barco para a praia de Algodoal. Como estava tarde e sem sol, resolvemos ficar na Praia de Crispim, muito bonita também.

À tardinha, deixamos a Patty e o Lúciu encomendando as comidas e fomos caminhar, descalços, pela praia... Caminha que caminha, conversa que conversa, o papo estava bom que só...Tocos daquele tanto... E eu dizendo q devíamos ter cuidado com os tocos. Resolvemos voltar para a parte limpa da praia; ééééé,,,porque tinha uma graaaande parte de areia limpinha! De repente ouço um "aaaaiiiii" do Eraldo; lá estava ele pulando, pulando e segurando o pé. Olhei... Nossa! Que furo! Assim -- sem exagero nenhum -- de uns três centímetros de profundidade. 

Tentei tirar o estrepe lá na barraca da praia, não deu certo. Tivemos sorte: a dona da barraca era enfermeira e nos indicou o hospital de Marapanim, a vinte km. Fomos logo, pois já era noite. Tivemos um ótimo atendimento. O médico tirou o pau podre do pé do Eraldo, fez curativo, deu os medicamentos e o dispensou. Ah, e deixou q eu assistisse a tudo...Eu lá, olhando com o maior interesse... Fui sentindo uma coisa muito estranha, como se me faltasse o ar e saí... E eu, que nunca tinha desmaiado na vida -- e tinha muita vontade, para ver como era --, fui me sentindo cada vez pior; algo estranhíssimo, como se fosse morrer... Foi horrível! A  voz parece q não ia sair e eu me sentei no banquinho e chamei, agoniada, com uma vozinha que não era a minha: "Enfermeira, enfermeira, estou passando mal..." Vieram duas enfermeiras para cuidar de mim. Oh, agonia! Nunca em minha vida quero passar por outra.

O médico tirou o pau podre, fez o curativo e pediu raios-X no dia seguinte. Dormimos lá mesmo, na porta do hospital.


29 de março, sexta-feira -- Acordamos cedo e fomos ao hospital para os raios-X. O técnico não tinha comparecido; o outro médico disse que estava tudo bem. Então fomos pegar o barco para o Algodoal... Adorei a travessia. Chegando lá pegamos um táxi – uma charretinha, puxada por um burrinho, uma graça! Mesmo não tendo sol, a praia estava ótima! Combinamos com o dono da charrete para nos pegar às 17h00min e fomos nos divertir MUUUUIIIITTOOOO!!!

Quando o senhor chegou para nos pegar, eu sugeri:
-- Será que não dá de irmos a Patty, o Lúciu e eu no banco de trás; e o senhor e o Eraldo no da frente? – É... porque na ida o homem foi a pé puxando o burrinho. Não gostei; fiquei me sentindo uma daquelas madames do tempo da escravatura. Ele gostou da idéia; e foi contando histórias:

“Sabem por que esta praia chama Praia da Princesa? Mais para lá tem a Lagoa da Princesa... Dizem que na lagoa mora uma princesa encantada; ela aparece transformada em animais; às vezes numa serpente, outras numa ave... Dizem que é uma mulher lindíssima! Certa vez apareceu para um pescador e perguntou:
-- Você é corajoso?
O pescador, completamente encantado com a princesa, respondeu:
-- Sim!!! Não tenho medo de nada.
-- Então depende só de você me desencantar. Eu vou aparecer à noite, aqui na lagoa, na forma de uma serpente. Você deve pegar uma faca bem grande e cortar meu pescoço. Assim, retomarei a forma humana e serei eternamente sua. Porém, se você tiver medo, estarei perdida para sempre.
O pescador compareceu à praia na hora combinada. De repente, ouviu um barulho horrível e a serpente veio surgindo enorme, furiosa, horripilante!
O jovem pescador deu um grito e saiu correndo, sem olhar para trás. E a pobre e linda princesa ficou presa ao encantamento.


Passou-se o tempo... Certo dia um pescador viu na lagoa um filhote de cobra e, mais que depressa, o matou. Logo depois, o filho do pescador pediu ao pai para ir tomar banho. O pai respondeu:
-- Pode ir, meu filho; você já está acostumado, conhece bem a lagoa.
Passou-se o dia, o sol já sumia no horizonte quando o pai percebeu que o menino não se encontrava por ali. Preocupado foi à lagoa e, qual não foi seu espanto, quando viu as roupinhas do filho à beira da água... Chamou, chamou, chamou... e nada. Os amigos, ao saberem do ocorrido, vieram todos à procura da criança tão amada. Dias depois encontraram o corpinho boiando nas límpidas águas da lagoa.
-- Você matou o filho da princesa, disseram os pescadores, agora ela matou o seu.”


Amei a linda história da Princesa Encantada. Chegamos ao porto em cima da hora; já escurecendo. Já nos tinham dito que à noite a maré sobe e as ondas ficam mais altas; por isso os barcos saem antes de escurecer.

Pegamos um barco bem menor e mais velho. Achei até bom, gosto de coisas antigas. Na saída, um rapaz já começou a implicar com o barqueiro porque não tinha escada para se subir no barco: “Se a te pegam, tu vai te lascar...”
No início gostei muito daquela coisa rústica, o motor lá atrás, uma luzinha, parecia um caixotinho... E os homens lá, mexendo no motor. E o barco flutuando, flutuando... Não é que o motor não pegava de jeito nenhum? Começamos a ficar apreensivos... Peleja que peleja e nada...

O jeito foi pedir socorro ao barco maior que ia passando e amarrar o nosso nele. Até aí eu estava achando TUDO muito interessante! Oh, santa inocência... Tirei foto e ri muito... Que aventura! Nunca andei num barco rebocado...
Gente, gente!!! De repente o barco começou a balançar, parecendo uma folhinha lançada ao vento... Era cada requebrada... E a corda parecia que ia se soltar. Um rapaz começou a se danar:
-- Por que não passamos para o barco maior?
-- Rapaz, respondeu o barqueiro, é muito arriscado. E se algum passageiro cair no mar?
-- Ah, é??? E o senhor acha que é melhor pôr em risco a vida de doze pessoas?
Foi o bastante para eu me apavorar. Isso mesmo; fiquei APAVORADA! Pedi um colete, tentei tirá-lo lá do teto e o negócio não saía. Então comecei a gritar:
-- Olha aí, gente! O colete nem sai... Quero um colete, tira um pra mim. Põe um colete na Patty, Lúciu, e em você também; Eraldo, põe um colete.
E o rapaz:
-- A corda está escapando, olha lá...
-- Abaixa, gente – gritei, agachando no chão do barco--, a corda vai se soltar e com a força deste vento vai nos pegar.
Em minha fértil imaginação, já via a corda se soltando e degolando todos nós. E o barco balançando, cada vez mais louco...
-- Moço, perguntei, quanto tempo ainda demora?
-- Ah, uns 30 minutos... ou 20.
-- Isso tudo??? Ah, não... E você, Eraldo, falando em comprar um barco... Pode tirar de ideia, pois eu não entro mesmo...
Eu tentava acalmar a Patty, que estava friinha, coitada! De repente, para meu consolo, vi uma casinha cinza de teto azul!
-- Fique tranquila, Patty, olha as casinhas lá, na beira da praia, já estamos chegando.
E eu de olho nas casinhas... Só que nunca chegava...
Hahahahhhaaa... Agora dá de rir. O Lúciu disse que, depois que eu mostrei as casinhas umas cinco vezes, ele não aguentou:
-- Mãe, aquilo é o barco que vem ao nosso lado.
E depois contou, morrendo de rir:
-- Será que ela estava pensando que eram casinhas populares, assim, tudo igual?
Durante o sufoco, eu pensava: “A mamãe, a dona Adélia, o seu Joaquim... Todos falavam que a gente não devia viajar na sexta-feira da paixão... E eu aqui, me divertindo, tomando cerveja... nem fiz jejum direito...”

Quando, afinal, o barco chegou ao porto, o Eraldo disse:
-- Tire o colete.
-- SÓ quando eu estiver com os pés na terra.
Agora fico pensando a quanto aquele povo riu de mim... Não estou nem aí...
Agora a gente ri, mas quando estava acontecendo...Ah, a Pite lá... essa eu queria ver...
30 de março, sábado – Já que estava chovendo mesmo, ficamos em Crispim. Nem pensar em barco... Contando a história do rebocamento para o rapaz do bar, ele disse:
-- É que mais acontece por aqui; moro neste lugar há muito tempo e nunca tive coragem de ir ao Algodoal.  Viiiiiiraaaammm??? Não sou só eu a medrosa...

Com chuva e tudo foi um dia maravilhoso! O coitado do Eraldo manquitolando, mas se divertindo também.

31 de março, domingo – O Eraldo resolveu deixar os meninos em Castanhal e, assim, ganhar 100 km; além de se livrar do trânsito difícil na chegada de Belém. Eles pegaram uma van e se foram, para nossa tristeza.
Lúciu e Patty, não falei q a casa ia ficar triste? Está um chué... Ainda mais com meu benzinho de pé estrepado; tadinho, não dá de caminhar, não dá de passear pela cidade. Ele já fez muito dirigindo quase 300 km hoje. 

Hoje o Eraldo voltou lá para fazer o curativo...O médico, que não me conhecia, deixou que eu entrasse para a consulta. Na hora das injeções e do curativo, a enfermeira: 
-- A senhora saia, pois fica nervosa...
-- Ah, você é a mesma daquele dia...


O senhor Eraldo Luís mandou um e-mail perguntando – e rindo... – por que não fomos para o Algodoal... Olha a graça... Respondi no ato:

-- Sr. Eraldo Luís, não fui para Algodoal porque os outros preferiram ficar no Crispim, não é mesmo, gente? Nada, NADA a ver com o tal do barco rebocado...


sábado, 6 de abril de 2013

LENÇÓIS MARANHENSES -- UM SONHO???!!!


LENÇÓIS MARANHENSES -- UM SONHO?!

21 de março, quinta-feira –
Antes de começar, preciso contar uma história: Diz o prof. Edivaldo, de Escrita Total, que devemos ter um escritor que nos sirva de modelo. Depois de pensar nos meus vários preferidos, elegi a Isabel Allende como minha inspiradora. Acho-a uma escritora maravilhosa e uma mulher fantástica! Depois de ler suas memórias, então... A danada tem coragem para dar e vender, é sincera, sensível; enfim, uma lutadora. Então, lá em João Pinheiro, procurando no mapa a ilha de Chiloé, onde acontece a história de seu livro “O caderno de Maia”, pesquisamos também sobre a autora. Qual não foi meu espanto ao ver a reportagem da Isabel intitulada: “Escreva um livro medíocre”! Depois de ler, entendi. Ela diz que a melhor maneira de nunca escrever um livro é querer começar com algo excelente! Devemos começar com humildade, escrevendo algo simples; que seja um diário, mas que seja escrito. Pensando nisso – e em tudo que os amigos sempre me disseram: “Por que você não escreve um livro? Você gosta tanto de contar histórias...” Meu marido, os nossos filhos e muitas outras pessoas. Quando iniciamos nossas viagens no trailer, a Zuleika – lembra-se disso, Zu? – disse:
-- Tia, você tem que me prometer que isso vai virar livro.
E vai, Zu! Vou criar coragem. Uma coisa me preocupa: Não tenho a ousadia da Isabel no que diz respeito a contar coisas da vida dos parentes... Em suas memórias, ela diz: “O melodrama familiar continuou, por sorte, porque, senão, sobre que diabos eu ia escrever?”

Continuando nossa viagem: Saindo de Anapurus passamos em Chapadinha, Vargem Grande, Paulica. Quanto coqueiro! Inúmeras casinhas de pau-a-pique – algumas rebocadas, outras não. Leite. Ipiranga. Paramos para comprar um balainho de bacuri, uma fruta bem gostosa que não conhecíamos: é parecida com manga; a gente parte e come a polpa que cobre a semente. Ela tem uma cola que prega nos dentes e não é muito fácil de sair. Mais que da fruta, gostei do balainho que veio acompanhando. O vendedor não perde tempo; fica à beira da estrada vendendo e fazendo o balaio para colocar as frutas. ( Epa! Agora que estou relendo e corrigindo para publicar é que percebi: Cadê meu balainho??? Ficou em Belém... embaixo do tanque; lavei e deixei enxugando... Nessa hora já deve estar no lixo....kkkkkkkkkk).

Itapecuru Mirim. Santana, Pedreira, Santa Rita, São Pedro – povoados. Tive uma ideia: bem que eu poderia grafar em itálico o nome dos povoados... Vou pensar no assunto.
Bacabeira. Mudando de rodovia: Rosário, Axixá, Morros – onde paramos para dormir. Uma cidade bem diferente: as praças parecem meio fora do esquadro, as calçadas são quase inexistentes; parece ser muito antiga. Caminhamos por ruas tão engraçadas! Só que não saberia dizer o porquê da graça...

22 de março, sexta-feira – Madruguei para tentar a conexão com a Internet. Deu certo. Respondi a alguns emails e publiquei o relato da viagem no blog – do dia 11/03 até 20/03. Tomamos café e saímos com um solzinho lindo!
-- Epa! Olha a chuva... Vem de repente. Isto é Maranhão!

No entroncamento pedimos informação, compramos milho e caímos no mundo... Lindo sol! Baliza. Bom Jardim.
-- Acho que estamos em Goiás... Baliza e Bom Jardim estão bem perto lá – diz o Eraldo.
Sobradinho. Lençóis Maranhenses – Dunas e Lagoas... Barreirinhas. O guia já veio nos encontrar e, enquanto eu preparava o almoço, o Eraldo foi agendar os passeios.

Almoçamos e saímos para as dunas. Coisa maravilhosa!!!
O quanto vcs pensarem q é bom, ainda é mais; simplesmente espetacular!!! A gente vai numa toiota, com cadeiras em cima; a bichinha vai pulando no meio do areão... Tem hora q vc pensa q vai tombar. Ainda bem que o casal que estava ao meu lado era meio destrambelhado para gargalhar, senão eu ia ficar sem graça de morrer de rir sozinha. Nunca vi coisa tão legal! Parece montanha russa, mas dura muuuuiiiito tempo... Amanhã iremos passear de barco. Acho que nem vou conseguir dormir só de relembrar as emoções. E também caminhamos mais ou menos uma hora subindo e descendo as enormes dunas e ainda tomamos banho nas lagoas. Foi bom demais!!! Contarei com mais detalhes no blog. (Essa parte copiei do email....kkkkk...é o pouco tempo....)
À noite estávamos pregadíssimos. Caímos na cama e foi aquele sonão...

23 de março, sábado – Saímos cedo para o passeio no Rio Preguiças. Chegamos animadíssimos ao porto! E não é que a chuva veio forte? “Ah! Não! Será que o passeio vai gorar?!” Chega o guia e nos entrega os coletes. – Logo que a chuva parar, sairemos.
Oba! Oba! Saímos ainda com chuva... Logo, logo apareceu um lindo sol. Que passeio! Paramos na Ilha do Farol, isto é, Ilha das Vassouras; depois na Ilha dos Macacos... Linda, linda! E muito interessante! Eu, então, que adoro macacos, amei, amei! Os macaquinhos ficam por ali, ao seu redor, pulando e brincando. O rapaz da lanchonete alertou:
-- Cuidem do refrigerante, senão eles pegam e bebem...
-- Mas é isso que eu estou querendo!
-- Não, dona; eles fazem muita bagunça...
Que graça! Eu ficaria ali o dia inteiro, olhando aqueles bichinhos que parecem tanto com gente. Tiramos várias fotos. Eu até filmei um pequenininho, comendo banana e raspando a casca com aqueles dentinhos tão pequenos... O guia nos disse que havia um macaquinho que era um terror: abria as garrafas de água, as latas de cerveja, mexia em todas as coisas. Os donos das barracas tinham que fechar tudo:
-- Vocês precisavam ver, parecia gente! – disse ele. Depois sumiu.
Será que alguém deu fim no bichinho?

Nem acredito que hoje, 03/03/2013, madruguei (antes de 07:00h) para adiantar o blog que está atrasadíssimo... Essa vida corrida é uma coisa! Tenho que fazer do jeito que a Zuleika gosta, escrever só o essencial.

Voltando a 23 de março:
A Ilha de Caburé é linda também; e tende a desaparecer. As dunas mudam de lugar e o mar avança cada vez mais. Anos atrás a pessoa levava trinta minutos para sair do rio, atravessar as dunas e chegar ao mar; hoje faz isso em cinco minutos.
Encomendamos o almoço e fomos tomar banho no mar, depois no rio. Após o almoço, rede!!! Há um barracão cheinho de redes para o descanso!
Nem sei avaliar qual passeio foi melhor, se o de ontem ou o de hoje...

Saímos de Barreirinha às 16:20h; teremos que voltar até --------------.
Sobradinho. Plantação de Bacuri. Como é bom voltar na mesma estrada! Na ida não percebemos essa plantação, nem conhecíamos a árvore. Morros. Dormimos cedo e cansados de subir os 160 degraus do farol.

24 de março, domingo – Saímos de Morros às 08:10h (eta madrugada!). Passamos novamente por Axixá, Rosário, Bacabeira, Rancho Papolco, São José, Santa Rita. Chegamos à entrada de Itapecuru Mirim. Nem sei porque me lembrei do livro “Menina Isabel” e da Dalva...

Pegando nova estrada, BR-135, em outro sentido. Em Colombo comprei um cuscuz saborosíssimo, o verdadeiro cuscuz baiano, era assim que a vó Anália fazia. O Eraldo não gostou:
-- Não tem queijo.
-- Cuscuz nunca teve queijo, isso é invenção de goianos; o queijo tira o sabor do milho.
Viu, dona Pite? Aprenda!
Miranda do Norte. Mudando para BR-222: Damata, Bamburral, Arari, Vitória do Mearim... Passamos por muitos povoados e feirinhas; bem arrumadinhos, mas sem nome... São Vicente, Igarapé do Meio. Agora BR-316: Santa Inês. Paramos para almoçar, já tarde. A dona Mariana veio nos servir:
-- Só tenho carne de sol; hoje é o dia da preguiça das mulheres... Serve carne de sol?
Pela toada da dona Mariana pensei que fosse demorar um tempão... Voltei para o trailer e me deitei; é que eu estava numa moleza... Logo, logo o Eraldo veio me chamar. E o almoço estava uma delícia; a carne seca, então... huuummm!!!
-- Dona Mariana, o que é capote e sarrabulho? Que pratos são estes?
-- Ah, minha filha, capote é galinha d’angola e sarrabulho... huuummmm é muito gostoso... é fígado de porco picado bem miudinho e refogado; é muito saboroso!!!
Perguntei quantos quilômetros tinha até Belém.
-- Quando a estrada era quebrada (???) tinha 530, agora que foi arrumada dizem que diminuiu 30, então tem 500 km.
Aí eu fiquei bem danada:
-- Eraldo, nós vamos passar pertinho de Belém e não vamos visitar os meninos??? Não tem lógica!
-- Não é só isso, não... A dona Mariana está enganada. Daqui a Belém tem quase 900 km...
Chuva, chuva, chuva... Bom Jardim, Zé Doca, Araguanã, Nova Olinda, Santa Luzia, Presidente Médice, Maranhãozinho, Gov. Nunes Freire, Rio Maracaçumé: coisa inédita! Arquibancadas na margem do rio!

Cerca de urubus: Que graça! Em cada pau da cerca, um urubu quietinho lá, parecendo uma estátua... Aquele tantão de urubu...
Paramos num posto a 1km de Gurupi. Caminhamos bastante e, já que era domingo, tomei uma cervejinha. O Eraldo não achou uma marca conhecida, comprou da que tinha... No outro dia é que constatei que era marca ruim...

Como hoje, 06/04/13, a internet está rápida, vou publicar essa parte no blog. Aguardem a próxima postagem sobre “Pará dos meus amores!!!” e a viagem a Belém que foi cheinha de peripécias...Não percam!!!!