ATÉ QUE ENFIM... MULATA!!!
Queridos amigos, abandonei vocês. Ontem eu disse que precisava continuar meu relato, estava atrasaaaaaado! O Eraldo: “Você quer que deixemos de ir à praia hoje para escrever?” Pensei... pensei... Deixe de ser mentirosa, mulher! Nem pensei: “NÃO. Nem pensar. Olhe se vou deixar de conhecer essas maravilhas para ficar escrevendo!” E depois, pensem: se não conhecer os lugares lindos... vou contar sobre o quê? E hoje estamos num lugar encantador. Disse ontem para o Eraldo: “Parece que cada praia que conhecemos é mais linda que as outras!!! Essa de hoje!!! Não, não vou pôr o carro na frente dos bois, conto depois... Vocês irão amar!
Ai, ai... Desse jeito não vai render MESMO... Ontem passamos o dia inteiro na praia mais linda de todas! Hoje, continuo de onde parei...
Parei quando íamos rumo à Mulata... Poeira, costela-de-vaca, noite escura como breu, nada de placas e lá vamos nós... Aparecem umas casinhas. Paramos. “Aqui é a Mulata?” “É, sim senhora!” Viva, viva, viva!!! Como é que se vai para Monte Alegre? Aí na frente tem um vê, pega à direita; não tem erro, vai sair lá. Mais à frente, perguntamos: “Não tem nenhum entroncamento?” “Não senhor. Só quase chegando lá.” “Tem placa?” “Não senhor”. E toca a andar na noite escura. Nem acredito que estou vendo as luzes de Monte Alegre! E eu disse que ia colocar a data para não nos perdermos. Dia de eleição, 03/10/10. Estacionamos o trailer perto da Igreja, pois queríamos ir à festa de São Francisco de Assis, padroeiro da cidade (...lá vai Francisquinho, conversando com os passarinhos... Levando nos braços Jesuscristinho! ). Lembram-se dessa poesia? Parece que falta alguma coisa... Esse “conversando com os passarinhos” não “pegou” muito bem... Que festa! Barracas com mil tipos de comida, leilão, parque de diversões e gente... gente que não acaba mais! Será cadê o padre? Disse para o Eraldo, olhando algumas mesas cercadas com uma gradinha: “Se frei Manoel estiver por aí, deve estar ali, na área vip!” Mal acabo de falar, olha o padre, lá no meio do povo: “Que prazer em vê-los, D. Sônia e seu...” Não é que o danado lembrou-se do meu nome? Ele é alegria pura! Conversamos e festamos bastante. À noite, no trailer, recebemos visitas: Juliana, Cristina, seus pais, sua tia e a linda priminha, que nos convidou para tomarmos o café da manhã em sua casa.
Segunda-feira, dia final da festa! De manhã fui à missa. Linda missa! Frei Manoel, como sempre, pregou maravilhosamente bem! Como era” missa do trabalhador”, na hora da oferta esperei o coador xadrez... Não vou rir, não vou rir... Que coador xadrez! Era um lindo cálice de palhinha trançada! No final da missa, frei Manoel disse:
--- Levante a mão quem é daqui!
Muitos levantaram as mãos.
--- Levante a mão quem é das comunidades!
Outros tantos...
--- Levante a mão quem é de GOIÁS!!!
E euzinha: “EU!!!”
Tomamos café na casa dos amigos! À noite, pura animação! Provei a uva-do-amor, achei melhor que a maçã. Provamos outra coisa... da qual não falaremos: vocês verão nas fotos (se um dia elas forem... kkkkkkkkk... acontece que a internet está leeeeenta... e haja paciência! A menina lá de Santarém disse que é para colocá-las num CD e procurar uma lan-house, onde a internet for mais rápida. Vamos tentar). Tomamos também sorvete de tapioca com açaí, mas não chega nem aos pés daquele lá de Goiânia. AQUELE, Rogério, no qual você nos levou, lembra? Naquele dia em que você tomou quase um litro de açaí! Agora, o sorvete de cupuaçu já é outra coisa: pura delícia! Ia me esquecendo de contar que, pela primeira vez, tomamos banho (tomei... o Eraldo já tinha tomado banho naquele dia em que foi rebocado... hehehehehehehe...) no Rio Amazonas. Hum... aguentei apenas uns dez minutos: água marrom, fundo gosmento (parece lama...) e, ainda por cima, os peixinhos beliscando a gente. Não gostei. Que saudade do Tapajós, com suas águas verdes e límpidas!
Quarta-feira, 06/10/10, ainda em Monte Alegre. O rapaz que prometeu arrumar as traves das janelas não veio trabalhar ontem. Aliás, havia muitos estabelecimentos fechados. Motivo: ressaca da festa de SEGUNDA! Fui à feira e comprei camarão para fazer estrogonofe. Perguntei para os homens da limpeza se precisava ferventar. “Não carece, dona. É só fritar e temperar bem, igual frango.” Fomos procurar balsa para Almeirim. “Perguntem para o Sr. Raimundo sobre a balsa do Mestre, a “Ana Maria”. “Não tem outro jeito. Vocês têm que voltar para Santarém”. Voltar para Santarém??? Então me lembro: “Pegaremos a balsa durante o dia!“ Foi uma decepção descer o Rio Amazonas de balsa durante a noite. Não pude contar nada! E a balsa sai para Santarém às 06:00 e 15:00h!!! Oh! Que felicidade! Lá vamos nós de volta. Até Murumuru por uma estrada desconhecida...
E recomeça a novela (narrando tipo “Saramago”. Se ele pode, eu também posso, uai!). Bom-dia! Bom-dia! O senhor pode me explicar como se vai para Murumuru? Por aí não vai, não. A senhora tem que voltar no posto e pegar à esquerda. Vai chegar no Camping. Vejo uma moça na moto, parada na estrada. Moça, por favor, é por aqui que se vai para Murumuru? Vai direto. Chegando no Camping a senhora pergunta. (Vou ter que parar. O teclado está cheinho de poeira. Vou tentar aguentar o calor com os vidros fechados, só com o ventilador... Ah! O que faço por vocês!) E poeira, poeira... poeira vermelha, poeira... poeira do meu sertão; de hoje em diante, sempre que ouvir essa música vou me lembrar do Pará. Ops! Um entroncamento; e agora, José? “Mamãe mandou eu ir por aqui, mas eu sou teimosa...” Ah, meu marido já está craque em adivinhação, pegou a estrada mais batida. E eu pensando: “Como? Não tem nenhuma placa, mesmo”. Nem acabo de pensar... Olha a PLACA!!! Nem quero acreditar! “Eraldo, tem uma PLACA!!!” Placa? Placa? A luz atrapalha ver o que está escrito. O quê? É o cartaz da “Josefina. Acelera Pará”. Hahahahahahaha!!! Gente, eu não conseguia parar de dar risadas! E a danada ganhou!
Aleluia!Camping! Desço. Boa-tarde! Boa-tarde! O senhor pode explicar como chegar em Murumuru? A senhora vai reto, chega num posto. Depois tem um vê, pega às direita. Segue, pega às direita de novo, sempre às direita . Um senhor de idade: Não, não é só à direita... Vou chamar meu marido, acho que é melhor o senhor explicar para ele. É... é melhor lhe chamar que eu lhe explico direitinho! ( Repete tudinho!). E aí o senhor vai com tudo... pega o oco do mundo... vai chegar lá! MURUMURU!!! Que saudade! Passamos em frente à igreja. O Eraldo: “Nosso pouso foi ali”. Cadê o pau com as frutas? Comeram todas! Olhamos a hora:18:33. Fazemos as contas: “Se demoramos duas horas de lá para cá, demoraremos duas de cá para lá.” Também a estrada é loooonga... QUARENTA E UM QUILÔMETROS!!!
Gente! Como o blog está atrasado! Mas, continuar como? Hoje nem fui com o Eraldo fazer caminhada... Fiquei com meus amiguinhos, jogando no computador: o jogo da memória, do bolo, de formar a carinha... Nossa viagem está se tornando uma novela: é tanto vai-e-volta, sobe-e-desce que já nem sei onde estou: se de cá ou de lá do rio (nem me perguntem que rio...) Agora vou dormir, pois está tarde. Queridos filhotes, só queria que vocês estivessem aqui conosco vendo estas MARAVILHAS!!! Lembro-me de vocês o tempo todo! E seu pai: “Eles têm muito tempo ainda! E terão muitas oportunidades!” Eu sei disso, mas sinto saudades! Beijos mil!
Não estou dizendo que o blog está atrasado??? Já estamos a 19/10, e o danado está ainda em 6/10??? Ui, ui, ui... Achei que estava mais à frente! Estamos em meio à Transamazônica, num lugar chamado Km 180, isto é, a 180 km de Humaitá, onde pegaremos a balsa para... Ei, mas estou pondo, de novo, o carro adiante dos bois... Essa parte vem DEPOIS... Vou tomar banho e depois pegar firme na escrita, já que aqui não tem internet e nem pega celular; ah, e os orelhões não funcionam, pelo menos três. Dos quatro que há aqui na comunidade só um funciona “Mas a fila é enorme”, disse o rapazinho do posto... Desisti.
Continuação do dia 06/10, quarta-feira. Chegamos à balsa. A fila de caminhões é enorme. Sempre tem aquele que quer dirigir todo mundo: ”Cadê teu marido? Diga pra ele entrar logo na fila, senão vocês ficam. Vocês chegaram primeiro do que aquele caminhão... olhe, ele já está indo...” “Uai, porque já estão entrando? A balsa não sai amanhã?” “Sim, mas já fica carregada; ela sai às 5:00h” “Cinco?”, penso,” mas ainda está escuro. É... logo clareia e verei as lindas paisagens!” Saio procurando o Eraldo que chega meio desconsolado: “Vamos ter que aguardar, eles dão prioridade para os caminhões.” O rapaz continua passando informações: “Dorme todo mundo lá dentro! Tem tudo lá: banheiros, comida, lugar de armar rede...” “Que legal! Nunca dormi numa balsa!”. E toca a entrar caminhões... mais um, mais outro... ainda outro... O Eraldo: “É... Acho que podemos armar nosso pouso por aqui. O cara da balsa disse que ainda tem que reservar o lugar para um ônibus...” Essa não! De repente o rapaz acena para o Eraldo entrar com o trailer. Que emoção! Já nem esperávamos por isto! Que alegria!O trailer vai entrando... Será que vai caber nesse buraquinho? E o ônibus? Entrou! Atravessar novamente! E desta vez de dia! Vou ter muito que contar... São mais de duas horas de travessia; na verdade, não é só atravessar, é subir o Rio Amazonas! Entram todos os carros. Os motoristas conversam eufóricos! Olho aquele povo MUITO alegre: “O que aconteceu?” “Aconteceu que vamos sair agora. Completou a carga!” “Sair AGORA? Essa não! Outra vez à NOITE? E o que eu vou ter para contar?” Que decepção! Na balsa o Eraldo aproveita e abre seus e-mails; a 3G funcionou beleza!
Quinta-feira, 07/10. Saímos à procura de balsa: “Procurem o Mestre, da balsa Ana Maria.” Descobrimos que a balsa saiu ontem; agora só na quarta. Uma semana esperando a balsa? Mas não estamos com pressa e Santarém tem lugares lindíssimos para se conhecer! O Eraldo manda olhar o carro que está com um probleminha. O dono da oficina, um senhor muito simpático, vai logo dizendo (até agora não sei se foi brincadeira...): ”Menino, acontece que o óleo Diesel daqui tem 50% de água”. E ainda ironiza: “Já vem na balsa, não é mesmo? Contamina.” Ele indica outra oficina. Que sorte a nossa! Lá conhecemos o Santana e a Eliene, amigos queridos que nos indicaram as praias de Belterra! Ao lado da oficina, uma lanchonete. Vamos tomar um suco e conhecemos outra amiga, Joselany, que morou em Anápolis. Conversa vai, conversa vem, contamos que ficaremos uma semana à espera da balsa. Ela diz: “Ah, se vocês pudessem ir com minha tia poderiam conhecer uma comunidade que fica às margens do Rio Arapiuns; é lindo o lugar! O barco vai amanhã e volta no domingo”. Ficamos empolgados e marcamos para encontrar a tia após o almoço. Na hora marcada só encontramos a sobrinha que nos diz que a tia só poderá ir na segunda; então o barco voltaria na quarta, o que não daria para nós (por causa da tal da balsa do Mestre). Fazer o quê?
Quase três horas da tarde. Temos que aproveitar o dia. Vamos para Belterra? VAMOS!!! Praia do Pindobal! Incrível!Penso: Os habitantes que aqui vivem, principalmente às margens do Tapajós, não comeram a maçã: continuam no PARAÍSO!!! Tomamos banho naquela água límpida e aconchegante, lavamos roupa, estendemos em cima das palhoças e vamos fazer caminhada na praia... Aqui ninguém pega nada de ninguém: você pode deixar roupas, pertences, até a máquina fotográfica e sair. NINGUÉM mexe! Parece que a praia é só nossa; um ou outro pescador... Na volta vejo os peixinhos pulando, mas pulando alto. Acho a maior graça! Encontramos um pescador e perguntamos:
--- Que peixinho é esse? A gente come?
--- Não; não. Ele é chamado de fedorento.
--- Que tamanho? – pergunto.
E o pescador, esticando a mão esquerda, coloca o dedo direito no pulso esquerdo (é assim que eles mostram o tamanho dos peixes, usando como medida a mão e até o braço, quando necessário) e diz:
--- É assinzinho.
Olhem a gracinha! Assinzinho! Ah, Lu, não parece o seu Guiminha... “o pobrinho do ratinho...”?
Digam com toda sinceridade: Não soa melhor do que “pequenino assim”? Assinzinho! Que jeito doce de falar!
Dormimos lá mesmo, ao lado da praia, em frente a uma casinha.
A INCRÍVEL COMUNIDADE ANÃ!
Chegando a Santarém liguei para nossa amiga Joselany somente para avisar que na segunda não daria para irmos até a comunidade. Ela respondeu:
--- Pois é, menina, minha tia arrumou tudo e vai hoje, pois amanhã será o aniversário de seu netinho; já estou fazendo o bolo. Se vocês quiserem ir...
--- Nossa! Queremos demais! A gente precisa estar aqui na segunda.
Fui para a sua casa. De lá sairíamos para o barco. O bolo estava na mesa, ainda peladinho de tudo. Pensei: “Não vai dar tempo confeitar o bolo; vou oferecer minha ajuda! Já ajudei a Lu a confeitar até o bolo do pai Leobino...”. Ainda bem que não me ofereci para ajudá-la; a moça é profissional, confeita até bolos de casamento! Fiquei conversando com a Rúbia (a tia)... Quando olhei para o bolo... que susto! Já estava pronto! Aquele bolo imenso! Falei, espantada: “ESTE bolo vai no barco? E chega inteiro?” “Chega sim – disse a Rúbia – já levei outras vezes.” Saímos, pegamos um táxi, o calor de derreter tudo, e a minha amiga, firme, carregando o bolo. Chegando ao barco, tinha uma praia, e a Rúbia carregando o bolo: pisa aqui, pisa ali, meio que tropeça... ui, ui, ui...e eu não tirava os olhos do bolo... Vai cair, vai cair... nossa! Pensei em pedir para carregá-lo um pouco, pois devia estar beeem pesado... Porém, vocês que me conhecem: filhos, irmãos, alunos... já sabem onde iria parar o bolo se chegasse às minhas “delicadas” mãozinhas!
Esperamos o barquinho que nos levaria ao barco grande... Eu SEMPRE preocupada com o bolo! “Como será que ele vai, se o barquinho sobe e desce balançando sobre as ondas?” Embarcamos; não foi muito fácil: um ajuda daqui, outro dali, e lá vamos... O velho do barquinho, danado da vida: “Pois é, dona, o povo reclama que eu ganho dinheiro fácil só porque cobro um real para levar as pessoas ao barco. Com este solão! Ontem mesmo, arraia ferroou dois porque preferiram ir andando dentro d’água. E aí tiveram que pagar táxi, hospital e remédios. Só porque não quiseram pagar um real...” Entramos no barco grande. Com tantas novidades... tinha me esquecido do bolo:
--- Cadê o bolo, gente? Onde foi parar?
--- Ela está preocupada com o bolo! Já colocaram ali. Olhe lá!
Lá estava ele: majestoso, perfeito em cima da mesa! Firme, firme! Nem tinha perigo de cair; a mesa do barco tem uma borda que impede as coisas de caírem... O bolo salvo, posso apreciar a viagem!
O barco demora a sair. É que ainda espera por passageiros. Nesse barco é assim: se você precisa se atrasar, é só ligar; todos esperam na maior paciência! Ninguém reclama; aproveita-se para prosear e fazer amizades! Até que enfim saímos! Olhe lá, olhe lá! O quê é? É o barco grande que imprensou um pequeno. Corro para ver. Nossa! É perigoso? Não, não, já se solta...Procuro nossas sacolas e me informam: “Os bagulhos de vocês vão embaixo. O rapaz já marcou.” O Eraldo diz:
--- Nós não pagamos a passagem (R$ 10,00). Ou você pagou?
--- Eu não. Nem tenho dinheiro!
--- Que hora a gente paga a passagem?
--- Na hora em que você quiser.
Alguém no celular, com aquela voz cantada: ”... não vai ficar aperriada, não...”. Um barquinho vai a reboque, parece que o pai vai puxando o filhinho... Estamos no Rio Tapajós, pura maravilha! A água de um verde impressionante! Limpíssima!
--- Quer almoçar? – pergunta minha amiga. O preço é R$ 3,00.
--- Não. Vamos deixar para comer quando chegar.
--- Daqui para lá a gente paga o almoço; de lá para cá não paga nada, é de graça!
--- Por quê? – perguntamos, intrigados.
--- Decerto é porque daqui para lá as pessoas têm dinheiro (muitos vão receber aposentadoria ou pensão). De lá para cá vêm sem nada; já gastaram tudo.
Achamos a maior graça nesse arranjo, mas tem muita lógica!
Meninos, seu pai aqui é o conversador; acho até que conversa mais que eu (é possível SIM!). As pessoas dizem: “Seu marido gosta dum papo, heim?” Sempre penso: “Gostaria tanto que nossos filhos estivessem aqui, vendo e vivendo todas estas maravilhas!”
--- Todo mundo pra frente. Todo mundo pra frente!
--- Para ver o quê? --- pergunto eufórica! Que novidade será agora? --- Corro para frente.
--- É para pesar a proa porque o rio aqui está raso. (Proa é a parte da frente; a de trás é popa. Já estou bem entendida sobre barcos! Já não sou mais aquela ignorantona dos primeiros dias!)
Resolvo exibir minha sabedoria para uma amiga que conheci no barco.
--- Ontem fomos à praia do Pindobal e vimos um peixinho pequeno e comprido que é chamado de “fedorento”.
--- Ah! A gente o chama de “filhote do boto”.
--- Mas não serve para comer... (Isso o barqueiro já tinha me falado).
--- Não, não. É muito pitiú.
Humildemente, pergunto (já que não tinha outro jeito de saber...):
--- E o que é pitiú?
--- Pitiú??? Pitiú é pixéu!
--- E pitiú é fedido?
--- Pitiú é muito pixéu.
Entenderam? Pitiú é pixéu e pixéu é pitiú... Hahahahaha...Se quiserem, consultem o “Aurélio”... Eu já me cansei.
O Eraldo está numa animadíssima conversa com uma senhora sobre como funciona a comunicação na comunidade. Não há correio. O correio de Santarém comunica-se com a rádio e ela avisa: “Fulano de tal, há uma carta para você em Santarém.” Se o destinatário tiver telefone, a agência do correio telefona avisando. Achei o máximo e dei uma gargalhada! Senti uma pisada no pé. E o Eraldo me diz discretamente: “Eles pensam que você está criticando...” Ih!, é mesmo! Já na comunidade, explico-lhes que minhas risadas não são de crítica... é que acho interessante seu jeito tão diferente de falar e viver! A pisada no pé me fez lembrar de quem??? São capazes de adivinhar? Da Marlucy, quando criança, lá na fazenda. Coitada! Acho que seu pezinho ficava até vermelho de tanto que eu o pisava. Só que era pior: “Tia! Pra que você está pisando no meu pé?” Era uma graça! Uma graça agora, que passou; naquele tempo era um vexame!
ISTO É O PARAÍSO?!
Chegamos à Comunidade de Anã. Uma verdadeira jóia às margens do Arapiuns! Diz a lenda que havia um bicho que aparecia no Rio Arapiuns; era o Muanã, bicho da água. Daí o nome da comunidade. Que acolhida maravilhosa! O genro e uma filha da Rúbia, a Débora, já vêm, no barco pequeno, para nos buscar. Somos apresentados à sua linda família, linda e numerosa!Os filhos: Rudson, Remerson, Ruberson, Raquel, Raiana, Rebeca, Iara, Débora, Milena, Wallace, Willian; os genros: Eloilson e Fábio; os netinhos: Kathleen, Isaac, Rayllan e Rubens. E ainda sobrinhos que moram perto. Como descrever Anã?! É impossível. Acho que o Eraldo disse tudo ao ligar para o Vanderlon: “Estamos no paraíso! Aqui nunca pisou um carro... Só moto...” Nossa guia, a Milena, diz: ”Nem moto, só bicicleta”. Na verdade, há UMA moto! A Milena foi designada para nos mostrar a Comunidade. Paramos para catar uma frutinha, meri, pequenina e doce. O Eraldo, só fotografando a meninada, que corria ao perceber a câmera, cada um queria fazer sua pose, são poucos os tímidos. E nossa guia mostrando tudo: “Ali a escola, lá o campo dos homens, o outro é o das mulheres (não diz “das mulher”, mas “das mulheres”)” Nessa comunidade de 83 famílias tem escola de ensino fundamental e médio. Em todos os lugares por onde passamos notamos as muitas escolas e transportes escolares.
Pensem numa verdadeira acolhida. Eles colocam a casa completamente à nossa disposição. “Onde coloco estas sacolas, Rúbia?” “Onde a senhora quiser”. Chega com a vasilha cheia de peixes temperados: “Seu Eraldo, como o senhor prefere o peixe? Frito? Assado? Caldeirada? É só falar que faço do seu gosto!” “Menino, vá comprar a tapioca, quero fazer o beiju para a dona Sônia...” E eu: “Rúbia, se não achar não se preocupe...” Mas pensava: “Tomara que ache! Quero meu beiju.” Não foi fácil, mas achou! Chega a hora de dormir. “Vocês preferem dormir na rede?” “Sim. SIM!”, digo. Só não disse para ninguém que eu nunca havia dormido em rede. Nem o Eraldo sabia disso. Senão iriam me oferecer cama. Lá fomos dormir embaixo da mangueira. Demorei um pouco para ajeitar o corpo naquela posição (eu, que quase sempre durmo de costas e bem esticada). Mas consegui dormir. No dia seguinte ao contar o fato de ser minha primeira vez numa rede: “Nossa! Deve estar com o corpo todo doendo!” Não estava; descansei bem! Na segunda noite, então, dormi como um anjo!
Que coisa linda acordar debaixo de uma mangueira, olhando o céu e as folhas se movendo ao vento! Fomos caminhar na praia. Andamos e andamos... nem vimos o tempo passar! “Olhe uma casa – disse o Eraldo – vamos lá?” “Vamos!” Era uma fazenda. A família nos recebeu na maior alegria e proseamos bastante, até descobrir que já estava tarde: “Vamos voltar rápido. A Rúbia está esperando com o café pronto e os beijus...”O beiju saboroso! Lembrei-me do beiju da vó Anália! Depois do café, a Rúbia nos chama para mostrar as fotos dos filhos. Que linguagem doce: “Essa é aquelazinha que vocês viram ontem; essa é aquela umazinha; e o outrozinho...” Chega o genro, o Eloilson, para cortar os cabelos das meninas. É um verdadeiro profissional! Tiro fotos. “Agora tira de mim com o nenê. Vem tu também com o outro nenê. Tira a toalha dele; põe aí no seu pingote...”
À tarde é hora do banho no rio. É muito interessante! Os irmãos que sabem nadar vão levando os pequenos que ainda não nadam. Quando se cansam ou enjoam de carregá-los, deixam-nos, com água até acima do umbigo, se esguelando lá, no meio do rio, e se mandam para o fundo. “Ele vai se afogar – grito!” “Não tem perigo, dona Sônia, ele sabe até onde pode ir.” O Eraldo se preocupa e sai atrás do guri; quando vê, ele já está correndo pela praia. “Não morre criança afogada por aqui?” “Não. Nunca morreu nenhuma. Elas sabem que não podem ir mais para fora.” Para fora é para o fundo! Achei uma graça! No começo, a Milena dizia: “Vamos para fora.” Eu ia saindo, e ela: “Não, dona Sônia, lá fora é melhor!” E ia andando para o fundo.
O sobrinho, Flamenguinho (apelido colocado pelo SÁBIO pai), de três anos, ainda não sabe nadar. Se sente vontade, vai para o rio se banhar (SOZINHO!). Chega à praia, tira a cueca, joga no chão, e tchibum... tchibum... banha até enjoar e volta peladinho para casa, que fica bem perto do rio; quer banhar-se de novo, volta para o rio, tira a cueca, joga na praia e tchibum... volta peladinho... A avó o faz voltar e ele chega: “Cadê minhas cueca? Cadê minhas cueca?” E sai catando as cuecas pela praia. Tirei uma foto dele. Ia correndo, rodando as cuecas nas mãos e eu: “Espere aí, Flamenguinho, quero tirar uma foto. Não passe as cuecas para uma só mão; uma em cada mão!” Então percebi que ele queria era fazer uma pose! Ficou lindinho! À tarde houve a sessão de fotos na praia. As meninas queriam fazer todas as poses! O cabelo assim e assim... Sentadas na pedra, no meio do rio, correndo pela praia. São lindas garotas, naturalmente bronzeadas, a pele sedosa, lindos cabelos! Queria tanto ser uma fotógrafa experiente para fazer justiça à beleza das pessoas e da paisagem! Mas tentei com fervor!
Sábado, 09/10.Festa de aniversário! E o bolo lá... É...AQUELE bolo tão viajado! Perfeitinho, enfeita a mesa e desperta o apetite da meninada! É o aniversário do netinho da nossa amiga, o Rayllan. É notável a educação das crianças! Não se adiantam para pegar as gulodices; esperam sentadinhas, enquanto são servidas. “Por que não colocam salada para as crianças?” “Porque elas não gostam!” Percebemos que as crianças daqui são muito alegres, obedientes, educadas e, sobretudo, livres, livres, LIVRES! Comentando sobre o Flamenguinho, eu disse: “Ele é bem levadinho, não é?” E Rúbia responde: “Ele é uma bênção!” As crianças são bênçãos! De tanto serem consideradas assim, assim se tornam! Os pais, geralmente, não se irritam e nem gritam com os filhos. A família convive em perfeita harmonia (e, olhem, são muitas pessoas numa casa!). À tardinha, varrem o quintal, limpam a casa e na porta colocam um grande tapete. Quem entra, deixa os sapatos do lado de fora. Eu, em minha crônica distração, entro de chinelo e tudo; o Eraldo percebe, dá um sinal... eu disfarço (daquele jeito todo meu de disfarçar), dou uma voltinha pela sala, saio e entro de novo de pezinhos no chão, o que adoro! A casa está sempre limpinha, as vasilhas de alumínio areadas, tudo no mais completo asseio. Na hora das refeições, minha amiga serve primeiro as visitas, depois os filhos; só quando todos estão bem servidos, ela começa a se servir. E não adianta insistir... seu jeito é esse!
Para o aniversário, a Rúbia fez vatapá. Simplesmente delicioso! Peço a receita. Ela me passa.
--- Rúbia, o que é aquela coisa que todo mundo fica comendo, numa cuinha preta?
--- É o tacacá. Muito saboroso!
--- É fácil de fazer?
--- Eu lhe ensino.Com todos os detalhes! Vá anotando. Passe a mandioca no ralador. Você sabe o que é ralador?
--- Sei. Já ajudei minha avó fazer farinha!
--- Coloca a massa no tipiti.
--- O que é isso?
--- É uma coisa comprida, feita de palha trançada que serve para escorrer a massa.
--- Ah! Sei. Lá em Goiás a gente fala sucuri.
--- Põe o tucupi na vasilha...
--- O que é tucupi?
--- Tucupi é aquela água que fica por cima da tapioca... A água que sai da mandioca... a tapioca assenta no fundo e o tucupi fica por cima. Põe o tucupi na panela e dissolve, formando a goma (como a goma que usávamos para fazer pipa). Tempere bem a goma.
--- E aí vira o tacacá?
--- Não, não. O tacacá é o prato pronto. Pegue a cuia, coloque o tucupi, depois a goma, tucupi de novo, aí vem o camarão. Está pronto o tacacá!
Queridas amigas, cuidado se forem testar a receita, pois é tanta complicação que posso ter errado alguma coisa...
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
VIVER EM PLENITUDE -- MURUMURU
VIVER EM PLENITUDE --- MURUMURU
Nossa! O negócio aqui está animado: “Josefina...Josefina...Josefina...Deputada estadual...Para o Pará não parar...”Eu falei que ela iria ganhar: “A mulher está cotada! É cartaz pra todo lado. Nas ruas, nas estradas...só dá Josefina!” E o Eraldo: “Quem falou que cartaz ganha eleição?”. “Uai, mas se a mulher tem dinheiro para colocar cartazes pra todo lado, provavelmente vencerá...” Não deu outra! Venceu! É a lei do mais forte!
Dia 28/09/2010, terça-feira, pegamos a balsa em Santarém. Desta vez atravessando o Amazonas! Na verdade, a gente vai descendo o rio. São mais de duas horas de travessia! Novamente digo: “Eta mundinho pequeno!”. Um rapaz chegou para nós, enquanto esperávamos a balsa: “Vocês são de Mineiros? Já trabalhei lá, para o “seu” Evaristo Treantin. Ele me deu uma vaca que tenho até hoje.” Conversamos bastante. Na saída da balsa, ele nos indicou onde parar para dormimos. Não há muitos postos na estrada (rodovia 163! Ooooohhhh)...O rapaz disse: “Vocês podem parar na praça. É tranqüilo lá.” Fomos, então, para Murumuru e paramos na praça da igreja. Estava bem fresquinho. Foi uma noite tranquila!
Pensem num dia pleno! Foi o dia 29/09/2010, quarta feira. Acordei com o tocar do sino ( sino toca? Ou tine? ).Olhei a praça e pensei:”Uai, hoje não é domingo, porque este pessoal vestido tão festivamente? Era um chique só: mulheres bem arrumadas e maquiladas, homens de manga longa (com aquele calor!), crianças vestidinhas de branco. A praça toda enfeitada de bandeirolas; no centro, um mastro coberto de frutas. Desci para fotografar e percebi que a missa havia começado. Um rapaz explicou que estavam celebrando a festa de São Miguel e o padre realizaria os batizados. O Eraldo disse que já estava com o discurso prontinho para contar para vó Dolzir: “D. Dolzir, a Sônia fotografou a igreja durante a missa e nem entrou...”Mas ele “dançou”. De início, pensei que a missa já estava terminando, mas quando percebi que estava começando, claro que entrei e participei da mesma. E que missa! O padre, muito alegre e comunicativo, deu um show! Foram palavras sábias e cheias de conteúdo! Disse uma coisa interessante: “Mais do que discutir sobre ‘minha religião foi a primeira’, ‘não, foi a minha’ o mais importante é ser missionário, amar as pessoas, ser sal da terra e luz do mundo”. Cantou uma música interessante sobre gente sem sal, gente que não tem sabor...Lembrei-me daquela história que diz haver dois tipos de pessoas: aquela : “Você chegou!” e a outra: “Você estava aí?”. Aconteceu-me um fato que ilustra bem isto: Tínhamos uma colega do tipo “Você estava aí?” Era boazinha, eficiente, um amor...mas, não marcava presença. Ela adoeceu e teve que ser internada, faltando vários dias de aula. Um dia, olha ela lá! Penso:”Coitada, tão sozinha; no recreio vou conversar com ela.” No recreio:
--- Oi, fulana, que bom que você voltou! Sentimos sua falta. Está bem agora?
Ela, com a cara fechada:
--- Faz quatro dias que eu voltei.
Sem comentários...
O padre falou sobre os pais ensinarem os filhos a rezar; não deixar tudo para a catequista. Ah, memória! Voltei à infância. Já não estava na igreja, estava lá na Fazenda Sto. Antônio, no Mato Grosso. D. Dolzir ensinou-nos a rezar o terço desde bem pequenas. Ah, os parentes! Chegavam e iam logo dizendo: “Queremos ver as meninas rezar o terço!”. Minha mãe : “Maria Ely...Sônia...venham rezar o terço para a tia ver!”. E nós, morrendo de preguiça: “Ave Maria...” e a outra: “Santa Maria...” até o fim. Isto era na cidade. Na fazenda, chegou a vez da Pite aprender; aprendendo, tinha que rezar TODO DIA. À tarde, enquanto a Maria Ely e eu fazíamos a janta, a Pite aproveitava para já rezar seu tercinho diário, sentadinha no banco da cozinha. Percebi que o terço da Pite passava muito rápido, sete minutos...e pronto, já estava na Salve Rainha. Quem reza o terço sabe que o normal é demorar 15 minutos. Muito fuxiqueira, logo dei o alarme: “Mãe, a Pite está pulando alguma coisa no terço. Termina depressa demais!”. E a mamãe: “Pite, reza a Ave Maria...”. Ela o fez: certinho. “Reza o Pai Nosso.” Também certíssimo. “Ela reza direitinho”, disse minha mãe . Mas eu não me conformava. E um dia resolvi ficar por conta da investigação. Encarei a boquinha dela e prestei bem atenção! EUREKA! “Mãe, descobri! A Pite reza a Ave Maria numa conta e a Santa Maria na outra!” Hahahahahahaha... Lembra-se disso, Pite? Coitadinha! Daí pra frente o seu tercinho ficou tão comprido!!!
Manhã fresquinha aqui em Monte Alegre. Aproveito para continuar meu relato que está atrasado. Gente! Acho que vou ter que parar de devanear. Preciso ignorar minha memória de infância, senão essa coisa não rende... Estava narrando sobre a missa em Murumuru. Durante a mesma foram realizados vários batizados. Saindo da igreja, despedimo-nos daquele povo simpático e acolhedor e seguimos nossa viagem.O frei Manoel nos disse: “Quem sabe nos encontramos em Monte Alegre? Segunda-feira é a festa do padroeiro de lá, São Francisco de Assis”. Respondemos:”Quem sabe? Vamos fazer força!”
Paramos na comunidade de Curicaca para fazermos o almoço: Maria Isabel (essa Maria Isabel tinha que ser minúscula, mas o Word não quer aceitar; vai assim mesmo...), para variar. Paramos ao lado de uma casa que parecia um sítio; o Eraldo foi ver se eles vendiam ovos. Não vendiam. Mal terminamos de almoçar, veio um rapazinho: “Vocês não querem almoçar com a gente?” “Acabamos de almoçar, respondemos.” Ele ainda insistiu: “Venham comer um peixe com pirão.” Imaginem a decepção do Eraldo...perder um peixe com pirão! Eu fui conversar com eles (e “curiar” também). Em cima da mesa, um caldeirão enorme, com um caldo dentro. Eles colocam o caldo no prato e a farinha por cima (AQUELA, o piruá...Não sei como eles não quebram os dentes ...).
Em Alenquer paramos para o lanche. Comprei pães e ovos; estava com desejo de comer pão com ovo. Só que pensei que o danado era de sal e era doce... É uma cidade pequena, cheia de lojinhas. São colocados toldos em frente às lojas para enganar o calorão: o toldo fica tampando a frente; e não em cima, como estava acostumada a ver. Saímos de lá rumo ao Km 30. Ah! O Km 30!!! Que lugar de gente encantadora! Quando estacionamos, alguém já gritou: “D. Zilmar...D. Zilmar...chegou visita...” Eu fui entrando: “Cadê a D. Zilmar?” “Está lá no quintal.” Aparece a Zilmar: “Oh, minha querida, que bom que vocês vieram! Dê cá um abraço!”. “Estou toda empoeirada, Zilmar ( não dava de chamar de dona aquela criatura tão jovial, de regatinha e short, um amor!)”. “Olha, vocês podem tomar banho, jantar, dormir lá no barracão...”. Tomamos banho e fomos apresentados a todos: são uma família e trabalham juntos na maior harmonia e entusiasmo! O Eraldo, por causa do regime, não jantou. Eu não podia perder a comida dela que tem fama de deliciosa! Comprovei que não era só fama. Meninos, lembram do bife de fígado da Irani? O da Zlmar ganha! O macarrão, então, tive que pedir a receita. Parecia “ao alho e óleo”, mas não tinha gosto de alho e nem de cebola; e era branquinho. É o seguinte: Coloque o óleo, frite um pouquinho de cebola batidinha (a menina explicou que é bem pouco). Coloque o macarrão cozido com sal e escorrido. Refogue e pronto! Simples e saboroso! Eis aí o porquê do título “Viver em plenitude!”. Foi um dia pleno de alegria e novas amizades!
Setembro, 30/09. Acordamos já um pouco tarde. Tomei meu leite e pensei: Vou lá na Zilmar; quem sabe ela tem um café COADO!!! Fui chegando: “Zilmar, você tem café aí?”. “E por que vocês não vieram tomar café com a gente? Vou pegar. Guardei um beiju pra você, querida!” Vocês sabem como adoro beiju! A Zilmar faz polvilho em casa. Vi aquela bacia cheia de polvilho lavado e lembrei-me da vó Anália. Ela fazia farinha e polvilho e nós, crianças ainda, a ajudávamos: lavando a massa (servicinho mais chato!), lavando e descascando a mandioca...O beiju estava divino! Com pesar, despedimo-nos, trocamos e-mails...beijos, abraços. O irmão da Zilmar disse: “Vocês precisavam conhecer minha mãe ; é uma pessoa muito culta!” Na volta tivemos o prazer de conhecer essa pessoa ímpar! Conto depois!
PONTE DE CIMENTO DO RIO CURUÁ
Vocês vão passar na ponte de cimento do Rio Curuá. Notei que eles diziam aquilo de uma maneira intrigante! Chegamos à ponte de cimento. De CIMENTO?! Cadê o cimento? Deve estar no bolso de algum político corrupto, pois a ponte é de MADEIRA! Nós VIMOS!!! Uma grande ponte. Parece que já foi feita DE CIMENTO mais de uma vez. Que vergonha! Que raiva! Que ódio! Fotografamos a tal ponte. Tenho que publicar essas fotos. E tenho que parar de escrever, pois já não enxergo direito. Não vai ser fácil segurar a emoção. Choro ao ver tamanha injustiça!
Já poso continuar. Egídio, meu cunhado, lembro-me constantemente de você ao ver tais absurdos! Você gosta de contar aquela piada: “Num comício, o político dizia, alto e forte, batendo no bolso: ‘Nesse bolso, meus amigos, nunca entrou dinheiro alheio!’. E um engraçadinho’’, lá da platéia: ‘Terno novo, heim doutor!’”
Plaquinhas na estrada: “Vende-se gasolina”. Casas de tábua, com telhado de cavacos. Palafitas. Eu ia dizer que estamos margeando o Rio Amazonas, mas o Eraldo diz que não é bem margeando, o mais certo é acompanhando o rio, já que estamos a uma distância de 20 a 30 Km dele. Surpreendeu-nos a quantidade de escolas por aqui. Várias comunidades têm escolas de ensino fundamental; e transporte escolar também. Segundo uma professora, a qualidade do ensino deixa a desejar; não é bem aquilo que os políticos dizem... Como se fosse novidade! Roupas estendidas à beira do córrego (igarapé, por aqui). Chama-me a atenção uma cena: dois meninos, descansando à beira da estrada. Fizeram uma espécie de toca no barranco e, sentados tranquilos, abrigam-se da quentura do sol! Vejo uma palmeira, toda coberta de samambaia. Nossa! Vou marcar o lugar e, na volta, fotografo para mostrar ao Lúciu. Quem sabe, se ele vier estagiar por aqui, pode ser de grande valia! Comento o fato com meu marido. E o defensor de Goiás: “É bacuri? Dessa aí tem muitas, lá no ‘Manuel Joaquim’”. Ah, é? Preciso prestar mais atenção ao meu Goiás!
Rodovia BR- 163. Escuto um barulho...fuuuuuu...fuuuuuu...Que é isso? Rachou-se a mangueira do rodoar (não sei se á assim que se escreve, é aquele negócio que vai mandando ar para o pneu). Paramos para olhar. Não tem problema; dá de arrumar mais à frente. Estrada lisinha, lisinha... De repente, plof, plof, plof...costela-de-vaca...Povoado (aqui se diz comunidade) Mamiá. Um menino em cima da ponte. Todo imponente, faz sinal para pararmos; prepara-se e dá um belo salto no rio! Com esse calor, tenho vontade de fazer o mesmo. Placas... quase não existem por aqui. Anda-se pelo meio da mata, mas não se vê animais; nem mesmo pássaros, só urubus; estes, sim; e por todo lado. Um fato intrigante é que sou acordada quase todos os dias pelos cantos dos pássaros; e sempre diferente. Gostaria que houvesse uma maneira de escrever na língua dos pássaros. Não há jeito de lhes explicar seus cantos; tem um engraçadinho que canta assim: “triiimmm...tuim...tuim...tuim...tuim; triiimmm...tuim...tuim...tuim...tuim...” O Eraldo deduziu que os pássaros daqui certamente gostam da cidade e não do mato. Como meu primo rico, José Carlos Flôres (COM acento!): “Eu não sou rural, sou urbano!”, ele sempre diz.
Paisagem mutante: matas, campos, povoados. Mais um, Cipoal. Paramos para tomar sorvete e encontramos um senhor que gosta demais duma prosa, o Sr. Eudóxio. O Eraldo lhe disse: “Em nossa cidade tinha um professor com esse nome. Fez muito por Mineiros. Eu o admirava demais e dizia: ‘Quando eu crescer, quero ser o ‘seu’ Eudóxio’. Não dizia ‘como ele’; eu queria ser ele. Só consegui a careca”. A prosa foi longa. Seguimos em direção a Óbidos. Uns diziam que a cidade era bonita; outros, que “lá só tem uns canhão, mas não tem nada de muito interessante; bonita mesmo é Oriximiná, vocês não podem deixar de ir. Lá tem uma praça linda, com uma porção de peixes; as ruas são largas e limpas...”. Chegamos a Óbidos! Foi amor à primeira vista! É uma cidade histórica; muitas casas antigas; os canhões, com as balas desse tamanho (do tamanho de uma bola de futebol!); eu não sabia que eram tão grandes! Dormimos perto do museu e da Casa da Cultura, para começarmos as visitas bem cedo.
Deixe-me colocar a data, senão nos perderemos: 01/10/10 (que data linda ficou! 10/10). Sexta-feira em Óbidos. Lugar de gente acolhedora, educadíssima. As pessoas param para cumprimentar e conversar com a gente. O Eraldo estava agachado, de costas, trocando a mangueira do rodoar. As pessoas passavam: “Oi, tio, tudo bem?”. “Bom-dia, vocês são de onde?”. Quando visitávamos a Casa da Cultura, aconteceu um fato que ilustra bem a educação dos obidenses. A pessoa que nos mostrava a casa, Joana D’Arc, viu, pela janela, um menino soltando pipa na praça. Chamou-o e com aquela vozinha doce, doce:”Oh, meu amor, não pode soltar papagaio! Viu, querido? Aqui não pode. Se enrolar nos fios é um desastre.” Na feira compramos melancia, mexerica, paçoca de peixe e...adivinhem! MAXIXE!!! Há muito tempo não comia maxixe. Gosto demais!
Saímos de Óbidos e paramos num Igarapé famoso de lá para tomarmos banho. A água é fresquinha e límpida. Tomamos banho e fomos fazer o almoço. Nem trocamos a roupa de banho. Que refrescante! Almoço e, novamente, banho. Tiramos fotos. Eu ia saindo quando vi uma cena linda: um rapaz deitado, assim, de lado, com a cabeça apoiada na mão... sorrindo feliz. Só que estava dentro d’água, de roupa e tudo! Perguntei: “Posso tirar uma foto sua?” “Pode”, respondeu. Que tranquilidade! Um pau-de-arara (aquela caminhão coberto por cima, com bancos, que serve de ônibus. Tentei fotografar, mas não saiu muito bem. Uma pena! Passamos por um que levava as crianças para a escola. Meninos, lembrei-me do caminhãozinho a carvão do seu pai... E vocês lá em cima, felizes da vida! Assim estavam os alunos daqui!
Que buraqueira na estrada! Eu queria colocar o Sr. Lula e seus assessores, o governador do Pará, e outros mais, num pau-de-arara e rodar nestas estradas, com o sol bem quente... Olhar a estrada por cima, dentro de um avião é uma coisa; agora, de carro é outra, bem diferente! Nós não temos pressa, é até novidade; porém para quem tem que passar todo dia por este suplício... aí muda tudo. As pessoas nos dizem: “Agora vocês podem passear por aqui, mas voltem antes das chuvas, senão... só de barco ou avião.” Contam que têm pessoas que moram à beira da estrada, compram um trator, e vivem à custa de puxar os carros atolados nas rodovias. A desgraça de um é o lucro do outro.
ORIXIMINÁ – A HISTÓRIA DO BODE
Chegando a Oriximiná (alguns dizem Oriximinã), um jeitão de chuva! Que saudade de chuva! Em toda a viagem, só vimos chuva em Novo Progresso. Acordei à noite com aqueles clarões repentinos. Disse para o Eraldo: “Será que é algo com o ar condicionado?” E ele: “Isso é relâmpago; está vindo de fora”. Abri a porta e percebi que era mesmo, mas bem a miúdo. De manhã, a chuva! Que bênção! O Eraldo estava sentado lá fora. Eu perguntei: “O que você está fazendo aí?”. Ele: “Vendo a chuva”. Saí também e fui tirar fotos das mulherzinhas dançando, dançando! Quando era criança adorava olhar a chuva na calçada. As gotas d’água eram como mulheres que bailavam pra lá, pra cá... pra lá, pra cá...
Não achei Oriximiná tão linda como Óbidos, mas é uma cidade bem progressista: comércio arrojado, ruas largas, grande movimento de pessoas. O calor humano é o mesmo. Aliás, por aqui o povo é muito, muito gentil. É um sentimento autêntico, as pessoas olham para a gente com ternura. No supermercado, à noite, quase na hora de fechar, você pergunta: “A que horas vocês fecham?” A mocinha do caixa responde com alegria e vivacidade: “Nove horas, meu amor!”. Em Oriximiná há também Universidade Federal do Pará.
Sábado, 02/10/10. Oriximiná. Dormimos num posto e eu acordei com o canto dos pássaros e mais: “Pó-de-mico... ô Pó-de-mico... acorda; aqui já é sete! Eu preciso dum dinheiro e o Pó-de-mico não acorda... ô Pó-de-mico, acorda, home...” Parece que o Pó-de-mico estava dormindo numa rede ao lado da janela do nosso quarto. Naquela tranquilidade! E o companheiro se esguelando... Tomamos café e fomos conhecer A PRAÇA! A dos peixões! Realmente, é bonita! E os peixes são bem grandes! O melhor foi que lá conheci o Nélson, que me passou interessantes informações:
--- Vocês são de onde?
--- De Goiás. E você?
--- Sou nascido e criado aqui. Quem nasce aqui é “espoca-bode”; em Óbidos é “chupa-osso”; em Monte Alegre é “pinta-cuia”; em Alenquer, “chimango”; em Santarém,” mocorongo”.
--- E o que é espoca bode? Que é espoca?
--- Vou lhe contar a história que você vai entender. Diz a lenda que o bode comeu muita farinha de mandioca, pra vocês lá de Goiás é farinha branca, a gente fala de mandioca. Então, o bode comeu muita farinha, bebeu muita água e subiu a torrefação, torrefação é aquela ladeira (bem íngreme) lá na cidade. O sol estava quente. O bode arfou, arfou, arfou e espocou.
--- Sim... Mas o que é espocou?
--- É como eu disse. O bode arfou, ficou cansado e espocou...
--- E o que é mocorongo? É um bichinho?
--- Isso eu não sei, não.
--- E chupa-osso, quer dizer o quê?
--- Uai, deve ser porque eles gostam de chupar osso.
--- Mas chupar osso como?
--- Pega o osso e chupa. Osso de vaca.
Lembrei-me da história que o vô Orlando contava quase todas as férias. Meu pai sabia poucas histórias, que repetia sempre. Ele perguntava: “Já contei a história do rapaz que comeu suã na casa da namorada?”. Nós dizíamos que não e ele começava:
“O rapaz foi almoçar na casa da namorada e tinha suã de porco. Ele queria tirar o tutano do osso, mas ficou sem jeito. (Comer suã sem comer o tutano é o mesmo que não comer. A gente enfia o dedinho no osso e tira o tutano. Tem que se ter cuidado; se estiver quente, queima o dedinho). Então ele virou meio de ladinho, disfarçou e enfiou o dedinho no osso. Só que o dedo ficou entalado. Não sabendo o que fazer, o jeito foi colocar a mão debaixo da mesa. Nisso, o Totó ‘nhac’; abocanhou o osso com dedo e tudo. E o rapaz: ‘Ai, ai, ai, meu dedinho.’”
Fiquei sem saber o que é espocou. Ahhhh, mas é só olhar no “Aurélio”... E vai ser agora... Já coloquei o danadinho aqui, bem à vista. Que graça... O Eraldo pensou que fosse “morreu”; Eu pensei que fosse “explodiu”; e não é nada disso. É “empacou”. Agora vou olhar mocorongo. No Pará, “santareno” (quem nasce em Santerém); em São Paulo, “caipira”; no Rio, “mulato, quase escuro”. Estou gostando muito de consultar esse Aurélio! Vou explicar porque achei que era explodiu. Quando éramos crianças, os grandes nos diziam: “Não tomem muito leite com farinha, faz mal.” E lá vinha a história, para provar que era verdade! “Certa vez, um rapaz chegou numa fazenda e pediu para a dona da casa um litro de leite e meio de farinha. Bebeu tudinho e foi dormir debaixo de uma árvore, um pouco distante da casa. De repente, a mulher escuta: POU! Percebendo que o barulho veio lá pelo lado da árvore, corre para ver o que aconteceu. Imaginem a cena! O homem morto, com a barriga rachada e as folhas da árvore cheias de farinha”.
Meus alunos, minhas irmãs e outras pessoas mais chegadas sabem que tenho uma letra horrível, às vezes tenho dificuldade de ler o que escrevo rápido. Agora pensem fazer anotações sacolejando nessas lindas estradas! Estou tentando decifrar “Caminha gorve...” Quê será isso? Decifrei! Cuminá gorou. A cidade que fica no fim da rodovia, Cuminá, na verdade não é a última e a estrada, dizem, é terrível! Estamos voltando para irmos em direção a Monte Alegre. Paramos num lugarejo chamado Repartimento (divisa de Oriximiná e Óbidos) para tomarmos água de coco. Em frente, um enorme cajueiro, carregadinho de lindos cajus. “O senhor vende caju?” “Vender, não vendo, mas dou; é só deixar a castanha (o homem disse um nome totalmente diferente para ‘castanha’, mas não consigo me lembrar... )” A família estava assando paca e nos convidou para comer. Que paca deliciosa! Acompanhada de farinha (piruá, como sempre). Vou parar um pouco para fazer o almoço. Não, não é arroz de carreteiro. É estrogonofe (o Aurélio disse que é assim) de CAMARÃO!!!
Meu almoço já está pronto. Continuando... Paramos novamente no Cipoal. Um rapaz disse: “Encontrei com eles lá no igarapé; até tiraram uma foto minha!” E não é que era o tal, deitado com roupa e tudo? Só que agora não estava molhado só de água, não; estava mais pra lá do que pra cá... Contava que “fui de Óbidos a Alenquer sem socorro...” (?) Socorro é pneu de estepe. Despedimo-nos e caímos no mundo... Poeira, costela-de-vaca, mais poeira, povoado... Quase não se vê caminhão ou carreta na estrada. A estrada deles é o rio: sem poeira, sem buracos, não depende de ninguém para sua conservação. Ainda espero descer o rio de balsa!
Sábado, 02/10/10; Km 30. Isto quer dizer, Zilmar e sua acolhida maravilhosa! Jantamos peixe com pirão. Meninos, seu pai já contou que comeu uma gostosa papa-terra... Dormimos. Acordamos com o povoado na maior animação: todos prontos para votar, esperando o Pará mudar (rimou... eu sempre digo que acabarei sendo poeta; meus escritos rimam que só...). Foi a primeira vez que deixamos de votar. Agora sim, vou falar sobre a D. Francisca, mãe da Zilmar e mais sete filhos! Uma mulher notável: 72 anos, animada, culta e muito sábia. Proseamos bastante. O tema: POLÍTICOS! Ela disse: “Pois é, os políticos falam que falam, mas falar é fácil. Você conhece a história do “falar é fácil”? Disse que não. “Então vou lhe contar: Certa vez havia um homem, dono de uma fazenda de farinha. Os ratos estavam roendo os sacos do depósito de farinha dele. Ele chamou os peões: ’Temos que fazer alguma coisa, antes que os ratos nos deem um grande prejuízo’. Um dá uma ideia, outro dá outra. Até que resolveram: ‘Vamos arrumar um gato’. Assim foi feito. Os ratos, ao saberem da novidade, fizeram uma reunião. O chefe dos ratos esclareceu: ‘Estamos aqui, meus amigos, para resolvermos o problema do gato. Quem tem uma sugestão?’ Choveram ideias. Até que um rato jovem, arrojado, disse: ‘Companheiros, eu tenho a solução! Vamos amarrar um sino no pescoço do gato. Assim que ele for chegando, todo mundo corre.’ Palmas e mais palmas... Linda ideia! O chefe dos ratos notou que um ratão, velho e sábio, não tinha pronunciado uma palavra. ‘E você, vovô, o que diz da dessa solução? Não é a melhor?’ E o ratão, falou pausadamente: ‘Não resta dúvida, a ideia é ótima! Resta saber quem vai amarrar o sino no pescoço do gato...’ Acabou-se o entusiasmo!’ Moral da história: ‘Falar é fácil, fazer é que são elas!’”
Dona Francisca contou que tem um grande desejo de montar uma mini-indústria para explorar o cupuaçu (ela tem muita prática no assunto; já faz alguma coisa em sua casa...). Já fez o projeto, apresentou aos políticos, recebeu elogios e promessa de verba. Só que fica só no “falar”... Vésperas de eleição prometem tudo, quando passa... nada! Ela nos disse ainda. “Eu digo que há três tipos de vereadores: O vereador-assalariado, aquele que só vai receber o salário; o vereador-assistencialista: dá uma bola para o time de futebol, um remédio para um necessitado, uma botina, um saco de cimento; o vereador-baralho: sempre está do lado que dá mais”. O Eraldo disse: “Não é só vereador, dona Francisca...” Despedimo-nos desse pessoal maravilhoso e fomos rumo a Monte Alegre.
“Não deixem de visitar a cachoeira! É uma coisa linda!”, muitos nos disseram. Uma placa (coisa rara): “Pousada ecológica Vale do Paraíso. Um capricho amazônico!”. Teríamos que descer 500m a pé. Paramos para fazermos o almoço. Eu disse, um pouco intrigada: “Dizem que são sete quedas e não se ouve nem um pequeno rumor de água; parece que este negócio não está certo. Estou me lembrando da D. Adélia, lá em Natal.” Almoçamos e descemos. A estradinha muito linda! O Eraldo disse: “Acolhedora!” Limpinha, no meio da mata. E a gente descendo, descendo, nada de barulho... Placas de boas-vindas, lindas placas, e nada de barulho... Quase chegando, um rumorzinho... Um fiapinho de água... Será isso as sete quedas? Acontece que nesta época o rio seca. A mulher que cuida do estabelecimento ficou mortificada: “Vocês poderiam ter telefonado; eu avisaria que o rio estava seco... Já que estão aqui, vamos visitar os chalés.” É um lindo lugar para se visitar, só que na época certa. Vimos tudo, tomamos banho no poço, abaixo da “cachoeira”, tiramos fotos, inclusive da “Laura doida”, como é chamada a mulata! (Viu, Laura? Depois mando a foto da sua xará.) Na saída a D.--------- nos mostrou o postal com a lindíssima cachoeira( quando existe água!) Interessante notar que os rios estão secos e os campos verdinhos, verdinhos!
Na rodovia passamos por três rapazes andando tranquilamente, cada um com sua espingarda às costas; isso é comum por aqui! Perdemos a entrada de Monte Alegre, placa... neca! A gente tem que adivinhar, perguntar, contar os quilômetros... Meus filhos, vocês não reconheceriam seu papai: pedidor de informação que só vendo para crer! Vou narrar esta novela tipo Saramago... estou cansada de usar aspas. Desta vez será discurso indireto livre (lembra, Zuleika?). Vocês são bem inteligentinhos: vão saber quem está falando. Perguntamos a um motoqueiro onde ficava a entrada e ele: Ah, não compensa voltar, é melhor seguir em frente e passar pela Mulata. No Km 11 perguntem... No Km 11 o rapaz diz: Podem ir em frente. Aí na frente tem outra comunidade e vocês perguntam. Desço: Boa-tarde. Boa-tarde. Onde fica a estrada para Monte Alegre? Vocês seguem em frente; passam uma ponte, passam um setor, passam outra ponte, dobrem à direita e vão chegar na Mulata. Ah, segue esta caminhonete que passou, ela vai pra lá... segue a poeira dela. Tem placa? Não, mas não tem erro. Digo para o Eraldo: Segue a poeira da caminhonete. Poeira da caminhonete? Daqui a pouco não se vê nem sinal. Caímos no mundo (eles usam muito esta expressão)! Escurece. Até que enfim, a Mulada. Uma luzinha numa casa. Desço correndo: Boa-noite! Boa-noite! Moço, aqui é a mulata? Não, a Mulata está a 9 Km. E como a gente chega a Monte Alegre? Segue em frente, aí tem uma estrada que vai para a direita, não entra não; aí tem outra que vira à esquerda, entra e chega na Mulata. Lá na frente tem um entroncamento, aí... Obrigada, moço! Lá na Mulata a gente pergunta.
Nossa! O negócio aqui está animado: “Josefina...Josefina...Josefina...Deputada estadual...Para o Pará não parar...”Eu falei que ela iria ganhar: “A mulher está cotada! É cartaz pra todo lado. Nas ruas, nas estradas...só dá Josefina!” E o Eraldo: “Quem falou que cartaz ganha eleição?”. “Uai, mas se a mulher tem dinheiro para colocar cartazes pra todo lado, provavelmente vencerá...” Não deu outra! Venceu! É a lei do mais forte!
Dia 28/09/2010, terça-feira, pegamos a balsa em Santarém. Desta vez atravessando o Amazonas! Na verdade, a gente vai descendo o rio. São mais de duas horas de travessia! Novamente digo: “Eta mundinho pequeno!”. Um rapaz chegou para nós, enquanto esperávamos a balsa: “Vocês são de Mineiros? Já trabalhei lá, para o “seu” Evaristo Treantin. Ele me deu uma vaca que tenho até hoje.” Conversamos bastante. Na saída da balsa, ele nos indicou onde parar para dormimos. Não há muitos postos na estrada (rodovia 163! Ooooohhhh)...O rapaz disse: “Vocês podem parar na praça. É tranqüilo lá.” Fomos, então, para Murumuru e paramos na praça da igreja. Estava bem fresquinho. Foi uma noite tranquila!
Pensem num dia pleno! Foi o dia 29/09/2010, quarta feira. Acordei com o tocar do sino ( sino toca? Ou tine? ).Olhei a praça e pensei:”Uai, hoje não é domingo, porque este pessoal vestido tão festivamente? Era um chique só: mulheres bem arrumadas e maquiladas, homens de manga longa (com aquele calor!), crianças vestidinhas de branco. A praça toda enfeitada de bandeirolas; no centro, um mastro coberto de frutas. Desci para fotografar e percebi que a missa havia começado. Um rapaz explicou que estavam celebrando a festa de São Miguel e o padre realizaria os batizados. O Eraldo disse que já estava com o discurso prontinho para contar para vó Dolzir: “D. Dolzir, a Sônia fotografou a igreja durante a missa e nem entrou...”Mas ele “dançou”. De início, pensei que a missa já estava terminando, mas quando percebi que estava começando, claro que entrei e participei da mesma. E que missa! O padre, muito alegre e comunicativo, deu um show! Foram palavras sábias e cheias de conteúdo! Disse uma coisa interessante: “Mais do que discutir sobre ‘minha religião foi a primeira’, ‘não, foi a minha’ o mais importante é ser missionário, amar as pessoas, ser sal da terra e luz do mundo”. Cantou uma música interessante sobre gente sem sal, gente que não tem sabor...Lembrei-me daquela história que diz haver dois tipos de pessoas: aquela : “Você chegou!” e a outra: “Você estava aí?”. Aconteceu-me um fato que ilustra bem isto: Tínhamos uma colega do tipo “Você estava aí?” Era boazinha, eficiente, um amor...mas, não marcava presença. Ela adoeceu e teve que ser internada, faltando vários dias de aula. Um dia, olha ela lá! Penso:”Coitada, tão sozinha; no recreio vou conversar com ela.” No recreio:
--- Oi, fulana, que bom que você voltou! Sentimos sua falta. Está bem agora?
Ela, com a cara fechada:
--- Faz quatro dias que eu voltei.
Sem comentários...
O padre falou sobre os pais ensinarem os filhos a rezar; não deixar tudo para a catequista. Ah, memória! Voltei à infância. Já não estava na igreja, estava lá na Fazenda Sto. Antônio, no Mato Grosso. D. Dolzir ensinou-nos a rezar o terço desde bem pequenas. Ah, os parentes! Chegavam e iam logo dizendo: “Queremos ver as meninas rezar o terço!”. Minha mãe : “Maria Ely...Sônia...venham rezar o terço para a tia ver!”. E nós, morrendo de preguiça: “Ave Maria...” e a outra: “Santa Maria...” até o fim. Isto era na cidade. Na fazenda, chegou a vez da Pite aprender; aprendendo, tinha que rezar TODO DIA. À tarde, enquanto a Maria Ely e eu fazíamos a janta, a Pite aproveitava para já rezar seu tercinho diário, sentadinha no banco da cozinha. Percebi que o terço da Pite passava muito rápido, sete minutos...e pronto, já estava na Salve Rainha. Quem reza o terço sabe que o normal é demorar 15 minutos. Muito fuxiqueira, logo dei o alarme: “Mãe, a Pite está pulando alguma coisa no terço. Termina depressa demais!”. E a mamãe: “Pite, reza a Ave Maria...”. Ela o fez: certinho. “Reza o Pai Nosso.” Também certíssimo. “Ela reza direitinho”, disse minha mãe . Mas eu não me conformava. E um dia resolvi ficar por conta da investigação. Encarei a boquinha dela e prestei bem atenção! EUREKA! “Mãe, descobri! A Pite reza a Ave Maria numa conta e a Santa Maria na outra!” Hahahahahahaha... Lembra-se disso, Pite? Coitadinha! Daí pra frente o seu tercinho ficou tão comprido!!!
Manhã fresquinha aqui em Monte Alegre. Aproveito para continuar meu relato que está atrasado. Gente! Acho que vou ter que parar de devanear. Preciso ignorar minha memória de infância, senão essa coisa não rende... Estava narrando sobre a missa em Murumuru. Durante a mesma foram realizados vários batizados. Saindo da igreja, despedimo-nos daquele povo simpático e acolhedor e seguimos nossa viagem.O frei Manoel nos disse: “Quem sabe nos encontramos em Monte Alegre? Segunda-feira é a festa do padroeiro de lá, São Francisco de Assis”. Respondemos:”Quem sabe? Vamos fazer força!”
Paramos na comunidade de Curicaca para fazermos o almoço: Maria Isabel (essa Maria Isabel tinha que ser minúscula, mas o Word não quer aceitar; vai assim mesmo...), para variar. Paramos ao lado de uma casa que parecia um sítio; o Eraldo foi ver se eles vendiam ovos. Não vendiam. Mal terminamos de almoçar, veio um rapazinho: “Vocês não querem almoçar com a gente?” “Acabamos de almoçar, respondemos.” Ele ainda insistiu: “Venham comer um peixe com pirão.” Imaginem a decepção do Eraldo...perder um peixe com pirão! Eu fui conversar com eles (e “curiar” também). Em cima da mesa, um caldeirão enorme, com um caldo dentro. Eles colocam o caldo no prato e a farinha por cima (AQUELA, o piruá...Não sei como eles não quebram os dentes ...).
Em Alenquer paramos para o lanche. Comprei pães e ovos; estava com desejo de comer pão com ovo. Só que pensei que o danado era de sal e era doce... É uma cidade pequena, cheia de lojinhas. São colocados toldos em frente às lojas para enganar o calorão: o toldo fica tampando a frente; e não em cima, como estava acostumada a ver. Saímos de lá rumo ao Km 30. Ah! O Km 30!!! Que lugar de gente encantadora! Quando estacionamos, alguém já gritou: “D. Zilmar...D. Zilmar...chegou visita...” Eu fui entrando: “Cadê a D. Zilmar?” “Está lá no quintal.” Aparece a Zilmar: “Oh, minha querida, que bom que vocês vieram! Dê cá um abraço!”. “Estou toda empoeirada, Zilmar ( não dava de chamar de dona aquela criatura tão jovial, de regatinha e short, um amor!)”. “Olha, vocês podem tomar banho, jantar, dormir lá no barracão...”. Tomamos banho e fomos apresentados a todos: são uma família e trabalham juntos na maior harmonia e entusiasmo! O Eraldo, por causa do regime, não jantou. Eu não podia perder a comida dela que tem fama de deliciosa! Comprovei que não era só fama. Meninos, lembram do bife de fígado da Irani? O da Zlmar ganha! O macarrão, então, tive que pedir a receita. Parecia “ao alho e óleo”, mas não tinha gosto de alho e nem de cebola; e era branquinho. É o seguinte: Coloque o óleo, frite um pouquinho de cebola batidinha (a menina explicou que é bem pouco). Coloque o macarrão cozido com sal e escorrido. Refogue e pronto! Simples e saboroso! Eis aí o porquê do título “Viver em plenitude!”. Foi um dia pleno de alegria e novas amizades!
Setembro, 30/09. Acordamos já um pouco tarde. Tomei meu leite e pensei: Vou lá na Zilmar; quem sabe ela tem um café COADO!!! Fui chegando: “Zilmar, você tem café aí?”. “E por que vocês não vieram tomar café com a gente? Vou pegar. Guardei um beiju pra você, querida!” Vocês sabem como adoro beiju! A Zilmar faz polvilho em casa. Vi aquela bacia cheia de polvilho lavado e lembrei-me da vó Anália. Ela fazia farinha e polvilho e nós, crianças ainda, a ajudávamos: lavando a massa (servicinho mais chato!), lavando e descascando a mandioca...O beiju estava divino! Com pesar, despedimo-nos, trocamos e-mails...beijos, abraços. O irmão da Zilmar disse: “Vocês precisavam conhecer minha mãe ; é uma pessoa muito culta!” Na volta tivemos o prazer de conhecer essa pessoa ímpar! Conto depois!
PONTE DE CIMENTO DO RIO CURUÁ
Vocês vão passar na ponte de cimento do Rio Curuá. Notei que eles diziam aquilo de uma maneira intrigante! Chegamos à ponte de cimento. De CIMENTO?! Cadê o cimento? Deve estar no bolso de algum político corrupto, pois a ponte é de MADEIRA! Nós VIMOS!!! Uma grande ponte. Parece que já foi feita DE CIMENTO mais de uma vez. Que vergonha! Que raiva! Que ódio! Fotografamos a tal ponte. Tenho que publicar essas fotos. E tenho que parar de escrever, pois já não enxergo direito. Não vai ser fácil segurar a emoção. Choro ao ver tamanha injustiça!
Já poso continuar. Egídio, meu cunhado, lembro-me constantemente de você ao ver tais absurdos! Você gosta de contar aquela piada: “Num comício, o político dizia, alto e forte, batendo no bolso: ‘Nesse bolso, meus amigos, nunca entrou dinheiro alheio!’. E um engraçadinho’’, lá da platéia: ‘Terno novo, heim doutor!’”
Plaquinhas na estrada: “Vende-se gasolina”. Casas de tábua, com telhado de cavacos. Palafitas. Eu ia dizer que estamos margeando o Rio Amazonas, mas o Eraldo diz que não é bem margeando, o mais certo é acompanhando o rio, já que estamos a uma distância de 20 a 30 Km dele. Surpreendeu-nos a quantidade de escolas por aqui. Várias comunidades têm escolas de ensino fundamental; e transporte escolar também. Segundo uma professora, a qualidade do ensino deixa a desejar; não é bem aquilo que os políticos dizem... Como se fosse novidade! Roupas estendidas à beira do córrego (igarapé, por aqui). Chama-me a atenção uma cena: dois meninos, descansando à beira da estrada. Fizeram uma espécie de toca no barranco e, sentados tranquilos, abrigam-se da quentura do sol! Vejo uma palmeira, toda coberta de samambaia. Nossa! Vou marcar o lugar e, na volta, fotografo para mostrar ao Lúciu. Quem sabe, se ele vier estagiar por aqui, pode ser de grande valia! Comento o fato com meu marido. E o defensor de Goiás: “É bacuri? Dessa aí tem muitas, lá no ‘Manuel Joaquim’”. Ah, é? Preciso prestar mais atenção ao meu Goiás!
Rodovia BR- 163. Escuto um barulho...fuuuuuu...fuuuuuu...Que é isso? Rachou-se a mangueira do rodoar (não sei se á assim que se escreve, é aquele negócio que vai mandando ar para o pneu). Paramos para olhar. Não tem problema; dá de arrumar mais à frente. Estrada lisinha, lisinha... De repente, plof, plof, plof...costela-de-vaca...Povoado (aqui se diz comunidade) Mamiá. Um menino em cima da ponte. Todo imponente, faz sinal para pararmos; prepara-se e dá um belo salto no rio! Com esse calor, tenho vontade de fazer o mesmo. Placas... quase não existem por aqui. Anda-se pelo meio da mata, mas não se vê animais; nem mesmo pássaros, só urubus; estes, sim; e por todo lado. Um fato intrigante é que sou acordada quase todos os dias pelos cantos dos pássaros; e sempre diferente. Gostaria que houvesse uma maneira de escrever na língua dos pássaros. Não há jeito de lhes explicar seus cantos; tem um engraçadinho que canta assim: “triiimmm...tuim...tuim...tuim...tuim; triiimmm...tuim...tuim...tuim...tuim...” O Eraldo deduziu que os pássaros daqui certamente gostam da cidade e não do mato. Como meu primo rico, José Carlos Flôres (COM acento!): “Eu não sou rural, sou urbano!”, ele sempre diz.
Paisagem mutante: matas, campos, povoados. Mais um, Cipoal. Paramos para tomar sorvete e encontramos um senhor que gosta demais duma prosa, o Sr. Eudóxio. O Eraldo lhe disse: “Em nossa cidade tinha um professor com esse nome. Fez muito por Mineiros. Eu o admirava demais e dizia: ‘Quando eu crescer, quero ser o ‘seu’ Eudóxio’. Não dizia ‘como ele’; eu queria ser ele. Só consegui a careca”. A prosa foi longa. Seguimos em direção a Óbidos. Uns diziam que a cidade era bonita; outros, que “lá só tem uns canhão, mas não tem nada de muito interessante; bonita mesmo é Oriximiná, vocês não podem deixar de ir. Lá tem uma praça linda, com uma porção de peixes; as ruas são largas e limpas...”. Chegamos a Óbidos! Foi amor à primeira vista! É uma cidade histórica; muitas casas antigas; os canhões, com as balas desse tamanho (do tamanho de uma bola de futebol!); eu não sabia que eram tão grandes! Dormimos perto do museu e da Casa da Cultura, para começarmos as visitas bem cedo.
Deixe-me colocar a data, senão nos perderemos: 01/10/10 (que data linda ficou! 10/10). Sexta-feira em Óbidos. Lugar de gente acolhedora, educadíssima. As pessoas param para cumprimentar e conversar com a gente. O Eraldo estava agachado, de costas, trocando a mangueira do rodoar. As pessoas passavam: “Oi, tio, tudo bem?”. “Bom-dia, vocês são de onde?”. Quando visitávamos a Casa da Cultura, aconteceu um fato que ilustra bem a educação dos obidenses. A pessoa que nos mostrava a casa, Joana D’Arc, viu, pela janela, um menino soltando pipa na praça. Chamou-o e com aquela vozinha doce, doce:”Oh, meu amor, não pode soltar papagaio! Viu, querido? Aqui não pode. Se enrolar nos fios é um desastre.” Na feira compramos melancia, mexerica, paçoca de peixe e...adivinhem! MAXIXE!!! Há muito tempo não comia maxixe. Gosto demais!
Saímos de Óbidos e paramos num Igarapé famoso de lá para tomarmos banho. A água é fresquinha e límpida. Tomamos banho e fomos fazer o almoço. Nem trocamos a roupa de banho. Que refrescante! Almoço e, novamente, banho. Tiramos fotos. Eu ia saindo quando vi uma cena linda: um rapaz deitado, assim, de lado, com a cabeça apoiada na mão... sorrindo feliz. Só que estava dentro d’água, de roupa e tudo! Perguntei: “Posso tirar uma foto sua?” “Pode”, respondeu. Que tranquilidade! Um pau-de-arara (aquela caminhão coberto por cima, com bancos, que serve de ônibus. Tentei fotografar, mas não saiu muito bem. Uma pena! Passamos por um que levava as crianças para a escola. Meninos, lembrei-me do caminhãozinho a carvão do seu pai... E vocês lá em cima, felizes da vida! Assim estavam os alunos daqui!
Que buraqueira na estrada! Eu queria colocar o Sr. Lula e seus assessores, o governador do Pará, e outros mais, num pau-de-arara e rodar nestas estradas, com o sol bem quente... Olhar a estrada por cima, dentro de um avião é uma coisa; agora, de carro é outra, bem diferente! Nós não temos pressa, é até novidade; porém para quem tem que passar todo dia por este suplício... aí muda tudo. As pessoas nos dizem: “Agora vocês podem passear por aqui, mas voltem antes das chuvas, senão... só de barco ou avião.” Contam que têm pessoas que moram à beira da estrada, compram um trator, e vivem à custa de puxar os carros atolados nas rodovias. A desgraça de um é o lucro do outro.
ORIXIMINÁ – A HISTÓRIA DO BODE
Chegando a Oriximiná (alguns dizem Oriximinã), um jeitão de chuva! Que saudade de chuva! Em toda a viagem, só vimos chuva em Novo Progresso. Acordei à noite com aqueles clarões repentinos. Disse para o Eraldo: “Será que é algo com o ar condicionado?” E ele: “Isso é relâmpago; está vindo de fora”. Abri a porta e percebi que era mesmo, mas bem a miúdo. De manhã, a chuva! Que bênção! O Eraldo estava sentado lá fora. Eu perguntei: “O que você está fazendo aí?”. Ele: “Vendo a chuva”. Saí também e fui tirar fotos das mulherzinhas dançando, dançando! Quando era criança adorava olhar a chuva na calçada. As gotas d’água eram como mulheres que bailavam pra lá, pra cá... pra lá, pra cá...
Não achei Oriximiná tão linda como Óbidos, mas é uma cidade bem progressista: comércio arrojado, ruas largas, grande movimento de pessoas. O calor humano é o mesmo. Aliás, por aqui o povo é muito, muito gentil. É um sentimento autêntico, as pessoas olham para a gente com ternura. No supermercado, à noite, quase na hora de fechar, você pergunta: “A que horas vocês fecham?” A mocinha do caixa responde com alegria e vivacidade: “Nove horas, meu amor!”. Em Oriximiná há também Universidade Federal do Pará.
Sábado, 02/10/10. Oriximiná. Dormimos num posto e eu acordei com o canto dos pássaros e mais: “Pó-de-mico... ô Pó-de-mico... acorda; aqui já é sete! Eu preciso dum dinheiro e o Pó-de-mico não acorda... ô Pó-de-mico, acorda, home...” Parece que o Pó-de-mico estava dormindo numa rede ao lado da janela do nosso quarto. Naquela tranquilidade! E o companheiro se esguelando... Tomamos café e fomos conhecer A PRAÇA! A dos peixões! Realmente, é bonita! E os peixes são bem grandes! O melhor foi que lá conheci o Nélson, que me passou interessantes informações:
--- Vocês são de onde?
--- De Goiás. E você?
--- Sou nascido e criado aqui. Quem nasce aqui é “espoca-bode”; em Óbidos é “chupa-osso”; em Monte Alegre é “pinta-cuia”; em Alenquer, “chimango”; em Santarém,” mocorongo”.
--- E o que é espoca bode? Que é espoca?
--- Vou lhe contar a história que você vai entender. Diz a lenda que o bode comeu muita farinha de mandioca, pra vocês lá de Goiás é farinha branca, a gente fala de mandioca. Então, o bode comeu muita farinha, bebeu muita água e subiu a torrefação, torrefação é aquela ladeira (bem íngreme) lá na cidade. O sol estava quente. O bode arfou, arfou, arfou e espocou.
--- Sim... Mas o que é espocou?
--- É como eu disse. O bode arfou, ficou cansado e espocou...
--- E o que é mocorongo? É um bichinho?
--- Isso eu não sei, não.
--- E chupa-osso, quer dizer o quê?
--- Uai, deve ser porque eles gostam de chupar osso.
--- Mas chupar osso como?
--- Pega o osso e chupa. Osso de vaca.
Lembrei-me da história que o vô Orlando contava quase todas as férias. Meu pai sabia poucas histórias, que repetia sempre. Ele perguntava: “Já contei a história do rapaz que comeu suã na casa da namorada?”. Nós dizíamos que não e ele começava:
“O rapaz foi almoçar na casa da namorada e tinha suã de porco. Ele queria tirar o tutano do osso, mas ficou sem jeito. (Comer suã sem comer o tutano é o mesmo que não comer. A gente enfia o dedinho no osso e tira o tutano. Tem que se ter cuidado; se estiver quente, queima o dedinho). Então ele virou meio de ladinho, disfarçou e enfiou o dedinho no osso. Só que o dedo ficou entalado. Não sabendo o que fazer, o jeito foi colocar a mão debaixo da mesa. Nisso, o Totó ‘nhac’; abocanhou o osso com dedo e tudo. E o rapaz: ‘Ai, ai, ai, meu dedinho.’”
Fiquei sem saber o que é espocou. Ahhhh, mas é só olhar no “Aurélio”... E vai ser agora... Já coloquei o danadinho aqui, bem à vista. Que graça... O Eraldo pensou que fosse “morreu”; Eu pensei que fosse “explodiu”; e não é nada disso. É “empacou”. Agora vou olhar mocorongo. No Pará, “santareno” (quem nasce em Santerém); em São Paulo, “caipira”; no Rio, “mulato, quase escuro”. Estou gostando muito de consultar esse Aurélio! Vou explicar porque achei que era explodiu. Quando éramos crianças, os grandes nos diziam: “Não tomem muito leite com farinha, faz mal.” E lá vinha a história, para provar que era verdade! “Certa vez, um rapaz chegou numa fazenda e pediu para a dona da casa um litro de leite e meio de farinha. Bebeu tudinho e foi dormir debaixo de uma árvore, um pouco distante da casa. De repente, a mulher escuta: POU! Percebendo que o barulho veio lá pelo lado da árvore, corre para ver o que aconteceu. Imaginem a cena! O homem morto, com a barriga rachada e as folhas da árvore cheias de farinha”.
Meus alunos, minhas irmãs e outras pessoas mais chegadas sabem que tenho uma letra horrível, às vezes tenho dificuldade de ler o que escrevo rápido. Agora pensem fazer anotações sacolejando nessas lindas estradas! Estou tentando decifrar “Caminha gorve...” Quê será isso? Decifrei! Cuminá gorou. A cidade que fica no fim da rodovia, Cuminá, na verdade não é a última e a estrada, dizem, é terrível! Estamos voltando para irmos em direção a Monte Alegre. Paramos num lugarejo chamado Repartimento (divisa de Oriximiná e Óbidos) para tomarmos água de coco. Em frente, um enorme cajueiro, carregadinho de lindos cajus. “O senhor vende caju?” “Vender, não vendo, mas dou; é só deixar a castanha (o homem disse um nome totalmente diferente para ‘castanha’, mas não consigo me lembrar... )” A família estava assando paca e nos convidou para comer. Que paca deliciosa! Acompanhada de farinha (piruá, como sempre). Vou parar um pouco para fazer o almoço. Não, não é arroz de carreteiro. É estrogonofe (o Aurélio disse que é assim) de CAMARÃO!!!
Meu almoço já está pronto. Continuando... Paramos novamente no Cipoal. Um rapaz disse: “Encontrei com eles lá no igarapé; até tiraram uma foto minha!” E não é que era o tal, deitado com roupa e tudo? Só que agora não estava molhado só de água, não; estava mais pra lá do que pra cá... Contava que “fui de Óbidos a Alenquer sem socorro...” (?) Socorro é pneu de estepe. Despedimo-nos e caímos no mundo... Poeira, costela-de-vaca, mais poeira, povoado... Quase não se vê caminhão ou carreta na estrada. A estrada deles é o rio: sem poeira, sem buracos, não depende de ninguém para sua conservação. Ainda espero descer o rio de balsa!
Sábado, 02/10/10; Km 30. Isto quer dizer, Zilmar e sua acolhida maravilhosa! Jantamos peixe com pirão. Meninos, seu pai já contou que comeu uma gostosa papa-terra... Dormimos. Acordamos com o povoado na maior animação: todos prontos para votar, esperando o Pará mudar (rimou... eu sempre digo que acabarei sendo poeta; meus escritos rimam que só...). Foi a primeira vez que deixamos de votar. Agora sim, vou falar sobre a D. Francisca, mãe da Zilmar e mais sete filhos! Uma mulher notável: 72 anos, animada, culta e muito sábia. Proseamos bastante. O tema: POLÍTICOS! Ela disse: “Pois é, os políticos falam que falam, mas falar é fácil. Você conhece a história do “falar é fácil”? Disse que não. “Então vou lhe contar: Certa vez havia um homem, dono de uma fazenda de farinha. Os ratos estavam roendo os sacos do depósito de farinha dele. Ele chamou os peões: ’Temos que fazer alguma coisa, antes que os ratos nos deem um grande prejuízo’. Um dá uma ideia, outro dá outra. Até que resolveram: ‘Vamos arrumar um gato’. Assim foi feito. Os ratos, ao saberem da novidade, fizeram uma reunião. O chefe dos ratos esclareceu: ‘Estamos aqui, meus amigos, para resolvermos o problema do gato. Quem tem uma sugestão?’ Choveram ideias. Até que um rato jovem, arrojado, disse: ‘Companheiros, eu tenho a solução! Vamos amarrar um sino no pescoço do gato. Assim que ele for chegando, todo mundo corre.’ Palmas e mais palmas... Linda ideia! O chefe dos ratos notou que um ratão, velho e sábio, não tinha pronunciado uma palavra. ‘E você, vovô, o que diz da dessa solução? Não é a melhor?’ E o ratão, falou pausadamente: ‘Não resta dúvida, a ideia é ótima! Resta saber quem vai amarrar o sino no pescoço do gato...’ Acabou-se o entusiasmo!’ Moral da história: ‘Falar é fácil, fazer é que são elas!’”
Dona Francisca contou que tem um grande desejo de montar uma mini-indústria para explorar o cupuaçu (ela tem muita prática no assunto; já faz alguma coisa em sua casa...). Já fez o projeto, apresentou aos políticos, recebeu elogios e promessa de verba. Só que fica só no “falar”... Vésperas de eleição prometem tudo, quando passa... nada! Ela nos disse ainda. “Eu digo que há três tipos de vereadores: O vereador-assalariado, aquele que só vai receber o salário; o vereador-assistencialista: dá uma bola para o time de futebol, um remédio para um necessitado, uma botina, um saco de cimento; o vereador-baralho: sempre está do lado que dá mais”. O Eraldo disse: “Não é só vereador, dona Francisca...” Despedimo-nos desse pessoal maravilhoso e fomos rumo a Monte Alegre.
“Não deixem de visitar a cachoeira! É uma coisa linda!”, muitos nos disseram. Uma placa (coisa rara): “Pousada ecológica Vale do Paraíso. Um capricho amazônico!”. Teríamos que descer 500m a pé. Paramos para fazermos o almoço. Eu disse, um pouco intrigada: “Dizem que são sete quedas e não se ouve nem um pequeno rumor de água; parece que este negócio não está certo. Estou me lembrando da D. Adélia, lá em Natal.” Almoçamos e descemos. A estradinha muito linda! O Eraldo disse: “Acolhedora!” Limpinha, no meio da mata. E a gente descendo, descendo, nada de barulho... Placas de boas-vindas, lindas placas, e nada de barulho... Quase chegando, um rumorzinho... Um fiapinho de água... Será isso as sete quedas? Acontece que nesta época o rio seca. A mulher que cuida do estabelecimento ficou mortificada: “Vocês poderiam ter telefonado; eu avisaria que o rio estava seco... Já que estão aqui, vamos visitar os chalés.” É um lindo lugar para se visitar, só que na época certa. Vimos tudo, tomamos banho no poço, abaixo da “cachoeira”, tiramos fotos, inclusive da “Laura doida”, como é chamada a mulata! (Viu, Laura? Depois mando a foto da sua xará.) Na saída a D.--------- nos mostrou o postal com a lindíssima cachoeira( quando existe água!) Interessante notar que os rios estão secos e os campos verdinhos, verdinhos!
Na rodovia passamos por três rapazes andando tranquilamente, cada um com sua espingarda às costas; isso é comum por aqui! Perdemos a entrada de Monte Alegre, placa... neca! A gente tem que adivinhar, perguntar, contar os quilômetros... Meus filhos, vocês não reconheceriam seu papai: pedidor de informação que só vendo para crer! Vou narrar esta novela tipo Saramago... estou cansada de usar aspas. Desta vez será discurso indireto livre (lembra, Zuleika?). Vocês são bem inteligentinhos: vão saber quem está falando. Perguntamos a um motoqueiro onde ficava a entrada e ele: Ah, não compensa voltar, é melhor seguir em frente e passar pela Mulata. No Km 11 perguntem... No Km 11 o rapaz diz: Podem ir em frente. Aí na frente tem outra comunidade e vocês perguntam. Desço: Boa-tarde. Boa-tarde. Onde fica a estrada para Monte Alegre? Vocês seguem em frente; passam uma ponte, passam um setor, passam outra ponte, dobrem à direita e vão chegar na Mulata. Ah, segue esta caminhonete que passou, ela vai pra lá... segue a poeira dela. Tem placa? Não, mas não tem erro. Digo para o Eraldo: Segue a poeira da caminhonete. Poeira da caminhonete? Daqui a pouco não se vê nem sinal. Caímos no mundo (eles usam muito esta expressão)! Escurece. Até que enfim, a Mulada. Uma luzinha numa casa. Desço correndo: Boa-noite! Boa-noite! Moço, aqui é a mulata? Não, a Mulata está a 9 Km. E como a gente chega a Monte Alegre? Segue em frente, aí tem uma estrada que vai para a direita, não entra não; aí tem outra que vira à esquerda, entra e chega na Mulata. Lá na frente tem um entroncamento, aí... Obrigada, moço! Lá na Mulata a gente pergunta.
domingo, 3 de outubro de 2010
QUANTAS SURPRESAS!!!
QUANTAS SURPRESAS! -- 25/09/2010
Parece que a estrada é só nossa! Admiro não haver barracas vendendo água de coco, castanhas, rede, farinha, e o Eraldo: “Vender pra quem?” Não tinha pensado nisso...Chegamos a Santarém, que fica no encontro do Tapajós com o Amazonas. Muito movimento, cheiro de peixe, barraquinhas vendendo de tudo, pessoas apressadas, porém tranqüilas (param para conversar, olhar as barracas, cumprimentar as pessoas, dar informações). Paramos para dormir.
Domingo, 26/09, fomos para Alter do Chão. Ah, Alter do Chão! Lugar paradisíaco, não dá para se ir uma só vez. A Ana Lígia e o Sérgio já tinham dito: “Não deixem de ir lá; é um paraíso, dizem que é “o Caribe brasileiro”. O pessoal de lá o chama de ilha, mas não é bem uma ilha, já que tem uma saída por terra, é mais um cabo (cabo é isso, não é, gente? Uma faixa de terra que avança na água...parece que na escola decorávamos diferente...). No meio da ilha estão as palhoças, palhoças não; segundo o barqueiro, são malocas. Estas têm palha só em cima, as palhoças têm palha em cima e dos lados (paredes). Novinhas em folha! Depois é que fui ter a explicação das malocas serem TODAS novas. O Rafael, o rapaz do barco, explicou: “No tempo da chuva, isto aqui fica tudo alagado.””E as casinhas?”, pergunto. “Vão tudo embora. No verão a gente faz de novo. Agora é o nosso verão; tempo de ganhar dinheiro. Temos que aproveitar porque no inverno não dá para se fazer nada por aqui.” Que vida!, penso. É como a história “A cigarra e a formiga”. Trabalha no verão e no inverno, descansa (a formiguinha, porque a cigarra canta no verão e no inverno...”dança”!).
O atração principal de Alter é o imenso lago de água doce, formado pelos igarapés (pequenos rios que têm as mesmas características dos grandes, geralmente são navegáveis; os maiores são chamados igarapés-açus e os menores igarapés-mirins (Viram? Como estou instruída? Obrigada, Eduardo, pelo Aurélio que você colocou no computador!). A temperatura da água é a mesma do corpo; como se a gente estivesse no ventre materno: nenhum choque, delícia total; a vontade é de ficar ali o dia inteirinho! Almoçamos peixe ( para o Eraldo) e camarão (para mim). O peixe era pirarucu; o que me fez lembrar daquela piada que o Ildefonso gostava de contar: “O homem chega ao restaurante e pede peixe. O garçom traz (meio desconfiado, pois o danado já estava vencido). O homem:”Pirarucu?” E o garçom, mais que depressa: “Tiraram, sim senhor”.
Depois do almoço encontramos o Rafael e marcamos o passeio de barco para 15:30h. Isso porque faríamos dois passeios: um para conhecer o lago, ir à nascente do igarapé e ver o pôr-do-sol numa outra ilha (que também era um cabo...hehehehe). E o outro para ver o boto boiando e ele aparece mais à tarde. Boto camarada! Horário propício aos encontros ilícitos. Como é sabido, o boto por aqui é pai de muita criança!(?). Foi um passeio surpreendente: na nascente do igarapé encontramos uma moça, eles dizem “a hippie”, que faz bijuterias para vender. Ela fica lá, debaixo de uma árvore, o bebê dormindo peladinho numa rede; no chão, pratos e copos; e ela, novamente grávida, toda feliz, mora lá, no meio das árvores com seu companheiro, o “hippie”. Passamos por uma aldeia que foi construída para servir de cenário para o filme “Tayná III”. Lindo! Lindo! No filme têm vários figurantes de Alter. Mas, o boto, ah, o boto TÃO esperado...não apareceu...Que pena! Eu pensava: “Aparece, botinho, só uma vezinha!”. Não apareceu.
À noite paramos num restaurante para jantar. Lá tinha um rapaz do Rio de Janeiro. Ele disse para a garçonete: “Venha, Fulana, senta aqui comigo pra gente prosear.” Lembrei-me do papai e do “seu” Joaquim Egídio; eles usavam muito essa palavra: prosear. Eu acho que prosa cria mais intimidade! Eu lhe disse: “Em nossa terra usamos muito isto: prosear. Você disse que é do Rio? Nós somos de Goiás”. E ele: “Na verdade, eu sou de Minas; e Goiás e Minas ...são os mesmos costumes”. Ele nos deu inúmeras dicas de lugares lindos no Amazonas! No futuro, veremos...Dormimos em Alter e segunda (27/09/10) fomos para Santarém. Na estrada vimos uma barraquinha que vendia cajus e farinha. Nenhum vendedor: “Ô de casa...ô vendedor”. Batemos palmas, nada...Depois de muito tempo, aparece uma mulher. Uma vasilha cheia de cajus: R$ 2,00. A farinha deles é um pouco diferente. Você, Eraldo Luís, iria gostar: grossa, grossa...cada caroço quase do tamanho de um grão de milho!
Gente, fazer compras com marido sem pressa é puro deleite (amo essa palavra...até nisso “puxei” meu modelo, Erico Veríssimo...Mas, depois eu conto a história de seu amor pelas palavras...). Há dias estava desejando comprar uns vestidos bem fresquinhos, pois só trouxe três na viagem, já pensaram? Com este calor é inadmissível usar calças jeans, ou mesmo shorts. Meu querido disse: “Vou te esperar, sentado naquele banco lá na praça”. “Vou procurar ser rápida (?)...” “Eu NÃO tenho pressa!”. Oh! MARAVILHA!!! Entrei na loja cheinha de lindos vestidos e já fui planejando: “Se eu não for comprar, experimento cinco; se for comprar, experimento dez! Afinal, ninguém me conhece...Não é como em Mineiros, que a vendedora pode pensar:’Lá vem aquela chata; experimenta, experimenta e não compra nadinha...’ “. Escolho dois e a mocinha, toda sorrisos, entra no provador minúsculo, liga o ar e sai. Eu entro, feliz da vida, tiro a roupa...e já começo a suar. Visto o primeiro, que entra pregando na pele, puxo daqui, puxo dali, olho no espelho...o cabelo parecendo um aranzel não ajuda o visual...Visto o segundo...dá upa para entrar... Abro a porta, a mocinha já chega com mais numa cestinha...e eu, na maior cara-de-pau: “Obrigada, querida, mas acontece que meu marido está me esperando e ele está com pressa; passo por aqui depois...”. E saio voando da loja. Frustração é ISSO, o resto é apelido! Será que chegarei naquele jeito sem graça de comprar SEM provar???
Domingo, 3 de outubro de 2010, dia de eleição. Meu projeto seria levantar-me bem cedinho e atualizar meu blog. Mas fui tomar café e encontrei a D. Francisca, uma senhora notável, 72 anos, jovem de espírito, repleta de belas idéias. Porém, isso conto depois no tempo certo. Verão que ela é um encanto de pessoa! Nossa, Tiago, já pensou se eu não conseguir publicar este textão ? Vou continuar de onde parei; cada coisa em seu tempo...
Em Santarém andamos que só lobinho de estrada para conhecer a cidade. À tarde fomos ao local onde se alugam barcos; conversamos com o barqueiro: “Queremos ver o encontro do Amazonas com o Tapajós.” E eu: “Quero ver o boto também!”. O rapaz disse que, nesse passeio, tinha 80% de chance de se ver o boto. O outro disse ainda que “a turma que foi ontem viu o acasalamento do boto; a coisa mais linda! A bota sai para a margem e fica esperando o companheiro.” Marcamos o passseio, fomos ao trailer, colocamos roupas de banho e voltamos. O rio estava cheio de ondas, o barco balançava muito, coisa deliciosa! Cadê o boto? Cadê o boto? Aparece, botinho! Olha o boto! Quanta emoção! E o danadinho gosta de enganar: você olha para a direita e ele aparece à esquerda. É muito rápido, nem dá para fotografar ou filmar, pois a gente não adivinha onde ele vai boiar. Mas tivemos a sorte de vê-lo umas QUATRO (!!!) vezes! O Eraldo, então, o viu quase todo fora da água!
Fantástico o encontro dos rios: o Tapajós verdinho, verdinho; o Amazonas marrom. E as águas não se misturam; dizem que é como óleo e água. Notei que o Tapajós não perde a cor, mas perde a identidade. É a velha história, o maior é mais importante: ainda se vê claramente a separação das águas e já se fala O AMAZONAS! Chegando ao encontro dos rios, o Eraldo quis nadar; tirou o colete e mergulhou; nadou todo garboso...e eu fotografando. Tive vontade de fazer o mesmo, mas lembrei-me da vez em que resolvi atravessar o Rio Araguaia, pois vi que o Lúciu, que era bem pequeno ainda, atravessara-o facilmente. Quase morri afogada, a sorte foi que me socorreram! Então fiquei só admirando a destreza do rapaz! Ah! Na hora de sair...foi outra história! Ele tentou subir pelo lado, que era bem mais baixo, e o barqueiro: “Não, aí não! Tem que ser pela frente.” E tenta, que tenta...passa uma perna, não dá; passa a outra, não dá...”Chama ele lá pra me ajudar!!!”. O rapaz veio e rebocou o atleta, que entrou arfando e querendo pôr a alma pela boca. Foi um show! E o barqueiro ainda, irônico e muito engraçado, fez piadinhas, contando para os companheiros lá de fora: “Ele parecia o boto cor-de-rosa...boiando, boiando...”. O Eraldo perguntou se foi o primeiro que ele teve que guinchar. “Não, não...Teve uma senhora que não conseguiu sair. Fui puxá-la e foi ela quem me puxou. Fui pra água. A sorte é que estava sem os documentos e o celular, senão...já era!”. Nós lhe demos a ideia de colocar uma escadinha móvel, como aquelas das piscinas. Eu lhe disse: “Você pode ganhar muito dinheiro com isso. A pessoa não consegue entrar e você diz: ‘Com a escada são mais dez reais. Quer a escada?’ “. Depois da história passada, o Eraldo queria saber se eu havia fotografado seu rebocamento. Disse que não, e ele: “Ah, poderia ter fotografado!”. Cada um, cada um, não é? Se eu estivesse no seu lugar e ele fotografasse uma cena desse calibre...ah! mas ia ter que apagar RAPIDINHO!!!
Fomos ao museu, mas já estava fechado. Um senhor, o diretor do museu, disse, muito gentilmente: “Vocês poderiam olhar; acontece que não há iluminação suficiente em todas as salas. Espero vocês amanhã, sem falta!” O Eraldo estendeu a mão ao se despedir e ele ignorou. Ele pensou: “Deve daquelas pessoas que não gostam de pegar na mão dos outros...” O companheiro, que estava ao lado esclareceu: “Ele é cego.”
No dia seguinte fomos novamente ao museu. Vimos muitas coisas interessante! Entramos numa sala e eu pensei: “Engraçado, sala de roupas antigas”. Olhava, encantada os quadros, os instrumentos de suplício com os quais eram castigados os escravos, e fotografava. O Eraldo perguntou: “Não vai fotografar aí atrás?”...Aí atrás, o quê? Virei-me e, gente, quase morri de susto! Tinha uma escrava, no tamanho normal, deitada no tronco (acho que tem outro nome aquilo, onde colocavam os escravos, deitados, presos pelos pés). Eu, encantada com os quadros, nem havia reparado que era uma sala inteira dedicada à escravatura. A roupa antiga era uma escrava no tronco! Muito interessante mesmo! Conversamos com o diretor, o senhor cego. Ele nos contou as dificuldades enfrentadas pelo estabelecimento: falta de dinheiro e de interesse das autoridades. Ele era pintor. Disse: “Eu recebo um salário vergonhoso para cuidar disso aqui. E olha que quase tudo pertenceu a mim. Várias peças (quase todas, na verdade!), inúmeros quadros...que eu pintei quando enxergava. Agora, com a situação tão crítica, faço quadros com as mãos para trocar por lâmpadas...”. Contei-lhe que, em nossa cidade, nem sempre os políticos se interessam pela cultura. Ele disse: “Pensei que por lá fosse diferente...” Que esperança!...
Parece que a estrada é só nossa! Admiro não haver barracas vendendo água de coco, castanhas, rede, farinha, e o Eraldo: “Vender pra quem?” Não tinha pensado nisso...Chegamos a Santarém, que fica no encontro do Tapajós com o Amazonas. Muito movimento, cheiro de peixe, barraquinhas vendendo de tudo, pessoas apressadas, porém tranqüilas (param para conversar, olhar as barracas, cumprimentar as pessoas, dar informações). Paramos para dormir.
Domingo, 26/09, fomos para Alter do Chão. Ah, Alter do Chão! Lugar paradisíaco, não dá para se ir uma só vez. A Ana Lígia e o Sérgio já tinham dito: “Não deixem de ir lá; é um paraíso, dizem que é “o Caribe brasileiro”. O pessoal de lá o chama de ilha, mas não é bem uma ilha, já que tem uma saída por terra, é mais um cabo (cabo é isso, não é, gente? Uma faixa de terra que avança na água...parece que na escola decorávamos diferente...). No meio da ilha estão as palhoças, palhoças não; segundo o barqueiro, são malocas. Estas têm palha só em cima, as palhoças têm palha em cima e dos lados (paredes). Novinhas em folha! Depois é que fui ter a explicação das malocas serem TODAS novas. O Rafael, o rapaz do barco, explicou: “No tempo da chuva, isto aqui fica tudo alagado.””E as casinhas?”, pergunto. “Vão tudo embora. No verão a gente faz de novo. Agora é o nosso verão; tempo de ganhar dinheiro. Temos que aproveitar porque no inverno não dá para se fazer nada por aqui.” Que vida!, penso. É como a história “A cigarra e a formiga”. Trabalha no verão e no inverno, descansa (a formiguinha, porque a cigarra canta no verão e no inverno...”dança”!).
O atração principal de Alter é o imenso lago de água doce, formado pelos igarapés (pequenos rios que têm as mesmas características dos grandes, geralmente são navegáveis; os maiores são chamados igarapés-açus e os menores igarapés-mirins (Viram? Como estou instruída? Obrigada, Eduardo, pelo Aurélio que você colocou no computador!). A temperatura da água é a mesma do corpo; como se a gente estivesse no ventre materno: nenhum choque, delícia total; a vontade é de ficar ali o dia inteirinho! Almoçamos peixe ( para o Eraldo) e camarão (para mim). O peixe era pirarucu; o que me fez lembrar daquela piada que o Ildefonso gostava de contar: “O homem chega ao restaurante e pede peixe. O garçom traz (meio desconfiado, pois o danado já estava vencido). O homem:”Pirarucu?” E o garçom, mais que depressa: “Tiraram, sim senhor”.
Depois do almoço encontramos o Rafael e marcamos o passeio de barco para 15:30h. Isso porque faríamos dois passeios: um para conhecer o lago, ir à nascente do igarapé e ver o pôr-do-sol numa outra ilha (que também era um cabo...hehehehe). E o outro para ver o boto boiando e ele aparece mais à tarde. Boto camarada! Horário propício aos encontros ilícitos. Como é sabido, o boto por aqui é pai de muita criança!(?). Foi um passeio surpreendente: na nascente do igarapé encontramos uma moça, eles dizem “a hippie”, que faz bijuterias para vender. Ela fica lá, debaixo de uma árvore, o bebê dormindo peladinho numa rede; no chão, pratos e copos; e ela, novamente grávida, toda feliz, mora lá, no meio das árvores com seu companheiro, o “hippie”. Passamos por uma aldeia que foi construída para servir de cenário para o filme “Tayná III”. Lindo! Lindo! No filme têm vários figurantes de Alter. Mas, o boto, ah, o boto TÃO esperado...não apareceu...Que pena! Eu pensava: “Aparece, botinho, só uma vezinha!”. Não apareceu.
À noite paramos num restaurante para jantar. Lá tinha um rapaz do Rio de Janeiro. Ele disse para a garçonete: “Venha, Fulana, senta aqui comigo pra gente prosear.” Lembrei-me do papai e do “seu” Joaquim Egídio; eles usavam muito essa palavra: prosear. Eu acho que prosa cria mais intimidade! Eu lhe disse: “Em nossa terra usamos muito isto: prosear. Você disse que é do Rio? Nós somos de Goiás”. E ele: “Na verdade, eu sou de Minas; e Goiás e Minas ...são os mesmos costumes”. Ele nos deu inúmeras dicas de lugares lindos no Amazonas! No futuro, veremos...Dormimos em Alter e segunda (27/09/10) fomos para Santarém. Na estrada vimos uma barraquinha que vendia cajus e farinha. Nenhum vendedor: “Ô de casa...ô vendedor”. Batemos palmas, nada...Depois de muito tempo, aparece uma mulher. Uma vasilha cheia de cajus: R$ 2,00. A farinha deles é um pouco diferente. Você, Eraldo Luís, iria gostar: grossa, grossa...cada caroço quase do tamanho de um grão de milho!
Gente, fazer compras com marido sem pressa é puro deleite (amo essa palavra...até nisso “puxei” meu modelo, Erico Veríssimo...Mas, depois eu conto a história de seu amor pelas palavras...). Há dias estava desejando comprar uns vestidos bem fresquinhos, pois só trouxe três na viagem, já pensaram? Com este calor é inadmissível usar calças jeans, ou mesmo shorts. Meu querido disse: “Vou te esperar, sentado naquele banco lá na praça”. “Vou procurar ser rápida (?)...” “Eu NÃO tenho pressa!”. Oh! MARAVILHA!!! Entrei na loja cheinha de lindos vestidos e já fui planejando: “Se eu não for comprar, experimento cinco; se for comprar, experimento dez! Afinal, ninguém me conhece...Não é como em Mineiros, que a vendedora pode pensar:’Lá vem aquela chata; experimenta, experimenta e não compra nadinha...’ “. Escolho dois e a mocinha, toda sorrisos, entra no provador minúsculo, liga o ar e sai. Eu entro, feliz da vida, tiro a roupa...e já começo a suar. Visto o primeiro, que entra pregando na pele, puxo daqui, puxo dali, olho no espelho...o cabelo parecendo um aranzel não ajuda o visual...Visto o segundo...dá upa para entrar... Abro a porta, a mocinha já chega com mais numa cestinha...e eu, na maior cara-de-pau: “Obrigada, querida, mas acontece que meu marido está me esperando e ele está com pressa; passo por aqui depois...”. E saio voando da loja. Frustração é ISSO, o resto é apelido! Será que chegarei naquele jeito sem graça de comprar SEM provar???
Domingo, 3 de outubro de 2010, dia de eleição. Meu projeto seria levantar-me bem cedinho e atualizar meu blog. Mas fui tomar café e encontrei a D. Francisca, uma senhora notável, 72 anos, jovem de espírito, repleta de belas idéias. Porém, isso conto depois no tempo certo. Verão que ela é um encanto de pessoa! Nossa, Tiago, já pensou se eu não conseguir publicar este textão ? Vou continuar de onde parei; cada coisa em seu tempo...
Em Santarém andamos que só lobinho de estrada para conhecer a cidade. À tarde fomos ao local onde se alugam barcos; conversamos com o barqueiro: “Queremos ver o encontro do Amazonas com o Tapajós.” E eu: “Quero ver o boto também!”. O rapaz disse que, nesse passeio, tinha 80% de chance de se ver o boto. O outro disse ainda que “a turma que foi ontem viu o acasalamento do boto; a coisa mais linda! A bota sai para a margem e fica esperando o companheiro.” Marcamos o passseio, fomos ao trailer, colocamos roupas de banho e voltamos. O rio estava cheio de ondas, o barco balançava muito, coisa deliciosa! Cadê o boto? Cadê o boto? Aparece, botinho! Olha o boto! Quanta emoção! E o danadinho gosta de enganar: você olha para a direita e ele aparece à esquerda. É muito rápido, nem dá para fotografar ou filmar, pois a gente não adivinha onde ele vai boiar. Mas tivemos a sorte de vê-lo umas QUATRO (!!!) vezes! O Eraldo, então, o viu quase todo fora da água!
Fantástico o encontro dos rios: o Tapajós verdinho, verdinho; o Amazonas marrom. E as águas não se misturam; dizem que é como óleo e água. Notei que o Tapajós não perde a cor, mas perde a identidade. É a velha história, o maior é mais importante: ainda se vê claramente a separação das águas e já se fala O AMAZONAS! Chegando ao encontro dos rios, o Eraldo quis nadar; tirou o colete e mergulhou; nadou todo garboso...e eu fotografando. Tive vontade de fazer o mesmo, mas lembrei-me da vez em que resolvi atravessar o Rio Araguaia, pois vi que o Lúciu, que era bem pequeno ainda, atravessara-o facilmente. Quase morri afogada, a sorte foi que me socorreram! Então fiquei só admirando a destreza do rapaz! Ah! Na hora de sair...foi outra história! Ele tentou subir pelo lado, que era bem mais baixo, e o barqueiro: “Não, aí não! Tem que ser pela frente.” E tenta, que tenta...passa uma perna, não dá; passa a outra, não dá...”Chama ele lá pra me ajudar!!!”. O rapaz veio e rebocou o atleta, que entrou arfando e querendo pôr a alma pela boca. Foi um show! E o barqueiro ainda, irônico e muito engraçado, fez piadinhas, contando para os companheiros lá de fora: “Ele parecia o boto cor-de-rosa...boiando, boiando...”. O Eraldo perguntou se foi o primeiro que ele teve que guinchar. “Não, não...Teve uma senhora que não conseguiu sair. Fui puxá-la e foi ela quem me puxou. Fui pra água. A sorte é que estava sem os documentos e o celular, senão...já era!”. Nós lhe demos a ideia de colocar uma escadinha móvel, como aquelas das piscinas. Eu lhe disse: “Você pode ganhar muito dinheiro com isso. A pessoa não consegue entrar e você diz: ‘Com a escada são mais dez reais. Quer a escada?’ “. Depois da história passada, o Eraldo queria saber se eu havia fotografado seu rebocamento. Disse que não, e ele: “Ah, poderia ter fotografado!”. Cada um, cada um, não é? Se eu estivesse no seu lugar e ele fotografasse uma cena desse calibre...ah! mas ia ter que apagar RAPIDINHO!!!
Fomos ao museu, mas já estava fechado. Um senhor, o diretor do museu, disse, muito gentilmente: “Vocês poderiam olhar; acontece que não há iluminação suficiente em todas as salas. Espero vocês amanhã, sem falta!” O Eraldo estendeu a mão ao se despedir e ele ignorou. Ele pensou: “Deve daquelas pessoas que não gostam de pegar na mão dos outros...” O companheiro, que estava ao lado esclareceu: “Ele é cego.”
No dia seguinte fomos novamente ao museu. Vimos muitas coisas interessante! Entramos numa sala e eu pensei: “Engraçado, sala de roupas antigas”. Olhava, encantada os quadros, os instrumentos de suplício com os quais eram castigados os escravos, e fotografava. O Eraldo perguntou: “Não vai fotografar aí atrás?”...Aí atrás, o quê? Virei-me e, gente, quase morri de susto! Tinha uma escrava, no tamanho normal, deitada no tronco (acho que tem outro nome aquilo, onde colocavam os escravos, deitados, presos pelos pés). Eu, encantada com os quadros, nem havia reparado que era uma sala inteira dedicada à escravatura. A roupa antiga era uma escrava no tronco! Muito interessante mesmo! Conversamos com o diretor, o senhor cego. Ele nos contou as dificuldades enfrentadas pelo estabelecimento: falta de dinheiro e de interesse das autoridades. Ele era pintor. Disse: “Eu recebo um salário vergonhoso para cuidar disso aqui. E olha que quase tudo pertenceu a mim. Várias peças (quase todas, na verdade!), inúmeros quadros...que eu pintei quando enxergava. Agora, com a situação tão crítica, faço quadros com as mãos para trocar por lâmpadas...”. Contei-lhe que, em nossa cidade, nem sempre os políticos se interessam pela cultura. Ele disse: “Pensei que por lá fosse diferente...” Que esperança!...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
SÓ UMA OBSERVAÇÃO
Queridos leitores(adoro falar isto)!
Tenho que dar uma explicação: O texto intitulado Lindas Paisagens foi postado duas vezes. Isto porque a amiga aqui ainda é iniciante (lembrei-me do primo rico; ele diria: "iniciante não, analfabeta"...hahahaha...)E está fora de lugar. Ele vem depois(ou antes???Fico confusa, pois o blog é escrito de ponta-cabeça...). Em todo caso, Lindas Paisagens aconteceu antes de Novo Progresso(este fica no Pará e Sinop no Mato Grosso; entenderam???)
O texto Lindas Paisagens já foi mandado para algumas pessoas por e-mail, pois euzinha aqui não estava conseguindo publicar o que tinha registrado no Word. Quem recebeu este por e-mail não deixe de ler os outros que estão depois(isto é, abaixo)porque são bem interessantes!!! Acho que são: Novo Progresso e Asfalto, triste asfalto.
Fiquei emocionada ao ver tantas pessoas me seguindo! Adoro ver aquelas carinhas quando abro meu blog. Entraram mais o Tiago e a Leikinha. Sil, querida aluna, fiquei feliz ao ver que você também me segue.
Tiago, depois conto por e-mail o que eu estava fazendo(ou não fazendo)para que o texto não fosse publicado. Ele ia para o blog e na hora de publicar dava errado. Não vou contar aqui para não passar vergonha...kkkkkkkkkkk.
Até mais, pessoal! Agora escreverei em ordem, pois aprendi a mandar do Word para o blog. Muito obrigada, Tiago! Sua persistência muito me ajudou!!!
Tenho que dar uma explicação: O texto intitulado Lindas Paisagens foi postado duas vezes. Isto porque a amiga aqui ainda é iniciante (lembrei-me do primo rico; ele diria: "iniciante não, analfabeta"...hahahaha...)E está fora de lugar. Ele vem depois(ou antes???Fico confusa, pois o blog é escrito de ponta-cabeça...). Em todo caso, Lindas Paisagens aconteceu antes de Novo Progresso(este fica no Pará e Sinop no Mato Grosso; entenderam???)
O texto Lindas Paisagens já foi mandado para algumas pessoas por e-mail, pois euzinha aqui não estava conseguindo publicar o que tinha registrado no Word. Quem recebeu este por e-mail não deixe de ler os outros que estão depois(isto é, abaixo)porque são bem interessantes!!! Acho que são: Novo Progresso e Asfalto, triste asfalto.
Fiquei emocionada ao ver tantas pessoas me seguindo! Adoro ver aquelas carinhas quando abro meu blog. Entraram mais o Tiago e a Leikinha. Sil, querida aluna, fiquei feliz ao ver que você também me segue.
Tiago, depois conto por e-mail o que eu estava fazendo(ou não fazendo)para que o texto não fosse publicado. Ele ia para o blog e na hora de publicar dava errado. Não vou contar aqui para não passar vergonha...kkkkkkkkkkk.
Até mais, pessoal! Agora escreverei em ordem, pois aprendi a mandar do Word para o blog. Muito obrigada, Tiago! Sua persistência muito me ajudou!!!
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