quinta-feira, 30 de setembro de 2010

LINDAS PAISAGENS



Passamos por Sinop. Quantas lembranças da Flora! O que ela contava da viagem! Não tinha asfalto; às vezes demorava uma semana para chegar: caminhões atolados, estrada interditada e outras peripécias...Como mudou! A cidade está uma graça! Disse um morador que, da hora em que começa a cidade ( a parte urbana), são 40 Km de área construída.

Itaúba, Nova Sta Helena, Peixoto Azevedo ( Aleluia! Nem ândia, nem ápolis, nem nova, nem novo...), Matupá. Uma novela para conseguirmos o endereço da Zilma e do Atílio. Ela vive dizendo: “Os mineirenses passam na porta da minha casa e nem param...”Liguei para a Maria Ely, para a D. Cassimira, para a Maria Ely novamente...Até q consegui o celular da Zilma. Passamos o dia com eles. Que linda casa: toda arborizada, bem fresquinha. Conversamos até cansar a língua.

Dormimos em Guarantã do Norte. Ainda bem que enviei e-mails para o pessoal porque daí pra frente...Nada de Internet. Estrada de chão. Poeira, poeira, poeeeeiiiira...uma cobrinha no meio da estrada, toda esturricadinha...que dó! Paramos num Posto Fiscal do Pará onde dizem que eles multam mesmo, já é bom separar o dinheiro, sem multa não passa. Eu bem que disse:”Ninguém multa assim à toa, tem que haver alguma coisa...” Os fiscais foram legais: olharam nossa casa, fizeram mil perguntas: “A TV comprou onde? Por quanto? Ah, tem DVD...e micro-ondas...Comprou onde? Quanto custou? “. E seu pai: “No Paraguai.” “Então vão com Deus e boa viagem!” Eu bem que disse que ninguém multa assim, sem quê nem pra quê.

Queríamos visitar aquela cidade que queimou toda, Marcelândia. O amigo do seu pai, aquele do carneiro assado disse: “Eu aconselho vocês a não irem lá”. “Por quê?”, perguntei. “Uai, lá não tem nada. A cidade acabou.””Mas é o NADA mesmo que eu quero ver”, respondi. Já pensaram? Uma cidade que existia e não existe mais? Paramos para comprar castanhas ( maldita hora! ) e o vendedor: “Ah, não . A estrada está péssima, é só costela de vaca, fui lá ontem, estou todo doído aqui por dentro...” e nhem, nhem, nhem...no ouvido do Eraldo, até que ele desistiu.

Gente! Tenho que compartilhar meu entusiasmo! Senão estouro! Estrada de chão é tudo de interessante! Asfalto é pura monotonia...Saindo lá do cara enxerido, o vendedor de castanha, perguntei para o Eraldo o que era estrada “costela-de-vaca” e ele tentou explicar...Mas, quando vi a danada, percebi na hora o porquê do nome: é aquela estrada cheia de morrinhos, de nervurinhas, e vc vai pulando, pulando...é como andar em cavalo trotão...plof, plof, plof..., mexe tudo lá por dentro, e eu morrendo de vontade de rir...deixamos de ir a Marcelândia e pegamos as “costelas” do mesmo jeito. E a mata? Verdíssima, um verde escuro. A paisagem é luxuriante! Lembrei-me do pai Leobino , ele adorava essa palavra, e explicava: “Luxuriante não tem nada a ver com luxúria; esta refere-se a sexo. Luxuriante é excesso de luxo, de beleza, é algo majestoso!” Lembram-se da paisagem de “Avatar”? É aquilo. Só que mais linda ainda...Porque essa é REAL...e essa é NOSSA!!!

A viagem nessa estrada é beeemmm lenta. Para vcs terem uma idéia, andamos uma média de 200 Km ( não, não é por hora...) por DIA!!! Mais ou menos três horas e meia para percorrer 100 Km...Hehehehehehe...do jeito que eu gosto! A gente vai apreciando a paisagem, que é muuuiiito variada: lama, poeira, matas, casinhas de madeira, mil pontes, placas tão engraçadas: a figura de um lobo: “Cuidado! Posso atravessar!”. Nas estradas, em vez daquelas placas enfadonhas e rotineiras: “Perigo. Homens na pista”, “Curva fechada”, “Curva perigosa a 100 m”...Você vê: “Risco de MORTE”! E a estrada estreitinha, parece q não dá para passarem dois carros, um ao lado do outro, e o despenhadeiro lá embaixo...se cair...era uma vez...vai parar na estrada larga do céu, ou estreita ( a do inferno é que é larga, não é? E cheia de flores, toda bonita e fácil...).


Percebi que meu querido esposo tem ciúmes do seu Goiás. Ele é mais goiano do que eu. Sempre tive orgulho da minha parte baiana. Não sei por que acho Goiás meio morno...Durante a viagem, comento encantada:
-- Que paisagem mais linda! Que variedade de vegetação!
-- Lá também tem isso tudo...
-- Olha que coqueiro maravilhoso! Que será?
-- Lá em Goiás desse aí tem aos montes! É buriti.


Agora que o buriti daqui é diferente do de lá, isso é! O daqui é alto, imponente, esguio como a palmeira lá da “Iracema”, a virgem dos lábios de mel. Os de lá são mais mirradinhos; pelo menos dos que eu me lembro...hihihihihi...


Vimos até cupinzeiros (viu, Tiago, aqui também têm...). Que saudade do Parque das Emas! “Nossas matas têm mais vida, nossa vida mais amores...” O poeta tinha razão!


Vila 13 de maio, Castelo dos Sonhos (gostei do nome!). Nossa intenção era dormirmos lá, mas chegamos às cinco horas e resolvemos ir mais adiante. Segundo um senhor, para o qual demos carona, tem um tal de “Km 1.000” que fica a 28 ou 38Km. Lá fomos nós...30 Km, nada; 40 Km, nada; e foi escurecendo, e a estrada estreita, escura, um breu...Clima propício à mula-sem-cabeça, lobisomem e seus parentes...uhhhhh...Vinha aquela coisa pra cima da gente: “Será nuvem?...será teia de aranha?...algodão doce?...”. Era só uma pedra, mas uma senhora pedra...Do tamanho, assim, de um carro, ou de uma casa. Tinha personalidade, só faltava falar: “Atrás de mim mora um monstro...Uuuuuhhhhhh....vai te pegar!!!”. Meus amigos, as pedras à beira da estrada são fantásticas! “..No meio do caminho tinha uma pedra...tinha uma pedra no meio do caminho...”. A pedra do Drummond ficaria roxa de inveja! E o poeta escreveria mil versos! O Eraldo dizia: “Chegamos a Novo Progresso e não chegamos ao Km 1.000...” Mas chegamos!!! Dormimos lá. Resolvi tomar um banho, de cabeça e tudo, lógico; tinha poeira atá na alma...O banheiro limpinho, cheiroso...ensaboei-me e a água acabou-se. Enxuguei-me, com sabão e tudo, voltei para o trailer a fim de finalizar o banho. Acontece que a caixa d’água bateu numa PEDRA e furou, ou deslocou a mangueira, sei lá, só sei que foi a conta de me enxaguar e ficamos sem água (na caixa...sempre temos alguns garrafões extras para as emergências). Ah, para variar, era domingo. Por sorte, estávamos bem pertinho de Novo Progresso.

LINDAS PAISAGENS

Passamos por Sinop. Quantas lembranças da Flora! O que ela contava da viagem! Não tinha asfalto; às vezes demorava uma semana para chegar: caminhões atolados, estrada interditada e outras peripécias...Como mudou! A cidade está uma graça! Disse um morador que, da hora em que começa a cidade ( a parte urbana), são 40 Km de área construída.

Itaúba, Nova Sta Helena, Peixoto Azevedo ( Aleluia! Nem ândia, nem ápolis, nem nova, nem novo...), Matupá. Uma novela para conseguirmos o endereço da Zilma e do Atílio. Ela vive dizendo: “Os mineirenses passam na porta da minha casa e nem param...”Liguei para a Maria Ely, para a D. Cassimira, para a Maria Ely novamente...Até q consegui o celular da Zilma. Passamos o dia com eles. Que linda casa: toda arborizada, bem fresquinha. Conversamos até cansar a língua.

Dormimos em Guarantã do Norte. Ainda bem que enviei e-mails para o pessoal porque daí pra frente...Nada de Internet. Estrada de chão. Poeira, poeira, poeeeeiiiira...uma cobrinha no meio da estrada, toda esturricadinha...que dó! Paramos num Posto Fiscal do Pará onde dizem que eles multam mesmo, já é bom separar o dinheiro, sem multa não passa. Eu bem que disse:”Ninguém multa assim à toa, tem que haver alguma coisa...” Os fiscais foram legais: olharam nossa casa, fizeram mil perguntas: “A TV comprou onde? Por quanto? Ah, tem DVD...e micro-ondas...Comprou onde? Quanto custou? “. E seu pai: “No Paraguai.” “Então vão com Deus e boa viagem!” Eu bem que disse que ninguém multa assim, sem quê nem pra quê.

Queríamos visitar aquela cidade que queimou toda, Marcelândia. O amigo do seu pai, aquele do carneiro assado disse: “Eu aconselho vocês a não irem lá”. “Por quê?”, perguntei. “Uai, lá não tem nada. A cidade acabou.””Mas é o NADA mesmo que eu quero ver”, respondi. Já pensaram? Uma cidade que existia e não existe mais? Paramos para comprar castanhas ( maldita hora! ) e o vendedor: “Ah, não . A estrada está péssima, é só costela de vaca, fui lá ontem, estou todo doído aqui por dentro...” e nhem, nhem, nhem...no ouvido do Eraldo, até que ele desistiu.

Gente! Tenho que compartilhar meu entusiasmo! Senão estouro! Estrada de chão é tudo de interessante! Asfalto é pura monotonia...Saindo lá do cara enxerido, o vendedor de castanha, perguntei para o Eraldo o que era estrada “costela-de-vaca” e ele tentou explicar...Mas, quando vi a danada, percebi na hora o porquê do nome: é aquela estrada cheia de morrinhos, de nervurinhas, e vc vai pulando, pulando...é como andar em cavalo trotão...plof, plof, plof..., mexe tudo lá por dentro, e eu morrendo de vontade de rir...deixamos de ir a Marcelândia e pegamos as “costelas” do mesmo jeito. E a mata? Verdíssima, um verde escuro. A paisagem é luxuriante! Lembrei-me do pai Leobino , ele adorava essa palavra, e explicava: “Luxuriante não tem nada a ver com luxúria; esta refere-se a sexo. Luxuriante é excesso de luxo, de beleza, é algo majestoso!” Lembram-se da paisagem de “Avatar”? É aquilo. Só que mais linda ainda...Porque essa é REAL...e essa é NOSSA!!!

A viagem nessa estrada é beeemmm lenta. Para vcs terem uma idéia, andamos uma média de 200 Km ( não, não é por hora...) por DIA!!! Mais ou menos três horas e meia para percorrer 100 Km...Hehehehehehe...do jeito que eu gosto! A gente vai apreciando a paisagem, que é muuuiiito variada: lama, poeira, matas, casinhas de madeira, mil pontes, placas tão engraçadas: a figura de um lobo: “Cuidado! Posso atravessar!”. Nas estradas, em vez daquelas placas enfadonhas e rotineiras: “Perigo. Homens na pista”, “Curva fechada”, “Curva perigosa a 100 m”...Você vê: “Risco de MORTE”! E a estrada estreitinha, parece q não dá para passarem dois carros, um ao lado do outro, e o despenhadeiro lá embaixo...se cair...era uma vez...vai parar na estrada larga do céu, ou estreita ( a do inferno é que é larga, não é? E cheia de flores, toda bonita e fácil...).

Percebi que meu querido esposo tem ciúmes do seu Goiás. Ele é mais goiano do que eu. Sempre tive orgulho da minha parte baiana. Não sei por que acho Goiás meio morno...Durante a viagem, comento encantada:

-- Que paisagem mais linda! Que variedade de vegetação!

-- Lá também tem isso tudo...

-- Olha que coqueiro maravilhoso! Que será?

-- Lá em Goiás desse aí tem aos montes! É buriti.

Agora que o buriti daqui é diferente do de lá, isso é! O daqui é alto, imponente, esguio como a palmeira lá da “Iracema”, a virgem dos lábios de mel. Os de lá são mais mirradinhos; pelo menos dos que eu me lembro...hihihihihi...

Vimos até cupinzeiros (viu, Tiago, aqui também têm...). Que saudade do Parque das Emas! “Nossas matas têm mais vida, nossa vida mais amores...” O poeta tinha razão!

Vila 13 de maio, Castelo dos Sonhos (gostei do nome!). Nossa intenção era dormirmos lá, mas chegamos às cinco horas e resolvemos ir mais adiante. Segundo um senhor, para o qual demos carona, tem um tal de “Km 1.000” que fica a 28 ou 38Km. Lá fomos nós...30 Km, nada; 40 Km, nada; e foi escurecendo, e a estrada estreita, escura, um breu...Clima propício à mula-sem-cabeça, lobisomem e seus parentes...uhhhhh...Vinha aquela coisa pra cima da gente: “Será nuvem?...será teia de aranha?...algodão doce?...”. Era só uma pedra, mas uma senhora pedra...Do tamanho, assim, de um carro, ou de uma casa. Tinha personalidade, só faltava falar: “Atrás de mim mora um monstro...Uuuuuhhhhhh....vai te pegar!!!”. Meus amigos, as pedras à beira da estrada são fantásticas! “..No meio do caminho tinha uma pedra...tinha uma pedra no meio do caminho...”. A pedra do Drummond ficaria roxa de inveja! E o poeta escreveria mil versos! O Eraldo dizia: “Chegamos a Novo Progresso e não chegamos ao Km 1.000...” Mas chegamos!!! Dormimos lá. Resolvi tomar um banho, de cabeça e tudo, lógico; tinha poeira atá na alma...O banheiro limpinho, cheiroso...ensaboei-me e a água acabou-se. Enxuguei-me, com sabão e tudo, voltei para o trailer a fim de finalizar o banho. Acontece que a caixa d’água bateu numa PEDRA e furou, ou deslocou a mangueira, sei lá, só sei que foi a conta de me enxaguar e ficamos sem água (na caixa...sempre temos alguns garrafões extras para as emergências). Ah, para variar, era domingo. Por sorte, estávamos bem pertinho de Novo Progresso.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ASFALTO, TRISTE ASFALTO....

Que sorte! Paramos na mecânica para apertar os parafusos do trailer (não é apertar, é ajustar...) e a internet está ótima! Já pensaram? Duas postagens num só dia? Tenho que aproveirar porque daqui pra frente poderá ser difícil..Iremos rumo ao Amapá. Mas estou pondo o carro diante dos bois...Vou continuar de onde parei...

Entramos no asfalto...que tédio! Até o Eraldo deu sono e teve que parar para dormir. Às vezes viro para dizer: "Não carece de voar...", mas percebo que o ponteiro marca 50, 60 Km...hehehehehe...é o costume de andar devagarinho, do jeito que eu gosto! Quando aumenta um pouco, a gente assusta. ( Meu marido acaba de me trazer um cafezinho...hummm, delícia! Eu tinha feito um solúvel...agora é que percebo como o tal parece mais um purgante...Porém, é tããão mais fácil de fazer...). Aleluia! Acabou-se a faixa preta. Tudo se anima: pula uma coisa, cai a outra, rola pra lá, rola pra cá...pura animação! Vocês se lembram da viagem ao Rio? Aquele vidrinho de sal nunca caía, apesar de parecer tão pouco firme. Agora o danadinho vive feliz da vida se esbaldando pelo chão. E eu só catando:"Quieto no seu lugar, rapaz, que indisciplina é essa?" Floripinha, minha irmã, eu queria que você estivesse nesta viagem, trocando de roupa lá no quarto...aí, sim, a senhora ia ver o que é mancha roxa pelo corpo...hahahahahahahaha! Cai gaveta, cai lâmpada, cai tudo que se deixa solto. Lúciu, você ia amar estas estradas; aliás, acho que todos vocês iriam gostar!

Paramos no Trairão para almoçar. O Eraldo louco para comer peixe: "Quero enjoar de peixe", dizia. Como se fosse possível! Ele é capaz de comer peixe dias e dias; o que não é meu caso...para mim, dois dias...e chega! Mas foi uma decepção. Estava bem sem graça o tal do peixe. Lembramo-nos do peixe da Renata: pura delícia! Aliás, TUDO que ela faz é delicioso! Viu, dona Maria Ely, ela cozinha melhor que você! Não pensei que fosse possível, minha irmã!O cafezinho dela é uma mesa cheia de gostosuras, você nem sabe o que saborear primeiro! O caldo de feijão dela é "coisa do outro mundo"! O molho de peixe...nem se fala! Devo ter engordado uns quilinhos ( como eu quero ganhar uns quilinhos!)

Em Sta. Rosa II, paramos no posto para consertar a mangueira da água que tinha se soltado (ainda bem que meu marido é mecânico de primeira para essas eventualidades, conserta TUDO!) Tinham uns meninos vendendo pipoca, cocada, amendoim...Entraram para conhecer o trailer e especular: "Tem televisão? E DVD? Nossa, tem geladeira...e micro-ondas...E computador tem? Que cor?" Liguei o computador e fui mostrar-lhes as fotos da viagem. Foi uma alegria só. Eles tomaram conta e queriam saber quem eram as pessoas. E eu: "Meu filho, meu outro filho, minha nora, minha filha, minha sobrinha, as filhas dela..." E o gurizinho: "E tu." Eu caí na risada: "Tu?...hahahahaha". O outro maiorzinho: "Aqui a gente fala senhor, senhora, para os mais velhos..." Eu expliquei que não tinha importância falar "tu", eu achei engraçado porque nós dizemos "você". Quando viram a moto ficaram completamente encantados: "Quanto custa uma moto dessa lá? De quem é?". Quando descobriram que a moto estava no porta-malas, aí então..."Tira pra nós ver?". O pequeno virou para o Eraldo: "Tu é doido!" Abriram os jogos e foram jogar. Comprei pipocas e coca para nós. Foi muito legal. Tirei fotos dos novos amiguinhos: Marcos, Léo, Lucas e Adeilton. Depois vocês verão no picasa ( se eu conseguir pôr...hehehehehe!)

A travessia do Rio Tapajós, na balsa...Que emoção! Lindo, lindo!!! E eu, lá do meio do rio, ligo para minha mãe: "Mãe, adivinhe onde estamos...Estamos atravessando o Rio 'Amazonas'..." E o pior é que tinha gente perto, e gente daqui...E o Eraldo, rápido:"Não é o Amazonas, é o Tapajós..." Ai, Juarez, bem que você tentou colocar Geografia na minha cabeça, de todas as maneiras possíveis, mas não conseguiu. Sou péssima em Geografia. Quando, lá de cima, eu vi o rio, perguntei para o Eraldo que rio era...e tive a nítida impressão que ele respondeu "Amazonas". Coisa que não iria dizer, pois ele, sim, sabe Geografia! Ainda bem. Espero que agora eu aprenda na prática!

Itaituba...hum...Esperava uma cidade bem melhor. Esgotos escorrendo pelas ruas. Calçadas? Geralmente não existem. É comum por aqui; as pessoas constroem em cima das calçadas: bares, jardins, poços, vendinhas disto e daquilo...é muito esquisito, você tem que andar na rua, desviando-se dos carros, motos e tudo o mais; urubus para todo lado, montes de lixo nas ruas (já que quase não há calçadas, o lixo fica na rua mesmo, aquela coisa feia!).

Estou escrevendo e fazendo o almoço: maria-isabel; o Eraldo cortou a carne e foi comprar tomate. Vocês aceitam? Minha maria-isabel costuma ser maravilhosa! Nossa!, já estava queimando...É nisso que dá assoviar e chupar cana ao mesmo tempo. O Eraldo trouxe um jambo daqui para eu experimentar...Que delícia, adoro jambo; este é roxinho, a polpa é mais cremosa, aveludada, tem a textura do pêssego. Não estou falando que o Sr. Eraldo ama seu (nosso!) Goiás?
Fui elogiar o jambo, e ele: "É mais sem graça do que o nosso. Deste tem também lá, como planta ornamental; tem em Mineiros, em Goiânia..." Pediu que eu explicasse que é aquela árvore que, quando dá flor, o passeio fica todo vermelho, ou rosa.

Em Itaituba, lá fomos nós procurar almoço, COM PEIXE! Engraçado que passamos por muitos lugares que ofereciam frango, frango de novo, bife...Até que encontramos o peixe. "Tem pescada e outros peixes ( esqueci os nomes). O acompanhamento é o mesmo: vinagrete, farofa e "baião-de-dois"(????). Eu tinha comentado com o Reiker: "Sempre gostei muito dos lanches da escola. Só não apreciava vitamina de banana ( aquela coisa gosmenta) e nunca tive coragem de provar baião-de-dois, parecia resto. A Eliana dizia: "É gostoso! Prova para ver..." Eu olhava, olhava e não tinha coragem de provar. Pedimos o tal do peixe e lá veio o baião. Pus na boca, mastiguei e AMEI! Que pena nunca ter provado tal delícia! Como a gente é boba, às vezes. Quando terminamos de almoçar, tive vontade de pedir uma sacolinha para pôr o que sobrou. Disse: "Só se eu falar que é para a cachorrinha..." Pensei: "Mentir pra quê?". "Oi, moço, eu gostei demais disso. Queria uma sacolinha para levar esse que sobrou." Ele entrou e demorou, demorou, até que voltou com uma vasilha cheinha: "Tia, peguei novinho pra senhora, quentinho!" Gente, e foi um tanto de comida que deu para o meu jantar ( o Eraldo não janta, faz regime) e para o nosso almoço no dia seguinte!

Viajando...Divinópolis, Monte Castelo, Rurópolis (olha os "ópolis" de novo). Esta, sim, uma bela cidade; bem limpa, com uma linda praça, parque infantil com muitos brinquedos, ruas largas e povo educado. Um senhor, já de certa idade, entrou para conhecer nossa casa. Quando soube que íamos para Santarém, foi logo dando palpites: "Se eu fosse vocês, não ia pra frente, não. Vocês só vão ver o que veem em qualquer lugar. Paisagem bonita tem em todo lugar. Eu voltava. Ia conhecer a mata. Lugares que pouca gente vai. Tem uma serra, as estradas estreitinhas, tem que ter muito cuidado! Cada despenhadeiro. Tem um povoado onde os habitantes não estão acostumados a ver gente diferente. No começo ficam meio ressabiados, mas depois mostram-se ótimas pessoas". Pensem em como eu fiquei louca para ir lá. Talvez na volta...O que vimos depois compensou, como narrarei em outra ocasião. O mecânico já está limpando as ferramentas. Tenho que findar por aqui. Até logo ou até não sei quando. Como disse. Atravessaremos de balsa ( desta vez, o AMAZONAS!) rumo ao Amapá; hoje ou amanhã: a palavra pressa sumiu do nosso vocabulário!!!

Continuando a viagem -- Novo Progresso

Pronto, agora vocês vão descobrir meu ponto fraco: não sei escolher bons títulos. Minha maior dificuldade sempre foi escolher os tais de títulos. Então colocarei o que vier à cabeça...

Vou ter que registrar minhas ideias de pouquinho; não será, como eu queria, em ordem cronológica. Não consegui passar do word para o blog ( primo rico e inteligente, não é que eu seja tão burrinha, é que segui todos os passos, mas não deu certo). E como por aqui a internet 3G nem sempre funciona, vou ter que registrar no blog só quando der certo. Enquanto isso, vou escrevendo no word também...um dia eu aprendo! Afinal, inúmeros escritores ( olha a presunção!!!) narram assim: presente, passado; presente, passado; acho até mais interessante!!! Meio sem estilo. Como dizia o Mário Quintana: "Estilo é desculpa para quem sabe escrever apenas de um jeito".

Entramos em Novo Progresso; foi uma surpresa! "Nossa! Que cidade linda! E grande!". Chegamos no supermercado Castanha e perguntamos pela casa da Renata e do Reiker. Queríamos chegar de surpresa. Mas o dono, enxerido, ligou para eles; o Mateus atendeu. A sorte é que a ligação caiu e ele não entendeu direito. Eles só nos esperavam na próxima semana. Ficaram muito felizes com a visita. E a Renata: "Senti firmeza, tio! O senhor disse que vinha e veio mesmo. Muitos já prometeram e nunca vieram."

Passeamos, conhecemos um pouco da cidade, tiramos fotos. Lá têm muitas casas de madeira; uma praça linda com um lago encantador, onde se faz caminhada; completamos quatro voltas ao redor do lago. Afinal, estamos treinando para Santiago de Compostela...hahahahahaha! Não é brincadeira, pensamos seriamente em ir...

À noite, a Maria Lígia, filha do Dr. Manoel (aquele mádico encantador!) e da Gilda e o Sérgio vieram nos visitar. A filhinha deles, Luísa, ensinou-me a jogar alguns jogos que havia no computador ( e euzinha nem sabia...). Jogamos o jogo da memória e um outro lá, dos bolos que a gente manda para o ônibus. Muito legais! Vários amigos deles vieram visitar nossa casa; pena que estava "um pouco" empoeirada. O Eraldo disse: "Temos que aprender a conviver com isso, estrada de chão é assim...". E entre escolher asfalto, SEM poeira e estrada de chão, COM poeira, ah!, sem dúvida!, escolho a última! Disse e repito: "Asfalto é pura MONOTONIA!"

Na saída de Novo Progresso passamos pela "pedra"( de novo ELA!). É uma pedra à beira da estrada ( não é "no meio do caminho") que marca o encontro dos desbravadores da estrada Cuiabá--Santarém. Uma turma saiu de lá e a outra de cá;,encontraram-se no meio da estrada, que é justamente onde fica a tal pedra. Colacaram nela uma placa com o nome dos desbravadores, embaixo escrito: "Não morreram em vão." Até arrepia a gente! "Em vão" para quem NÃO estava lá, eu penso.

O povo por aqui gosta muito dos santos, a vó Dolzir iria amar: Comunidade Sta. Júlia, comunidade S. José, comunidade Sto. Antônio, comunidade N. Sra. Aparecida...Paramos em Morais Almeida para dormir. No dia seguinte...eta mundinho pequeno! Chega um senhor e, ao ver a placa do trailer, pergunta: "Vocês são de Mineiros? Meu pai mora lá. Só vi meu pai umas quatro vezes (!!!)." Indagamos a razão de tal fato e ele: "Minha mãe era caminhoneira e fez eu." Perguntamos quem era seu pai e ele disse: "O Zuis"! O Zuis é o pai da Vânia, do Plínio. Estou colocando isto no blog porque não é segredo. Ele já esteve em Mineiros e até conheceu a esposa do Zuis. Perguntei se ele conhecia a Vânia, sua irmã. Não, não conhecia. Tirei uma foto para mostrar para ela. O rapaz é a cara do Zuis, quando era jovem. E tem o nome dele, que agora me esqueci...depois pergunto para o Eraldo, ele ainda está dormindo! Viram o que faço por vocês, meus amigos? Levanto-me de "madrugada", aproveitando que aqui a internet funciona.

Aruri, Três Bueiros, Caracol...Depois de tanto tempo vendo só mato, mato, mato...uma boiada, prova que o bicho-homem já anda rondando por aqui. No mais é poeira...poeira...e mais poeira ( "poeira vermelha, poeira do meu sertão...lá..lá..lá..." Não sei se o pessoal mais novo conhece essa música...). É um pozinho finíssimo, que penetra em tudo quanto é lugar. E o calor! Que calor! É aquele mormaço úmido, você fica pegajosa; o suor escorre pelo corpo; isso desde beeem cedo! As camisas de mangas longas que compramos, Lu, vieram só passear. Nem dá para pensar em vesti-las. Antes pintada do que assada!

Dormimos no Caracol, onde Judas perdeu as botas...Não, não, Judas jamais imaginou que existisse este lugar. É uma cidade minúscula, as casinhas de madeira, tudo bem rústico, por isso mesmo diferente ( eu já tinha escrito encantador...é que tem um certo encanto a maneira simples de viver daquelas pessoas!)... Como nenhum celular dava sinal, fomos em um posto telefônico: um cubiculozinho: mesinha, cadeira, um telefone. Tinha um homem telefonando e ninguém para atender. Aí, o Eraldo riu e me mostrou o que estava escrito numa folha de papel e colado na parede: "Estou lá atrás." O "atrás" era bem distante, como se fosse uma cozinha, lá no fundo do barracão.

Seguimos viagem: matas, matas, matas verdíssimas. Tenho a impressão de que os anjinhos do céu, ou as fadas da floresta, à noite passam café nas folhas das árvores! Como brilham! Puro encanto! O interessante é que passam muitas motos por nós. E a gente vai contando: "Nenhum...meio a meio...nenhum...nenhum...nenhum...(o mais comum); os dois (muuuiiito raro)". Entenderam? É que, por aqui, capacete é artigo raríssimo! Polícia rodoviária também é coisa rara. Os ônibus escolares são uma graça: uns caminhõezinhos, cobertos de lona, com os bancos de tábua, e a criançada lá dentro sorrindo, na maior alegria. Lembram-se, meninos, da camihonete a carvão que vocês viajavam quando crianças? É parecido!!!

domingo, 26 de setembro de 2010