Que sorte! Paramos na mecânica para apertar os parafusos do trailer (não é apertar, é ajustar...) e a internet está ótima! Já pensaram? Duas postagens num só dia? Tenho que aproveirar porque daqui pra frente poderá ser difícil..Iremos rumo ao Amapá. Mas estou pondo o carro diante dos bois...Vou continuar de onde parei...
Entramos no asfalto...que tédio! Até o Eraldo deu sono e teve que parar para dormir. Às vezes viro para dizer: "Não carece de voar...", mas percebo que o ponteiro marca 50, 60 Km...hehehehehe...é o costume de andar devagarinho, do jeito que eu gosto! Quando aumenta um pouco, a gente assusta. ( Meu marido acaba de me trazer um cafezinho...hummm, delícia! Eu tinha feito um solúvel...agora é que percebo como o tal parece mais um purgante...Porém, é tããão mais fácil de fazer...). Aleluia! Acabou-se a faixa preta. Tudo se anima: pula uma coisa, cai a outra, rola pra lá, rola pra cá...pura animação! Vocês se lembram da viagem ao Rio? Aquele vidrinho de sal nunca caía, apesar de parecer tão pouco firme. Agora o danadinho vive feliz da vida se esbaldando pelo chão. E eu só catando:"Quieto no seu lugar, rapaz, que indisciplina é essa?" Floripinha, minha irmã, eu queria que você estivesse nesta viagem, trocando de roupa lá no quarto...aí, sim, a senhora ia ver o que é mancha roxa pelo corpo...hahahahahahahaha! Cai gaveta, cai lâmpada, cai tudo que se deixa solto. Lúciu, você ia amar estas estradas; aliás, acho que todos vocês iriam gostar!
Paramos no Trairão para almoçar. O Eraldo louco para comer peixe: "Quero enjoar de peixe", dizia. Como se fosse possível! Ele é capaz de comer peixe dias e dias; o que não é meu caso...para mim, dois dias...e chega! Mas foi uma decepção. Estava bem sem graça o tal do peixe. Lembramo-nos do peixe da Renata: pura delícia! Aliás, TUDO que ela faz é delicioso! Viu, dona Maria Ely, ela cozinha melhor que você! Não pensei que fosse possível, minha irmã!O cafezinho dela é uma mesa cheia de gostosuras, você nem sabe o que saborear primeiro! O caldo de feijão dela é "coisa do outro mundo"! O molho de peixe...nem se fala! Devo ter engordado uns quilinhos ( como eu quero ganhar uns quilinhos!)
Em Sta. Rosa II, paramos no posto para consertar a mangueira da água que tinha se soltado (ainda bem que meu marido é mecânico de primeira para essas eventualidades, conserta TUDO!) Tinham uns meninos vendendo pipoca, cocada, amendoim...Entraram para conhecer o trailer e especular: "Tem televisão? E DVD? Nossa, tem geladeira...e micro-ondas...E computador tem? Que cor?" Liguei o computador e fui mostrar-lhes as fotos da viagem. Foi uma alegria só. Eles tomaram conta e queriam saber quem eram as pessoas. E eu: "Meu filho, meu outro filho, minha nora, minha filha, minha sobrinha, as filhas dela..." E o gurizinho: "E tu." Eu caí na risada: "Tu?...hahahahaha". O outro maiorzinho: "Aqui a gente fala senhor, senhora, para os mais velhos..." Eu expliquei que não tinha importância falar "tu", eu achei engraçado porque nós dizemos "você". Quando viram a moto ficaram completamente encantados: "Quanto custa uma moto dessa lá? De quem é?". Quando descobriram que a moto estava no porta-malas, aí então..."Tira pra nós ver?". O pequeno virou para o Eraldo: "Tu é doido!" Abriram os jogos e foram jogar. Comprei pipocas e coca para nós. Foi muito legal. Tirei fotos dos novos amiguinhos: Marcos, Léo, Lucas e Adeilton. Depois vocês verão no picasa ( se eu conseguir pôr...hehehehehe!)
A travessia do Rio Tapajós, na balsa...Que emoção! Lindo, lindo!!! E eu, lá do meio do rio, ligo para minha mãe: "Mãe, adivinhe onde estamos...Estamos atravessando o Rio 'Amazonas'..." E o pior é que tinha gente perto, e gente daqui...E o Eraldo, rápido:"Não é o Amazonas, é o Tapajós..." Ai, Juarez, bem que você tentou colocar Geografia na minha cabeça, de todas as maneiras possíveis, mas não conseguiu. Sou péssima em Geografia. Quando, lá de cima, eu vi o rio, perguntei para o Eraldo que rio era...e tive a nítida impressão que ele respondeu "Amazonas". Coisa que não iria dizer, pois ele, sim, sabe Geografia! Ainda bem. Espero que agora eu aprenda na prática!
Itaituba...hum...Esperava uma cidade bem melhor. Esgotos escorrendo pelas ruas. Calçadas? Geralmente não existem. É comum por aqui; as pessoas constroem em cima das calçadas: bares, jardins, poços, vendinhas disto e daquilo...é muito esquisito, você tem que andar na rua, desviando-se dos carros, motos e tudo o mais; urubus para todo lado, montes de lixo nas ruas (já que quase não há calçadas, o lixo fica na rua mesmo, aquela coisa feia!).
Estou escrevendo e fazendo o almoço: maria-isabel; o Eraldo cortou a carne e foi comprar tomate. Vocês aceitam? Minha maria-isabel costuma ser maravilhosa! Nossa!, já estava queimando...É nisso que dá assoviar e chupar cana ao mesmo tempo. O Eraldo trouxe um jambo daqui para eu experimentar...Que delícia, adoro jambo; este é roxinho, a polpa é mais cremosa, aveludada, tem a textura do pêssego. Não estou falando que o Sr. Eraldo ama seu (nosso!) Goiás?
Fui elogiar o jambo, e ele: "É mais sem graça do que o nosso. Deste tem também lá, como planta ornamental; tem em Mineiros, em Goiânia..." Pediu que eu explicasse que é aquela árvore que, quando dá flor, o passeio fica todo vermelho, ou rosa.
Em Itaituba, lá fomos nós procurar almoço, COM PEIXE! Engraçado que passamos por muitos lugares que ofereciam frango, frango de novo, bife...Até que encontramos o peixe. "Tem pescada e outros peixes ( esqueci os nomes). O acompanhamento é o mesmo: vinagrete, farofa e "baião-de-dois"(????). Eu tinha comentado com o Reiker: "Sempre gostei muito dos lanches da escola. Só não apreciava vitamina de banana ( aquela coisa gosmenta) e nunca tive coragem de provar baião-de-dois, parecia resto. A Eliana dizia: "É gostoso! Prova para ver..." Eu olhava, olhava e não tinha coragem de provar. Pedimos o tal do peixe e lá veio o baião. Pus na boca, mastiguei e AMEI! Que pena nunca ter provado tal delícia! Como a gente é boba, às vezes. Quando terminamos de almoçar, tive vontade de pedir uma sacolinha para pôr o que sobrou. Disse: "Só se eu falar que é para a cachorrinha..." Pensei: "Mentir pra quê?". "Oi, moço, eu gostei demais disso. Queria uma sacolinha para levar esse que sobrou." Ele entrou e demorou, demorou, até que voltou com uma vasilha cheinha: "Tia, peguei novinho pra senhora, quentinho!" Gente, e foi um tanto de comida que deu para o meu jantar ( o Eraldo não janta, faz regime) e para o nosso almoço no dia seguinte!
Viajando...Divinópolis, Monte Castelo, Rurópolis (olha os "ópolis" de novo). Esta, sim, uma bela cidade; bem limpa, com uma linda praça, parque infantil com muitos brinquedos, ruas largas e povo educado. Um senhor, já de certa idade, entrou para conhecer nossa casa. Quando soube que íamos para Santarém, foi logo dando palpites: "Se eu fosse vocês, não ia pra frente, não. Vocês só vão ver o que veem em qualquer lugar. Paisagem bonita tem em todo lugar. Eu voltava. Ia conhecer a mata. Lugares que pouca gente vai. Tem uma serra, as estradas estreitinhas, tem que ter muito cuidado! Cada despenhadeiro. Tem um povoado onde os habitantes não estão acostumados a ver gente diferente. No começo ficam meio ressabiados, mas depois mostram-se ótimas pessoas". Pensem em como eu fiquei louca para ir lá. Talvez na volta...O que vimos depois compensou, como narrarei em outra ocasião. O mecânico já está limpando as ferramentas. Tenho que findar por aqui. Até logo ou até não sei quando. Como disse. Atravessaremos de balsa ( desta vez, o AMAZONAS!) rumo ao Amapá; hoje ou amanhã: a palavra pressa sumiu do nosso vocabulário!!!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
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Ótimo esse post D. Sônia. Fiquei imaginando a alegria dos menininhos ao conhecer o trailer! E o seu Eraldo puxando saco de Goiás?!? kkk
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