quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
SAGARANA
(Continuando...) Então fomos ao Buraquinho....Hahahhhahhhaha...Lembrei-me o tempo todo da vó Adélia. A tal paisagem que de fora era uma coisa e de dentro outra, não deu para entender... O lindo rio...hummmm, a água dava no meio da canela. Deu para refrescar; tomamos um banho de imersão, deitadinhos, as piabinhas nos beliscando.
05 de fevereiro, terça-feira -- Saímos do posto às 10:00h. Paramos para lavar e lubrificar o trailler que estava um horror. Fizemos o almoço: arroz com linguiça, pequi, salada de tomate, queijo por cima do arroz; queijo láááá do amigo do Pedrão.
Saímos às 16:15 para...Mistério!!! Vocês sabem que gosto de viajar no escuro; não quero saber para onde vou, prefiro surpresa total! Só que esse negócio de dar carona às vezes estraga. O povo mineiro é perguntador que só: "Vêm de onde? Para onde vão? Fazer o quê?" Já sei de onde herdei minha insaciável curiosidade. Dos antepassados mineiros!Demos carona para um senhor que perguntou para onde íamos, e o Eraldo:
-- Para Garapuava.
Não a do compadre João Luiz; a dele é Gua. Engraçado! Meu conhecimento em geografia é péssimo; mas...se nosso destino é Bahia parece que estamos voltando. O que vocês acham?! Na volta passaremos em Uruana de Minas. Dizem que tem belíssimas cachoeiras (??????).
Cada serra que descemos ou subimos, lembro-me da Eliane, lá de Nova Xavantina; ela é mineira e, quando soube que viríamos para Minas, contou-nos essa piada:
Quando Deus estava fazendo o Brasil, o Satanás ficava de lado, só olhando. Lá pras tantas falou:
-- Oh! Deus, descanse um pouco, deixe que eu faço em seu lugar.
-- Então tenha cuidado para aplainar tudo bem direitinho. Vá jogando a terra e alisando o terreno -- disse Deus. Em seguida, foi dormir.
No início, o Encardido (de todos os apelidos do Capeta, esse é o que eu acho mais engraçado!)trabalhou direitinho. Quando chegou em Minas, a preguiça tomou conta e ele foi jogando os punhados de terra de qualquer jeito; formando aqueles mondongos -- que são as inúmeras serras.
Deus acordou e ficou encabulado com a esperteza do Tinhoso, mas...já que estava feito... E Minas ficou assim: serras e msis serras.
Ah! Já ia me esquecendo: comprei meus óculos de sol. Vocês se lembram? Aqueles antigos -- que comprei no Rio em 2009 -- já tinham sido colados....hahhahahhahaha...agora tinham pifado de vez. Escolhi uma armação meio quadrada que, segundo os estilistas, não combina com meu rosto. Mas, era meu sonho este tipo de armação. Uma menininha me ajudou na escolha.
Vi na rua um senhor bem idoso, careca, com o cabelo comprido, de rabo. Uma coisa muito curiosa! Pena que não dava de pedir: "Deixa eu fotografar o senhor DE COSTA??? Mas que tive vontade, isso tive!
Chegamos em Garapuava às 19:10h. O dono do posto, gentilíssimo, recebeu-nos com toda pompa: garagem coberta, um bom banheiro e uma ótima prosa! Obrigada, Rui.
06 de fevereiro, quarta-feira. Aniversário do vozinho Leobino. Deve ser ele que nos guiou para fazermos o inesquecível passeio de hoje; dia memorável!!! Choveu, choveu e choveu à noite. Será que veremos as cachoeiras???
Despedimo-nos do Rui. Perguntei-lhe sobre a origem do nome da cidade.
-- Tem a ver com garapa. Parece que os carros-de-bois vinham da Bahia, carregados de rapaduras.
Essa foi ótima! Lembram, meninos, que eu passei muito tempo sem conseguir comer rapadura por conta da história que li em Sagarana? Mas isso conto depois, senão a Zuleika vai reclamar que divago demais. Amanhã começo contando...
Quanto às cachoeiras...o Rui disse que o trailler não chega lá. Deve ser o mesmo problema do parque: o trailer é muito baixo e muito alto. Entenderam?! Baixo embaixo e alto em cima.
Na saída do posto, um rapaz nos perguntou:
-- Vocês não vão até Sagarana?! É lá que tem muito sobre o Guimarães Rosa. Tem um projeto; constroem muita coisa lá.
Dá para acreditar?! Em nosso mapa nem existe Sagarana. E tem Capela e Bolicho Seco como cidades...Um espanto!
Como não dava de ir no trailler, arrumamos um rapaz que nos levou até lá em seu carro. Que coisa linda!!! O projeto tem as artesãs que fabricam inúmeros objetos de bambu: mesas, cadeiras, cabides, camas, canecos, canetas... Tem ainda uma oficina que ensina os alunos a fabricarem violas, violinos e violões. O mestre Vergílio é uma grça de pessoa! Explicou-nos muito sobre sua arte. E eu me lembrando do pai Leobino; ia ficar maluco ao ver aquilo! Vergílio nos contou que o violino fabricado no Brasil importa madeira de quatro (!!!) países. Agora, em seu projeto, ele está substituindo a madeira importada pela madeira do Brasil! Todas as peças são medidas em milímetros; a madeira inadequada altera o som do instrumento. São fantásticas suas explicações! A gente nem sente vontade de sair de lá.
Na volta passamos na Cachoeira da Ilha. Muito bonita, realmente. Valeu a pena!
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